A aposentadoria no MMA nem sempre é uma decisão tomada de última hora: muitas vezes, lutadores passam meses, ou até anos, avaliando o momento de parar. No caso de Gilbert Burns, porém, o encerramento da carreira aconteceu de forma bem diferente — e foi definido no calor do pós-luta.
Na noite de sábado, Gilbert Burns (22-10 no MMA, 15-10 no UFC) encerrou a trajetória como atleta após ser superado por Mike Malott em luta principal do UFC Fight Night 273, em Winnipeg, no Canadá. O brasileiro perdeu por nocaute técnico (TKO) e, mesmo com o fim de uma década dentro do octógono, Burns contou que não havia planejado se despedir naquele fim de semana.
“Eu estava 1.000% confiante de que ia vencer”
Questionado se já pensava em parar antes do combate, Burns afirmou que entrou na luta com confiança total e que a decisão de encerrar veio após o resultado. Em declaração à transmissão do Paramount+, ele explicou o raciocínio que tomou no momento:
“Não. Eu estava extremamente confiante de que iria sair com a vitória. Eu estava 1.000% certo de que ganharia. E eu sabia que, se algo desse errado, eu não queria continuar. Não é por causa de ninguém: é porque eu não sinto que estou entregando meu melhor, meu cem por cento. Talvez seja a idade ou qualquer outra coisa, mas eu não me sinto bem. Eu sinto que fiquei meio travado. Eu não consigo soltar”, disse Burns.
O ex-desafiante ao cinturão também detalhou por que não queria seguir apenas para manter rotina e renda.
“Se eu não conseguir vencer, se eu não conseguir mostrar tudo o que tenho, eu não quero fazer isso só por um cheque. Eu tentei colocar tudo para fora. Se não for possível, tudo bem — a gente segue em frente”, completou.
Sequência negativa após o revés e o auge do cartel
Com a derrota, Burns passou a ter sequência de cinco compromissos sem vitória, somando 0-5. A última vitória do brasileiro havia acontecido em 2023, quando ele venceu Jorge Masvidal por decisão unânime.
Apesar de não estar na melhor fase nos anos mais recentes, o lutador ainda alcançou o topo do esporte. Em 2021, Burns disputou o título dos meio-médios do UFC depois de embalar uma sequência invicta de seis lutas, que o colocou entre os principais nomes da categoria até 170 libras. Na disputa pelo cinturão, porém, ele acabou superado pelo então campeão Kamaru Usman.
Ao encerrar a carreira, Burns deixa um histórico marcado por vitórias sobre adversários de alto nível, incluindo nomes como Masvidal, Tyron Woodley, Stephen Thompson e outros atletas relevantes do circuito.
Planos após o octógono: gestão e apoio a lutadores
Depois da despedida, Burns indicou que quer seguir ligado ao esporte, mas em novos papéis. O brasileiro afirmou que pretende focar em ensinar e também em gerenciar carreiras.
“Eu ainda tenho desafios que preciso enfrentar. Eu quero virar gestor de atletas de MMA. Acho que posso fazer um ótimo trabalho, porque eu sei como construir uma carreira. Eu também quero ajudar esses caras no jiu-jitsu”, declarou Burns.
Ele ainda reforçou que não pretende abrir uma academia voltada à formação tradicional de crianças, mas destacou a intenção de impactar a vida de jovens por meio do esporte e do acompanhamento de alguém próximo.
“Eu nunca quero abrir uma academia para ensinar artes marciais para crianças, mas tenho um amigo muito próximo, Vagner Rocha, que está mudando a vida de muitos garotos — e é isso que eu quero fazer. Não é só ensinar a lutar; é mudar o futuro dessas pessoas”, afirmou.
Por fim, Burns disse que pretende abrir uma unidade em breve no sul da Flórida, além de assumir a gestão de atletas. Ele também mencionou que quer dedicar mais tempo à família.
“Em breve eu vou abrir uma academia no sul da Flórida. Vou me tornar gerente de MMA. Vou cuidar da minha família, dos meus filhos, da minha esposa”, concluiu.

