Jasmine Jasudavicius volta ao octógono em Winnipeg para encarar Karine Silva

A lutadora Jasmine Jasudavicius tem uma frase do lendário técnico Cus D’Amato como “papel de parede” no celular desde o início de sua trajetória no MMA. Em meio à preparação para seu retorno neste fim de semana, em Winnipeg, contra Karine Silva, a atleta voltou a compartilhar a mensagem em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram.

“Quando duas pessoas entram no ringue, só uma vai merecer sair vitoriosa. Ao entrar, você tem que ter certeza de que merece vencer. Você precisa acreditar que o destino te deve uma vitória, porque treinou mais do que a adversária. Você sparrou mais forte. Você correu mais longe.”

O que a filosofia de D’Amato representa para Jasmine

Jasudavicius, que representa a Niagara Top Team, afirmou que a citação acompanha sua rotina de forma constante. Ela explicou que mantém a frase como referência diária e que acredita no processo como caminho mais seguro para colher resultados.

“Isso sempre esteve presente ao longo da minha carreira. A frase ficou no fundo do meu celular desde o começo, eu nunca troquei… É algo que eu realmente acredito: você coloca todo o esforço no trabalho e nos resultados, deixa as coisas acontecerem e depois vai entendendo. No fim das contas, independentemente do cenário, eu sinto que estou tão preparada quanto eu acredito que posso estar. Existe sempre uma chance — e uma das coisas legais das artes marciais é que, às vezes, alguém está perdendo e, do nada, a história muda (e a pessoa acaba perdendo). Sempre existe a chance de um golpe decisivo, sempre existe imprevisibilidade, e é isso que torna o MMA tão emocionante”, disse ela.

A brasileira de origem canadense ainda completou que a forma como encara o combate passa por aceitar o que vier, desde que ela tenha feito a parte dela durante o camp.

“Mas, desde que eu me prepare da melhor maneira possível, eu consigo entrar na luta leve, sem medo do que acontecer. Eu aceito o que vier.”

A derrota na carreira e o caminho de volta

Essa convicção, segundo a própria lutadora, ajudou a atravessar os últimos meses, marcados por uma lembrança amarga: a derrota que interrompeu uma sequência recente de vitórias.

No mês de outubro passado, Jasudavicius, ex-participante do reality de desenvolvimento do UFC, levou uma série de cinco triunfos consecutivos para um duelo na programação principal contra a desafiante ao cinturão Manon Fiorot, em Vancouver. Pouco mais de um minuto após o início, a luta terminou e a sequência de vitórias chegou ao fim.

“Primeiro de tudo: é uma droga”, comentou Jasudavicius. “Mas eu amo essa vida, eu amo esse esporte, eu amo artes marciais. Eu gosto de competir, de me testar contra as melhores mulheres do mundo, então isso não vai ser tirado de mim. Claro que o resultado é (bufando em tom de reclamação)… Eu não faço MMA desde criança como muita gente. Às vezes, você precisa aprender lições difíceis com meu pai e com a minha mãe — e com meus amigos e familiares também.”

Ela garantiu que a postura após a derrota é de retorno ainda mais forte.

“Mas eu tenho coragem para fazer isso e voltar ao trabalho. Uma derrota, você sempre volta melhor do que quando ganhou. Eu estou aprendendo esse processo e quero colocar essa derrota para fora de mim”, afirmou.

“Me coloca de volta”: a pressa para retornar

Jasudavicius também detalhou como foi o impulso imediato para voltar a lutar. Mesmo com a frustração recente, ela disse que fez questão de pedir rapidez para ser recolocada no card.

“Naquela noite, eu liguei para o meu gerente e falei: ‘Me coloca de volta! Não importa com quem seja!’”, contou.

Apesar de o reencontro com o octógono ter demorado um pouco mais do que ela gostaria, a chance de enfrentar Karine Silva finalmente apareceu e foi prontamente aceita.

A chegada de Karine Silva e a expectativa por um confronto animado

Karine Silva chega a Winnipeg em uma posição semelhante à de Jasudavicius no momento: ambas atravessam um período de busca por retomada. Jasudavicius destacou que a adversária também vem do mesmo ciclo do programa de revelação do UFC, tendo se formado no Contender Series na mesma temporada. Além disso, a brasileira fechou 2025 com um resultado frustrante e quer reorganizar o rumo da carreira.

Ao ser questionada sobre o duelo ainda durante a construção do evento, Jasudavicius demonstrou empolgação com a combinação de estilos e ampliou a análise em uma conversa mais recente, na terça-feira.

“Ela não vai ficar correndo”, disse Jasudavicius. “Eu gosto de alguém que vai para frente, que quer se envolver na luta, e ela definitivamente faz isso… Ela pressiona e avança em todos os combates, então, no aspecto estilístico, eu acho que vai ser uma luta bem divertida.”

UFC no Canadá: a importância do palco para Jasmine

Além de voltar ao octógono, Jasudavicius apontou que tem um motivo extra para estar motivada: lutar em solo canadense. A atleta, natural de St. Catharines, na província de Ontário, disse que cada oportunidade no país representa muito para ela.

“É a minha casa. Ter o Mike como luta principal, eu algumas lutas antes dele… estar no nosso país, representando a gente, representando os lutadores que somos, isso tem um significado enorme”, afirmou. “É importante para mim representar o Canadá e lutar da melhor forma possível.”

No sábado, este será o sexto compromisso da Jasudavicius atuando no UFC em território canadense. Mais uma vez, ela terá perto de si o companheiro de equipe Mike Malott, que vai encabeçar o card em um duelo contra Gilbert Burns, além de vários outros nomes do país presentes na programação.

O recado de 2026: voltar com impacto na divisão

Depois de um fim de campanha frustrante em 2025 e com a ansiedade para retomar a rotina de treinamentos e competições, Jasudavicius chega ao começo de 2026 com a intenção de transformar o retorno em um salto de carreira. A ideia é usar o combate para se recolocar diretamente na briga do peso mosca.

“Eu vou lá e vou finalizar ela, pô!” declarou Jasudavicius ao ser perguntada como seria, para ela, um resultado de sucesso no sábado. “Quero que todo mundo veja que eu mereço essa posição de número 1 — e um dia eu vou ser a número 1 do mundo.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.