A lutadora Jamey-Lyn Horth afirmou que saiu do duelo com “zero arranhões”, mas admitiu que a sensação foi de “cabeça-cochinha” depois da derrota no UFC Fight Night 273, realizado no Canadá. O confronto, embora tenha acontecido como a terceira luta do card preliminar, acabou virando um dos assuntos centrais do evento no Canada Life Centre, em Winnipeg, Manitoba.
Horth, que chegava com cartel de 9-3 no MMA e 4-3 no UFC, perdeu para JJ Aldrich em decisão unânime. Os três jurados registraram 29-28, dando o resultado final para Aldrich, agora com 15-7 no MMA e 11-6 na organização. Mesmo com o veredito mantendo a mesma pontuação no placar geral, parte do público que acompanhou a luta ficou surpresa quando o árbitro Joe Martinez anunciou o resultado, e Horth reforçou que, ao menos para ela, a interpretação do combate não deveria ter sido aquela.
Em entrevista na terça-feira, Horth disse que a equipe tinha convicção de que saiu vitoriosa. A atleta comentou que, segundo sua leitura, Aldrich não aparentou satisfação no momento em que sua mão foi erguida, destacando também o comportamento da adversária após o anúncio. Para Horth, o clima foi o oposto do esperado depois de um triunfo.
Segundo a lutadora, ela normalmente espera um pouco antes de rever suas lutas, mas desta vez o processo foi imediato. Para entender como o resultado final foi construído, Horth assistiu ao replay na segunda-feira, e seus treinadores também acompanharam o vídeo separadamente, cada um tirando suas próprias conclusões.
Horth então levantou o raciocínio sobre a possibilidade de a percepção do time ter sido distorcida durante o calor do momento ou se a memória do grupo poderia ter enganado. Na visão dela, as duas hipóteses foram descartadas. A atleta descreveu que, ao rever o combate, enxergou controle de jaula por cerca de 44 segundos ao longo de toda a luta, com ela avançando em direção ao centro e Aldrich recuando. Ela ainda apontou que, durante a partida, é possível ouvir instruções dos técnicos para a própria Aldrich, como a orientação de parar de se deslocar para trás e buscar trocas no mesmo espaço.
De acordo com Horth, mesmo que o placar final tenha sido igual nas três cédulas, a leitura rodada a rodada não teria sido tão convergente entre os jurados. Ela sustentou que os golpes mais relevantes que conectou e o impacto gerado na adversária teriam sido suficientes para justificar o controle efetivo no julgamento, e citou um detalhe que, para ela, reforça o desequilíbrio do combate: Aldrich precisou deixar o octógono em uma maca e foi encaminhada ao hospital após a luta. Horth disse que não entende em qual momento o grupo deixaria de controlar a região central, de acertar mais golpes significativos e de causar mais dano, já que esse seria, em sua interpretação, um dos critérios básicos da arbitragem.
Na explicação dela, a única explicação possível para a divergência seria a existência de duas tentativas de queda feitas por Aldrich, ambas sem sucesso. Ainda assim, Horth demonstrou incerteza sobre como isso teria pesado o bastante para alterar o resultado, especialmente considerando o que ela descreve como o panorama geral do combate.
Ao analisar a luta por rounds, Horth afirmou que, apesar de os três jurados terem usado o mesmo placar total, eles só concordaram integralmente em um round: o terceiro, que foi pontuado para JJ Aldrich. As duas primeiras parciais teriam sido divididas entre os avaliadores, o que, na leitura da brasileira, ajuda a explicar por que o desfecho oficial soou tão estranho para quem assistiu.
A lutadora também comentou diferenças de experiência entre os juízes envolvidos. Um deles, Junichiro Kamijo, é um nome amplamente utilizado e com centenas de lutas do UFC já avaliadas. Já os outros dois jurados, segundo o que foi apontado, não teriam o mesmo volume de trabalho: Dr. Greg Jackson não atuava como juiz em eventos do UFC desde 2018, enquanto Laura Baldwin não havia, antes do sábado, pontuado uma luta na organização.
Horth ainda levantou a hipótese de que o contexto local poderia ter influenciado a condução da arbitragem. Ela mencionou que, conforme informações de bastidores e registros públicos, a província de Manitoba teria sediado apenas três eventos de esportes de combate entre 2019 e o dia do duelo. A partir disso, ela questionou se a menor frequência poderia afetar a consistência do processo, incluindo familiaridade com critérios e envolvimento do comitê responsável. A atleta também ponderou se haveria alguma forma de padronizar julgamentos, como acontece com grupos de árbitros que são deslocados para diferentes praças, de modo a manter um padrão mais uniforme em cada luta e em cada lutador.
O debate em torno do resultado foi grande. Horth relatou que a maioria do público e dos profissionais de mídia discordou da decisão oficial. Ela citou números divulgados por quem acompanha esse tipo de avaliação: 92% dos fãs teriam marcado a luta para Aldrich, enquanto 9 em cada 10 membros da imprensa também teriam feito a mesma escolha, segundo MMA Decisions.
Sobre o que vem a seguir, Horth disse que a Iridium Sports Agency, que a representa, está avaliando alternativas para um possível recurso. Ainda assim, ela reconheceu que apelações ligadas à pontuação raramente terminam em mudança prática do resultado, e por isso mantém uma postura esperançosa enquanto aguarda uma nova proposta de luta.
Para a brasileira de coração, a “consequência” do revés é dupla: não apenas o golpe no cartel, mas também a perda de parte do potencial financeiro que pode evaporar junto com o desfecho. Ainda assim, ela espera que a promoção enxergue aquele combate como uma vitória em termos de desempenho e que siga tratando sua evolução com o devido cuidado enquanto define os próximos passos da carreira.
Horth concluiu explicando que confia no trabalho de seus agentes e no diálogo com os responsáveis do UFC para organizar a sequência. Ela disse sentir, no “instinto”, que pode haver desdobramentos, citando conversas com seu agente, Jason House, e com integrantes do time da organização após o resultado. Na visão dela, a reação interna teria sido semelhante a uma surpresa coletiva, como se a equipe também tivesse pensado: “o que está acontecendo?”, reforçando a esperança de que, mesmo com uma derrota registrada, ainda exista espaço para ajustes no futuro e para escolhas que reflitam a trajetória que ela acredita estar construindo no octógono.

