O CEO do UFC, Dana White, entrou no debate após especulações de que Khamzat Chimaev não teria realmente batido o peso para o UFC 328. Em resposta ao que circulou na internet, o dirigente classificou a polêmica como “f–king stupid”, deixando claro que não vê qualquer fundamento nas acusações feitas por internautas. O caso ganhou força depois da cerimônia de pesagem oficial, realizada na sexta-feira de manhã, em Nova Jersey, quando “Borz” foi o último atleta a subir na balança. No momento em que o checheno entrou no palco, a impressão entre quem acompanhava ao vivo era de que ele estava visivelmente abatido e até cambaleante.
A controvérsia surgiu logo após Chimaev pisar na plataforma da balança mecânica. Minutos depois de a estrutura ser acionada, um funcionário da comissão teria anunciado o número de 185 libras antes que o equipamento sequer tivesse tempo suficiente para estabilizar completamente. Em seguida, Chimaev deixou a balança rapidamente, e a cena foi interpretada por parte do público como um indício de que o procedimento não teria sido conduzido de maneira correta. A discussão, porém, não ficou restrita apenas a teorias de quem tenta encontrar irregularidades pela gravação em redes sociais.
O nome que também colocou lenha na fogueira foi o desafiante Sean Strickland. Durante a coletiva pós-evento do UFC 328, o norte-americano afirmou que Chimaev teria pesado acima do limite também em uma balança de conferência utilizada nos bastidores, e que o time do lutador teria percebido o problema ainda no processo interno. Strickland relatou que alguém do seu próprio grupo estava acompanhando a checagem quando “Borz” subiu na balança de conferência e que, ao verem a medida, toda a equipe teria reagido com irritação, pois o tempo estaria acabando. O desafiante foi direto ao dizer que, na visão dele, Khamzat teria “1000%” perdido o peso.
Diante das críticas e do questionamento sobre como o protocolo estaria sendo aplicado, Dana White rebateu com firmeza quando foi questionado sobre o assunto. O dirigente lembrou que a comissão atlética estadual de Nova Jersey é a responsável por supervisionar a pesagem e ponderou a diferença de tratamento em casos anteriores, citando uma situação em que Jeremy Stephens teria perdido o limite em quatro libras e, ainda assim, foi necessário chegar a um acordo. White então apontou que, no caso de Chimaev, a interpretação popular seria de que não houve o mesmo rigor, e sustentou que Nova Jersey e Nova York estão entre as comissões mais duras do país. Na sequência, o CEO desconversou e afirmou não ter como explicar o que a internet está insinuando, repetindo que a discussão faz pouca lógica.
Outra parte da conversa girou em torno do equipamento utilizado. Ao ser indagado sobre por que a comissão ainda emprega a balança mecânica de feixe, em vez de uma versão digital, Dana White respondeu de forma seca que não sabe e sugeriu que a própria comissão seja questionada. Ele ainda indicou que a pauta não faz parte do trabalho dele e que, para entender o motivo dessa escolha operacional, seria necessário falar diretamente com a entidade responsável.
O episódio, vale lembrar, não é o primeiro em que surge a narrativa de que um campeão popular poderia ter recebido alguma “ajuda” para cumprir o peso, especialmente em períodos que antecedem lutas grandes. Por anos, circulou também a acusação de que Khabib Nurmagomedov teria perdido o limite na sua luta final contra Justin Gaethje, reacendendo o tipo de discussão sempre que há um contexto de alto interesse e pressão por resultado. No caso de Nova Jersey, a pergunta que fica é por que uma comissão permitiria qualquer tipo de flexibilidade — e, mesmo que não exista solicitação explícita do UFC por tratamento diferenciado, ainda assim pode haver o fenômeno de captura regulatória, quando a relação institucional se torna mais branda com o objetivo de manter negócios fluindo.
Esse tipo de leitura ganha força principalmente porque a chegada de eventos do UFC movimenta recursos e gera interesse local, o que pode, na prática, criar incentivos para que a máquina continue rodando, sobretudo em lutas de grande apelo. Nesse cenário, a hipótese levantada por alguns comentários é de que algum nível de tolerância poderia ter sido oferecido para manter o main event em curso sem turbulências. Dana White, no entanto, rejeitou a ideia com sarcasmo e tratou o debate como fruto da internet.
Mesmo assim, independentemente do resultado final de balança, a própria pesagem foi contestada por um detalhe técnico: a estrutura teria anunciado o número sem que o feixe tivesse parado completamente antes da confirmação. Esse ponto, segundo quem acompanhou, seria objetivo demais para ser ignorado. Para a maioria das pessoas que enxergou “algo estranho”, a sensação de irregularidade ficou marcada pelo modo como a medida foi anunciada e pelo tempo em que Chimaev deixou a balança.
Ao fim do card, o desfecho esportivo acabou dando munição para a leitura mais dura da polêmica. Se o corte de peso de Chimaev de fato ocorreu como esperado, a balança e as imagens ainda assim chamaram atenção, mas o que se viu dentro do octógono foi que o tamanho do esforço para bater o limite teve um custo. Chimaev terminou a noite visivelmente debilitado, e essa condição pesou diretamente no resultado do confronto pelo cinturão.
Na luta principal, Sean Strickland superou o adversário que chegou drenado e levou a melhor nas anotações: ele venceu por decisão dividida, garantindo o título dos meio-médios. Com isso, Strickland saiu com a nova conquista, enquanto Chimaev, apesar do contexto cercado por discussão na pesagem, acabou perdendo o cinturão no desfecho da luta.

