Darren Till critica fase do UFC: “não tem vida” e comenta o momento do octógono

Darren Till entrou na lista de lutadores que criticam o momento atual do UFC. Em meio a um debate que vem ganhando força nos últimos anos — com parte do público questionando se a qualidade do produto teria caído — o assunto ganhou ainda mais destaque recentemente com o retorno de Ronda Rousey após uma longa pausa para assinar com a Most Valuable Promotions, em um movimento que, para muitos, parecia também um recado ao sistema do esporte.

Agora, quem reforçou esse coro foi o ex-desafiante ao cinturão dos meio-médios do UFC. Em entrevista, Darren Till afirmou que não está satisfeito com o que tem visto nas noites mais recentes do octógono, e usou comparações diretas com o passado para sustentar sua crítica.

“O UFC foi para o lixo um pouco”: a avaliação de Darren Till

Segundo Till, a percepção é de que o UFC perdeu força e vive um momento de pouca empolgação. “O UFC foi para o lixo um pouco”, disse ele. “Eu não estou feliz com isso. Não tem nada ali.”

O britânico também citou a questão do clima nos eventos e apontou a diferença entre apresentações recentes e temporadas mais antigas do circuito. “Lamento dizer, o último evento em Londres foi simplesmente desastroso”, afirmou. Ele comparou a edição mais recente com outra ocasião do passado, quando Michael Bisping lutou em território londrino, lembrando que, mesmo tendo sido nocauteado em 2019, o ambiente era eletrizante.

“Quando o Bisping lutou em Londres, o clima era elétrico. Eu acabei nocauteado de novo em Londres [em 2019], mas a atmosfera era elétrica. A luta até foi boa com [Jorge] Masvidal. Só que o [UFC] não tem isso mais. Não tem mais essa vida”, declarou Till. Na visão dele, a falta de energia seria resultado de algo que vai além do card em si.

Para Till, a diferença está na figura do promotor estar ou não “por dentro” do que está acontecendo. “Quando o promotor está por trás e tem paixão, isso pesa. O Dana [White] parece ter perdido o ritmo”, completou o ex-desafiante.

“Ego demais”: Till crava que White estaria desligado do UFC

As críticas de Darren Till não ficaram restritas ao desempenho dos cards. Ele também abordou o comportamento de Dana White e sugeriu que o dirigente teria reduzido o foco no UFC, já que estaria envolvido em outras empreitadas.

“Eu gosto do Dana, mas eu acho que o ego dele está ficando demais fora de controle”, afirmou Till. “Eu penso que ele está totalmente desligado do UFC. Eu nem assisto ao UFC mais, de verdade. Eu não consigo nem dizer metade das pessoas que lutam lá.”

O lutador seguiu argumentando que, na percepção dele, faltaria brilho ao elenco e que os eventos estariam menos “viciantes”. “As noites não são tão empolgantes como antes. Eu acho que eles têm poucas estrelas restantes”, disse. E, além disso, Till mencionou o lado da mídia, dizendo que sente dificuldade de obter respostas diretas quando White aparece em coletivas.

“Eu fico irritado, honestamente, com a parte da imprensa. Toda vez que o Dana está em um ‘scrum’, parece que os repórteres têm medo de falar a verdade. Quando perguntam, ele fica mais ou menos com aquele papo: ‘Quem se importa?’”, relatou Till.

Em seguida, ele elevou o tom e reforçou quem, para ele, realmente se importa com o produto. “A gente se importa. Eu me importo. Então nos dê uma resposta, caramba. Tira esse ego. Desculpa eu estar falando assim dele, mas eu vou nessa. Eu me importo. O que você quer dizer com ‘quem se importa’? A gente se importa, então dá respostas”, concluiu.

Comparação com “co-main” do passado e o exemplo do UFC White House

Mesmo reconhecendo que Dana White ainda aparece em algumas ocasiões importantes, Till apontou que, na prática, o resultado seria uma falta de conexão com o público. Ele citou que, no verão, haveria um grande card chamado UFC White House — descrito por ele como possivelmente o maior da história do evento —, mas disse que também vê críticas nesse pacote.

“Eu olho para o card e ele não me provoca como os outros [cards de antes]. A razão de o UFC ter alcançado o boxe é que naquela época você tinha co-lutas principais com gente como Robbie Lawler contra Rory MacDonald, Conor McGregor, Jose Aldo”, explicou Till. Para ele, as noites antigas tinham uma “cara” diferente e mais capacidade de gerar interesse do público.

Ao comparar com o presente, Till afirmou que a sensação é de esvaziamento no card atual. “Eu olho para o White House agora e penso que é uma grande porcaria”, disparou.

Ele também detalhou, ponto a ponto, por que não se empolgou com alguns confrontos citados no card. “Eu não estou falando nada contra eles, mas Ilia Topuria, Justin Gaethje… não me interessa”, disse o lutador. “Desculpa, o Gaethje já foi derrotado mil vezes. Eu sou fã? Eu amo o cara de verdade. Eu acho ele um dos melhores lutadores de todos os tempos. Só que eu não quero ver Ilia Topuria lutando contra Gaethje. Eu quero ver Topuria enfrentando Islam Makhachev ou alguém desse nível. Eu não quero ver isso. É só uma porcaria”, concluiu.

O debate segue: produto, estrelas e foco do comando

Com essas declarações, Darren Till reforçou o argumento que vem aparecendo com frequência no cenário: a percepção de que o UFC estaria em um momento de menos tração, com cards menos atrativos e com o comando menos concentrado no produto principal. Enquanto isso, o torcedor segue dividido — e a discussão sobre o que exatamente faz uma noite “pegar fogo” no octógono permanece no centro do debate.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.