Joshua Van aceita desfecho esquisito e mira revanche contra Pantoja no UFC

Joshua Van já seguiu em frente após a forma pouco comum como conquistou o cinturão dos moscas na organização. Em dezembro, uma lesão fora do roteiro interrompeu a luta contra Alexandre Pantoja e, dessa maneira, Van terminou oficialmente com o título — mesmo que o cenário não tenha permitido o tipo de finalização que ele gostaria. Agora, o foco do norte-americano é outro: a primeira defesa de cinturão, diante de Tatsuro Taira, no coevento principal do UFC 328, marcado para sábado.

Consciente de que a história começou de um jeito diferente, Van não pretende gastar energia tentando justificar a própria campanha. Ele também deixa claro que espera reencontrar Pantoja mais à frente, mas afirma que, neste momento, não quer olhar para o passado nem para “o que vem depois”.

“Isso ficou para trás. Agora eu só penso no Taira. Como eu disse, a gente vai fazer a revanche contra o Pantoja depois desta luta. Eu não penso nisso agora”, declarou Van.

Antecedentes

Van entende que Pantoja tem direito a uma nova chance quando estiver novamente apto para competir. A leitura do campeão é que, apesar de ter sido o beneficiado pelo desfecho incomum, o brasileiro viveu um ciclo consistente no topo da divisão e merece uma oportunidade de recuperar o posto quando a hora chegar. Com a informação de que Pantoja teria sido liberado para retornar, a questão passa a ser apenas o cronograma do próximo confronto pelo cinturão.

“É verdade. O Pantoja mereceu a revanche. Ele dominou a categoria. Faz sentido darem a ele a rematch. Eu realmente espero que a gente consiga fazer o reencontro”, completou Van.

Ao mesmo tempo, o campeão reforça que não pretende transformar esse debate em distração enquanto ainda nem estreou a defesa do cinturão. Antes de qualquer conversa sobre revanche, existe um adversário que tenta tirar o título na hora em que Van deveria estar aproveitando o momento de campeão.

O duelo contra Taira foi construído depois de mudanças de calendário. Inicialmente, Van buscou uma data mais adiantada e chegou a pensar na possibilidade de lutar já em fevereiro. Naquele período, o UFC apresentou ao atleta dois nomes como opções: Tatsuro Taira e Manel Kape.

No fim, Taira acabou ficando com a luta — mas o caminho até o acerto levou tempo.

“Quando eles me chamaram com duas semanas de aviso, falaram Taira ou Manel e eu disse Manel. Não foi. Depois, para 7 de março, falaram para fazer e eu disse sim. Os dois disseram não, eu acho. Aí agora o UFC chegou e falou: você luta contra o Tatsuro e pronto”, contou Van.

Van explicou também como a escolha por um nome específico mudou conforme o andamento das negociações.

“Eu vou lutar contra qualquer um deles. Eu só queria o primeiro que aparecesse. Eu escolhi o Manel porque ele me chamou e eu queria fazer aquele combate. Mas agora eu tenho o Tatsuro para me preocupar. Depois, quem o UFC determinar”, afirmou.

Apesar de existir uma tensão recente entre Van e Manel Kape, o duelo por título não teria o mesmo tom de rivalidade com Taira. Entre Van e Kape, houve atrito nas redes sociais, com discussões envolvendo datas e propostas para a luta valendo o cinturão. Já com o japonês, o campeão diz que não viu animosidade: nas semanas anteriores ao UFC 328, Taira teria se mantido respeitoso.

Mesmo assim, Van ressalta que uma rivalidade intensa nem sempre resulta em uma luta melhor. Ele cita exemplos recentes para explicar que o mais importante é a dinâmica dentro do octógono.

“Claro que quando a gente fala provocações, isso anima o público. Mas no fim, olha o combate do Manel contra Muhammad Mokaev. Eu não quero acabar assim”, disse.

A luta

Van afirma que ouviu a narrativa de que o duelo será um “clássico” encontro entre trocador e grappler, mas diz que não está treinando como se Taira tivesse como plano único derrubar. Pelo estilo do adversário, Van enxerga que Taira é um dos grapplers mais fortes da categoria, e ele até admite que aceita a tentativa de levar o combate para o chão — desde que, no fim, o resultado não seja o que o desafiante espera.

“O Tatsuro é um cara completo. Ele não é só grappler mais. Ele já tem um pouco de trocação, então isso me anima. Eu quero me testar contra o Tatsuro. Ele está em ascensão, tem a minha idade, e eu realmente quero medir forças com um lutador desse nível”, afirmou Van.

O campeão também destaca que, para Taira trabalhar o chão como ele precisa, há um pré-requisito: o desafiante tem que tentar as quedas e levar o combate para baixo. Van coloca a responsabilidade do plano no adversário, enquanto ele tenta estudar e encontrar o tempo certo para responder.

“Muita gente tenta derrubar ele em mim e você sabe o que acontece. Como eu disse, para ele fazer o trabalho no chão, ele precisa ir para cima e buscar a queda. Isso é com ele. Do meu lado, eu acho que ele precisa me entender. Vai ser quem entender o outro primeiro. Eu sinto que ele é inteligente, ele vai fazer as coisas no tempo dele, e eu vou fazer no meu. Aí, quando eu pegar meu timing, a gente vai do jeito que tiver que ir”, concluiu Van.

O pós-luta

Mesmo sem entrar em detalhes sobre cenários futuros enquanto a defesa ainda não acontece, Van reforça a expectativa de que Pantoja seja reencontrado em algum momento. Para ele, a conversa sobre revanche é um assunto para depois do UFC 328, já que o próximo compromisso é tudo o que importa no momento.

“A gente faz a revanche com o Pantoja depois desta luta. Agora é o Taira”, reiterou Van, deixando claro que a prioridade imediata é impedir a mudança de dono do cinturão dos moscas no sábado.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.