Jeremy Stephens mira redenção no UFC 328 e quer afiar o retorno no octógono

Jeremy Stephens chega ao UFC 328 com a missão de provar que ainda tem valor dentro do octógono — e, principalmente, de não deixar a terceira passagem pela organização virar “apenas mais uma tentativa”. Aos 38 anos, o veterano encara King Green em Newark, após retornar à liga em maio, sofrer uma derrota em um duelo pontual contra Mason Jones e, mesmo assim, manter o sonho do UFC como prioridade máxima.

Terceira passagem, derrota recente e o que esse retorno diz sobre o momento do veterano

Stephens é um dos nomes mais experientes do elenco do UFC, com cartel de 29-22 na carreira e retrospecto de 15-19 dentro da organização. Ele ficou quase quatro anos afastado do evento e voltou em maio para uma luta rara, de caráter “casado”, contra Mason Jones — e saiu derrotado.

Mesmo com esse resultado, o lutador não escondeu a insatisfação com o desfecho. Ainda assim, o cenário não ficou parado: em outubro, ele voltou a competir pelo BKFC, enfrentando Mike Perry.

O ponto central, porém, é que Stephens seguiu com a cabeça voltada ao UFC. A leitura que ele faz do próprio caminho é de insistência: em vez de aceitar o “vai e vem” como algo definitivo, ele buscou uma nova chance depois do compromisso contra Jones.

Foi nesse contexto que o veterano repetiu a estratégia que, segundo ele, funcionou para conseguir o duelo com Mason Jones. Stephens entrou em contato com o CEO da organização, Dana White, pedindo uma oportunidade novamente. A resposta veio, e agora ele terá pela frente King Green no UFC 328, no Prudential Center, em Newark.

Motivação, mentalidade e como o histórico inspira Stephens na reta final da carreira

Na coletiva de imprensa pré-luta desta quarta-feira, Stephens foi direto ao tratar o UFC como realização pessoal. Ele afirmou que acompanha o esporte desde a infância, com uma referência familiar marcante, e que voltar ao evento depois de ter a chance interrompida lhe trouxe um sentimento que ele descreveu como indescritível.

O lutador também detalhou de onde vem a confiança que ele diz carregar para o fim de carreira. Para ele, a inspiração vem do percurso do falecido Anthony Johnson (que atuou no UFC em diferentes fases, saindo e depois retornando para eventualmente chegar a uma disputa de cinturão). Stephens afirmou que observa esse tipo de trajetória como prova de que dá para reconstruir a rota, inclusive quando o caminho parece ter sido “fechado”.

Na visão do atleta, o UFC também foi a plataforma que ajudou a construir o nome dele e o que o levou a criar algo a partir do que começou. Ele contrapôs isso ao destino de outros lutadores que, segundo ele, são dispensados e acabam se acomodando: muitos encerram cedo a carreira, perdem o foco mental ou até abandonam a rotina competitiva.

Stephens reforçou ainda sua preferência por manter o ritmo, em vez de se “sentar” nas chances. Perto dos 40, ele reconhece que o tempo é curto, então tenta aproveitar ao máximo as oportunidades que aparecem.

O que esperar de Stephens contra King Green: estilo, próximos passos e impacto no cartel

Stephens descreveu a própria entrega como algo movido por paixão e pelo desejo de causar dano dentro do octógono. Ele comentou que, ao longo da carreira, sempre trabalhou lutando com frequência — e citou que, ao mesmo tempo em que busca manter o corpo ativo, também valoriza o lado financeiro e a capacidade de sustentar a família.

O veterano ainda deixou claro que seu repertório segue vivo. Ele destacou que gosta de nocautear, de criar finalizações e de produzir momentos de impacto — e citou elementos do seu jogo que fazem parte da identidade dele, incluindo joelhadas em voo, golpes com giro, finalizações no chão e pancada pesada. Stephens também mencionou que, apesar de não ter “mão direita”, compensa com outras ferramentas, como chutes de impacto, esquerda e pressão com golpes variados, além de destacar lutas “sangrentas” em um contexto histórico.

Em termos de próxima etapa, o recado é que ele não quer esperar: quer estar em ação e quer somar mais um capítulo competitivo contra King Green no UFC 328. Para o ranqueamento e a continuidade no cartel do veterano, uma vitória tende a abrir espaço para novas conversas dentro do elenco — especialmente porque Stephens se coloca como alguém que ainda consegue vencer e gerar atenção, mesmo após a derrota recente para Mason Jones.

Já para King Green, o encontro funciona como um teste de resistência e de capacidade de lidar com um lutador que chega com fome de combate, mentalidade antiga e vontade declarada de “não ficar parado”. O peso desse momento fica ainda mais evidente pelo fato de Stephens ter buscado outra oportunidade depois de já ter retornado e perdido — ou seja, a luta no Prudential Center tem uma carga emocional e esportiva direta para os dois lados.

  • Combate: Jeremy Stephens x King Green
  • Evento: UFC 328
  • Local: Prudential Center, em Newark

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.