O árbitro Herb Dean voltou a defender a decisão que deu vitória por finalização ao brasileiro Adriano Moraes sobre Phumi Nkuta em luta preliminar disputada no evento que marcou Ronda Rousey vs. Gina Carano, realizado em Inglewood, na Califórnia. A polêmica gira em torno do momento em que Nkuta teria apagado: Dean afirma que a inconsciência aconteceu antes do sino do fim do terceiro round, enquanto a equipe do queniano sustenta que o combate deveria ter sido levado às cartas.
- Resultado: Adriano Moraes venceu Phumi Nkuta por finalização (finalização por estrangulamento) após decisão dos árbitros com auxílio de replay
- Método: estrangulamento pelas costas (rear-naked choke)
- Round: 3º round
- Tempo: luta foi interrompida após o fim do round, com a equipe arbitral analisando o momento do apagamento
- Categoria de peso: preliminar do card principal (categoria não informada na fonte)
- Local: Inglewood, Califórnia
- Cartel dos lutadores: não informado na fonte
A polêmica no fim do terceiro round
No sábado passado, Moraes e Nkuta se enfrentaram em uma luta preliminar do card Ronda Rousey vs. Gina Carano, em Inglewood. Ao término do terceiro round, Moraes conseguiu encaixar um estrangulamento rear-naked choke nas costas de Nkuta. Herb Dean, que estava no comando do combate, não interrompeu imediatamente a ação quando o aperto foi consolidado.
Segundo o relato do árbitro, Nkuta acabou desabando no chão logo após o fim do tempo, quando Dean finalmente puxou Moraes para fora do controle. Em seguida, o árbitro e os oficiais que acompanhavam a luta recorreram ao replay instantâneo para verificar se Nkuta estava inconsciente antes do sino. A conclusão do grupo foi pela vitória de Moraes por finalização, em uma decisão considerada controversa por parte do lado de Nkuta.
Herb Dean explica por que acredita que a decisão foi correta
De forma direta, Dean sustenta que acertou ao marcar o término da luta daquela maneira. Ele afirma estar convencido de que o momento de apagamento ocorreu antes do sino e justifica a avaliação com base em detalhes técnicos do controle, especialmente na forma como o lutador estava segurando o estrangulamento.
O árbitro descreveu que viu o encaixe do rear-naked choke e que o controle parecia estar em fase decisiva bem no final. Dean ressaltou que, no instante em que decidiu parar o combate, houve uma fração de segundo em que ele ainda não tinha certeza absoluta do timing, o que o levou a revisar as imagens.
Para explicar como pensa durante esse tipo de finalização, Dean detalhou que sua atenção muda conforme o momento da interrupção se aproxima. Em situações nas quais existe a possibilidade de alguém apagar por rear-naked choke, ele procura pistas no corpo — e não no rosto — porque mãos e pernas costumam revelar mais cedo quando o atleta não está mais respondendo. Porém, quando chega o momento de encerrar a luta, ele passa a observar especificamente as mãos, tentando entender quais pegadas estão sendo sustentadas e se o lutador está soltando de forma imediata.
“Por isso minha atenção acabou mudando para as mãos”, afirmou Dean, explicando que, embora tivesse percebido o que o corpo de Nkuta fez, não estava focado naquele aspecto naquele momento. Como existiu tempo para conferir com o replay, ele buscou confirmar quando exatamente os eventos aconteceram em relação ao sino.
Na visão de Dean, o replay mostra que Nkuta ficou inconsciente antes do campainha, praticamente uma fração de segundo antes do sino final. Depois disso, o árbitro decidiu parar o combate, relatando que Moraes ainda tentou manter o controle por um instante, soltou e então o tempo foi utilizado para que a equipe arbitral pudesse analisar a situação.
O fato de Moraes não soltar imediatamente deixou tudo mais confuso
Outra camada da confusão, segundo o próprio Dean, foi o comportamento de Moraes no pós-sino. Mesmo após a intervenção do árbitro depois do último soar, o brasileiro continuou apertando por um breve momento antes de liberar totalmente o controle. Dean reconheceu que isso torna a análise do timing ainda mais difícil e poderia ter conduzido a uma abordagem diferente.
Ao comentar o cenário, ele afirmou que a situação ficou mais complicada justamente pelo aspecto temporal. Ainda assim, Dean argumenta que, naquele ponto, não seria algo “grave” o suficiente para desclassificar Moraes. Ele também citou a natureza do esporte: cada luta é a mais importante da carreira, e o atleta tem segundos para encaixar um controle decisivo. De acordo com o árbitro, em algumas ocasiões a percepção de que o combate terminou pode demorar um pouco, principalmente quando a finalização é conquistada no limite do tempo.
Dean também contou que conversou após o confronto com Andy Foster, diretor executivo da comissão atlética da Califórnia, e com John McCarthy, outro árbitro. Ele diz que existiram várias opções de encaminhamento para o caso, incluindo a alternativa de simplesmente seguir para as cartas, já que Moraes teria segurado o estrangulamento por uma fração de segundo e isso teria tornado o momento “mais nebuloso”.
Mesmo considerando essas possibilidades, Dean reforça que buscou o resultado correto e acredita que a decisão final foi a mais justa com base no que foi observado no replay, garantindo que a inconsistência ocorreu antes do sino.
Equipe de Nkuta avalia recurso e defende que a luta deveria ir às cartas
Do outro lado, Nkuta não concordou com o desfecho. Pouco após o combate, o time do lutador informou a intenção de entrar com recurso perante a comissão atlética. O argumento é que Nkuta não estaria apagado no momento considerado pelos árbitros e, por isso, o duelo deveria ter sido encerrado apenas pelo fim do tempo, levando a decisão para as cartas.
Esse ponto é relevante porque, de acordo com as anotações dos juízes, se o combate não tivesse sido interrompido, Nkuta venceria por decisão. Ainda assim, Herb Dean afirma que não tem dúvidas sobre sua leitura da situação naquela noite e, mesmo assim, declara apoio ao direito do lutador de buscar as vias legais disponíveis.
Dean encerrou reforçando que, caso a equipe entenda que deve recorrer, é um direito que deve ser exercido. Ele também disse que ainda não sabe como atuará no desenrolar do processo e que aguardará orientação da comissão sobre se será necessário fornecer algum tipo de informação.

