Eric Nicksick projeta retorno de Francis Ngannou e quer domínio no MMA

O treinador Eric Nicksick, chefe da equipe For Xtreme Couture, descreveu a chegada de Francis Ngannou ao centro de treinos como algo especial tanto no lado pessoal quanto no profissional. Para ele, a presença do ex-campeão pesa no ambiente e eleva o nível de todos ao redor.

O que Nicksick destacou sobre o retorno de Ngannou

  • Quando Ngannou não está no local, a equipe sente falta “de uma parte” deles, incluindo a família e os filhos de Nicksick.
  • Ter Ngannou de volta no treino é considerado “super importante” para todos.
  • Segundo Nicksick, o “padrão” do grupo sobe assim que o atleta entra na sala.

Apesar do clima positivo, o foco agora é preparar Ngannou para o primeiro combate no MMA em 19 meses. Ele vai encarar Philipe Lins no card principal do evento do MVP, que tem como luta de destaque Ronda Rousey contra Gina Carano.

O show está marcado para 16 de maio, com transmissão ao vivo pela Netflix, a partir do Intuit Dome, em Inglewood, na Califórnia. Dentro desse contexto, Nicksick afirmou que o pupilo chegou ao acampamento “bem além do ponto” e “raspado”, já com 265 libras, enquanto o peso habitual gira em torno de 280.

Favoritismo e a grande dúvida após 16 de maio

  • Os mercados colocam Francis Ngannou como um favorito enorme, com odds de -1400 para vencer Philipe Lins.
  • A pergunta central é o que vem depois do dia 16 para o caminho profissional de Ngannou.

Na leitura do treinador, a tendência é Ngannou dominar Lins. Ainda assim, o ponto que fica no ar é qual direção o atleta vai seguir após esse compromisso, especialmente porque ele demonstrou preferência pelo boxe.

Desde que deixou o UFC em janeiro de 2023, Ngannou migrou para lutas de boxe em grandes combates, como as derrotas para Tyson Fury e Anthony Joshua em confrontos de alto impacto e bastante valorizados financeiramente. Com isso, o cenário do MMA continua aberto: o que será que ele quer construir daqui pra frente?

Nicksick disse que vai apoiar qualquer rota que Ngannou decida adotar para a carreira, mas também admitiu que gostaria de ver “O Predador” voltando a ser uma força dominante dentro do octógono. Na avaliação dele, antes da lesão no joelho sofrida na luta contra Ciryl Gane, em janeiro de 2022, havia a convicção de que ninguém no planeta conseguiria superar Francis.

Ele reconheceu que, com a passagem pelo boxe e com pouco tempo de MMA, o ritmo pode ficar difícil de retomar no mesmo ritmo. A ideia, porém, é que o grupo siga confiante no processo e permita que Ngannou encontre o melhor encaixe aos poucos.

O técnico também reforçou que não é o papel dele definir a vida e as metas do atleta. Ainda assim, na visão pessoal, ele acredita que Ngannou seja “o homem mais perigoso do planeta” e quer ajudar a mostrar isso não apenas para o lutador, mas para os fãs que acompanham o esporte.

Em uma movimentação que chamou atenção, Ngannou encerrou a parceria com a PFL ainda no começo deste ano. E, como o MVP está entrando no MMA pela primeira vez com o card que traz Rousey vs. Carano, permanece a incógnita sobre o quanto a organização realmente pretende se envolver com o esporte.

Esse cenário, por consequência, deixa o caminho mais óbvio como possibilidade. Vale lembrar que Dana White afirmou, dois meses após a saída de Ngannou, que ele “nunca mais” estaria no UFC. Desde então, White tem comentado o assunto de forma mais dura e as tensões só aumentaram.

Mesmo com tudo isso, Nicksick não fecha a porta para uma volta ao UFC. Ele também citou que uma superluta com Jon Jones seria especialmente interessante dentro desse quadro.

“Eu não vou fechar a porta para o assunto do UFC”, disse o treinador. Para ele, pode existir até um lado romântico na esperança de que os dois consigam viabilizar um duelo com Jon Jones, para então “seguir rumo ao pôr do sol”. Ao mesmo tempo, Nicksick ponderou que só o tempo vai dizer se os envolvidos vão conseguir colocar diferenças e egos de lado.

Ele completou dizendo que não sabe em que ponto Dana White está com toda essa situação, sugerindo que a resposta precisa vir diretamente de quem conduz o cenário. Na leitura do treinador, Francis pensa como empresário: não é apenas sobre orgulho ou sobre “nunca mais lutar no UFC”. Se houver o adversário certo, a luta fizer sentido em todos os aspectos e o valor acordado for adequado, ele estaria aberto. No fim, segundo Nicksick, a decisão passa pelo que a promoção escolher.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.