Gilbert Burns admite aposentadoria após nocaute no UFC Winnipeg contra Malott

Gilbert Burns não entrou com a ideia de encerrar a carreira no evento principal do UFC Winnipeg. Depois de uma sequência de quatro derrotas e quase um ano sem lutar, o veterano peso-meio-médio encarou o camp com o objetivo de retomar o caminho das vitórias e superar o promissor Mike Malott. Só que a história não saiu como ele planejou: Burns acabou nocauteado no terceiro round e, após o revés, colocou as luvas no chão e anunciou que chegou a hora de pendurar o cartel.

A decisão sobre a aposentadoria

Antes da luta, Burns admitiu que a aposentadoria poderia acontecer a qualquer momento, mas afirmou que, para o duelo contra Malott, entrou com a mentalidade única de vencer. Quando o resultado não veio, ele entendeu que não fazia mais sentido continuar.

Em entrevista concedida no programa pós-luta do UFC Winnipeg, o brasileiro resumiu o sentimento: estava extremamente confiante na vitória e, se algo desse errado, não queria seguir adiante. Ele explicou que a questão não era por pressão de terceiros, e sim pela sensação de não conseguir entregar o máximo que deseja. Burns também mencionou a idade como um possível fator e afirmou que, apesar de ainda existir “fogo”, ele se sente “travado”, sem conseguir “soltar”.

O lutador ainda destacou que não quer permanecer apenas por um pagamento e que, se não conseguir mostrar tudo o que tem, então prefere encerrar. Ele encerrou dizendo que a vida continua e que ainda existem desafios fora do octógono que pretende enfrentar.

Trajetória no UFC e lutas marcantes

Ao longo de grande parte da carreira na organização, Burns foi uma presença constante na divisão dos pesos-meio-médios. Um dos capítulos mais relevantes aconteceu em 2021, quando disputou o cinturão contra o amigo e companheiro de equipe Kamaru Usman.

Além disso, o brasileiro também viveu uma das batalhas mais lembradas dos últimos anos ao enfrentar Khamzat Chimaev, em um confronto que ficou marcado pelo alto nível de intensidade e pela entrega dos dois lutadores.

Burns sempre reforçou que seu estilo de carreira foi baseado em encarar qualquer desafio quando ele aparece. Segundo ele, mesmo sabendo que poderia ter escolhido adversários com base em posição no ranking ou recusado lutas oferecidas, preferiu não recuar. O lutador disse se orgulhar de ter encerrado sempre “com o escudo” levantado, deixando tudo na disputa.

Por que ele não escolheu caminho mais “fácil”

No mesmo contexto, Burns relembrou que colocou a vida no esporte. Ele contou que começou no jiu-jitsu aos 12 anos e conquistou a faixa-preta em 2007. Depois, virou campeão mundial em 2010 e 2011, antes de migrar para o MMA e levar a mesma dedicação para a luta profissional.

O brasileiro também afirmou que, em tese, poderia ter selecionado adversários para manter uma posição mais alta, mas a visão dele sempre foi a de buscar o melhor nível. Ele citou que poderia, por exemplo, não aceitar lutas contra nomes como Chimaev e Stephen Thompson, ou contra atletas ranqueados bem abaixo, mas argumentou que, para ser o melhor, precisa derrotar todo mundo. Burns concluiu dizendo que tentou ao máximo e que o esporte devolveu muito do que ele entregou.

Sem arrependimentos e valorizando o que conquistou

Embora a passagem pelo UFC não tenha terminado do jeito que ele queria, Burns garantiu que não carrega arrependimento. Para ele, o MMA entregou tanto para sua família quanto para sua vida pessoal, indo além de resultados dentro do octógono.

Burns afirmou que conseguiu construir uma carreira, viver do UFC e, também, tirar seu sustento das lutas no MMA. Ele disse que teve condições financeiras para comprar sua casa, manter estabilidade, investir dinheiro e cuidar de seus filhos e de sua esposa. Com isso, declarou estar satisfeito com a trajetória.

O brasileiro reconheceu que todo atleta quer ser campeão e ocupar a primeira posição, mas sustentou que tentou o máximo, colocou a vida nessa busca e afirma que está em paz com o que viveu. Ele resumiu a própria postura dizendo que “sangra”, “soa” e que se sente contente com o percurso.

O que vem depois

Burns se aposenta com cartel geral de 22 vitórias e 10 derrotas. Com a luta finalizada, ele já revelou quais são os focos seguintes. O brasileiro pretende se envolver com gestão no MMA e também planeja abrir uma escola própria na região de South Florida, onde reside.

Além dos projetos, ele quer transmitir aos alunos as lições acumuladas durante toda a carreira — incluindo o que aconteceu no UFC Winnipeg no sábado. Mesmo deixando claro que não era o resultado que queria, Burns ressaltou que aprecia os aprendizados e que segue no modo de aprendizado, tentando ser uma pessoa melhor.

  1. Gilbert Burns chegou ao evento principal do UFC Winnipeg sem pensar em aposentadoria, mirando retomar o ritmo após uma sequência de quatro derrotas e quase um ano sem lutar.

  2. O veterano peso-meio-médio encarou o duelo contra Mike Malott com a promessa interna de que só a vitória importava, apesar de reconhecer que o fim da carreira poderia acontecer a qualquer momento.

  3. O plano não se concretizou: Burns foi derrotado por nocaute no terceiro round e, após o fim da luta, decidiu encerrar a carreira.

  4. Na fala pós-luta, ele reforçou que a confiança era alta, mas que, se não consegue entregar o máximo que acredita ter, prefere seguir em frente e direcionar energia para novos desafios.

Com o capítulo do octógono encerrado, Burns deixa o MMA com uma trajetória marcada por decisões difíceis, lutas de alto impacto e a convicção de que deu tudo o que podia, mesmo quando o resultado final não veio do jeito esperado.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.