Foi uma noite complicada para Jasmine Jasudavicius, que precisou de sangue-frio, ajustes táticos e muita disciplina para conquistar uma vitória no UFC Winnipeg diante de Karine Silva. Ao final do duelo, os jurados apontaram resultados idênticos em todas as avaliações: 29-28, garantindo o triunfo por decisão unânime para a atleta canadense. Só que o desfecho pode não estar completamente encerrado, já que imagens divulgadas entre os rounds sugerem um detalhe que, se confirmado, pode levar à revisão do resultado pela Comissão de Esportes Combativos de Manitoba.
As imagens parecem mostrar Jasudavicius usando um sachê de nicotina da marca Zyn na boca durante a luta. Pelo entendimento das Regras Unificadas do MMA, trata-se de algo praticamente certo como proibido, especialmente porque, embora não exista uma regra específica escrita para “não mascar” ou “não manter” um produto específico enquanto o combate acontece, há dispositivos regulatórios amplos que determinam que o atleta não pode ter qualquer substância ou item que não seja água durante a disputa. Se o Zyn for tratado como um recurso que pode melhorar desempenho — seja por efeito fisiológico, estímulo ou alteração de percepção — a pergunta passa a ser inevitável: o que acontece agora com o resultado e com a situação da lutadora?
O tema não é exatamente novo dentro do ambiente do UFC. Há atletas que utilizam sachês de nicotina e fazem disso parte da rotina fora do octógono. Alex Pereira, por exemplo, é um dos nomes mais associados ao uso desse tipo de produto, com registros em redes sociais mostrando que ele consome Zyn com frequência, inclusive até momentos imediatamente antes de entrar na área de luta. O ponto é que, fora do combate, esse tipo de prática pode ser considerada legal no contexto do vestiário. Dentro do octógono, porém, as regras mudam e a linha é mais rígida.
Jasudavicius também não seria a primeira lutadora a se ver envolvida em uma polêmica do tipo durante uma luta. Em um passado mais distante, o ex-campeão dos meio-leves Benson Henderson tinha o hábito de lutar com um palito de dente na boca. A peculiaridade chamou atenção quando, após uma apresentação em Seattle, imagens mostraram o que ele fazia durante o combate. Na época, o órgão regulador local tratou o caso com pouca profundidade, adotando uma postura de “não vamos investigar”, apoiada no argumento de que não havia uma regra específica cobrindo exatamente a presença de um palito durante o duelo.
A declaração oficial foi clara: “não vamos investigar”, e também que “não há regras que abordem um palito”. Com isso, fica a dúvida de como Manitoba vai conduzir a situação de Jasudavicius. A explicação pode ser interpretada de maneiras diferentes — desde um mal-entendido até algo que, na prática, não deveria estar permitido —, mas, por enquanto, o cenário permanece em aberto. Resta aguardar para saber se a comissão será tão tolerante quanto foi no caso anterior, ou se a instituição vai enxergar as imagens como evidência suficiente para uma mudança no desfecho do combate.

