Josh Hokit muda o discurso e fala sério antes do UFC Freedom 250

Josh Hokit, que virou assunto entre os fãs do UFC após estrear no Dana White’s Contender Series em agosto passado, agora aparece com outra postura em entrevistas. Antes, ele chamava atenção com as personas “The Incredible Hok” e “Down Vato” diante das câmeras; desta vez, porém, a conversa foi sobre o atleta Josh Hokit, sem firulas.

Em entrevista ao programa MMA Junkie Radio às vésperas do UFC Freedom 250, o norte-americano falou como um lutador em ascensão — e não como um personagem. Hokit é ex-atleta ligado ao futebol americano: foi contratado pelo San Francisco 49ers como agente livre não selecionado em 2020, mas nunca chegou a atuar em um jogo oficial. Hoje, ele segue invicto no peso-pesado do UFC.

O caminho até o UFC Freedom 250

  • Hokit conquistou o contrato no Dana White’s Contender Series em agosto (ano não especificado).
  • Ele era atleta em desenvolvimento na LFA, e agora encara o UFC.
  • No dia 14 de junho, enfrenta Derrick Lewis no South Lawn da Casa Branca no UFC Freedom 250.
  • O confronto acontece a pedido do presidente Donald Trump, segundo a narrativa do lutador.

O período de transição de Hokit ao MMA começou a ganhar forma após ele disputar a LFA. Agora, apenas “treze meses” depois de estar nesse circuito, ele se prepara para um dos palcos mais simbólicos possíveis: o UFC Freedom 250, marcado para 14 de junho, no South Lawn da Casa Branca.

Questionado sobre o próprio desempenho como novato, Hokit adotou uma comparação direta com corridas de estreia e bônus. Ele afirmou que, ao olhar para a trajetória, a sequência de lutas e premiações o coloca entre os melhores começos já vistos na história do UFC.

“Pense em três lutas, quatro bônus? Eu não sei quem teve uma estreia de novato melhor na história do UFC”, disse Hokit. “Todo mundo fala do Brock Lesnar, mas ele já tinha o nome e meio que passou na frente. Mas saindo do zero total, acho que minha sequência está aí entre as melhores — não sei nem com quem eu conseguiria comparar. Três lutas, quatro bônus… poxa.”

Campanha inicial no UFC e impacto imediato

  • Nas três lutas no UFC, Hokit finalizou Max Gimenis e Denzel Freeman com TKO.
  • Na sequência, venceu Curtis Blaydes em uma decisão unânime no UFC 327.
  • O triunfo sobre Blaydes foi classificado como “Fight of the Night”.
  • Após essa vitória, Trump teria dito a Dana White que queria Hokit no card.

Até aqui, a campanha de Hokit no UFC foi marcada por três apresentações: ele obteve TKO diante de Max Gimenis e Denzel Freeman antes de encarar o desafio mais duro da fase. No UFC 327, ele construiu uma virada importante e levou a melhor sobre Curtis Blaydes em decisão unânime, em um combate que ficou conhecido como uma das lutas da noite.

De acordo com o próprio contexto apresentado por Hokit, foi justamente depois dessa vitória que Donald Trump teria conversado com Dana White para pedir que ele fosse incluído em um card. Assim, o lutador passou a ser tratado como uma aposta crescente não só pelo desempenho no octógono, mas também pelo momento de exposição.

Personagens, mídia e foco em atenção

  • O início de Hokit no UFC foi impressionante, mas ficou ofuscado pelas personas “Incredible Hok” e “Down Vato”.
  • Mesmo assim, as personagens geram reação em parte do público e chegaram a aparecer em conferência do UFC Freedom 250.
  • Ele diz que a prioridade não é ser “curtido”, e sim que as pessoas prestem atenção.

Apesar da força dentro do octógono, a ascensão de Hokit também foi relativizada por conta do compromisso com aquelas personagens que muita gente não leva a sério. Mesmo assim, elas continuam chamando atenção — e, segundo a narrativa do lutador, até personalidades como Ilia Topuria teriam se envolvido no clima durante a conferência de imprensa do UFC Freedom 250 do mês passado.

Para Hokit, o ponto central é simples: seja conectando com o público ou não, o que importa é gerar atenção e manter o nome em evidência. Ele reforçou que não tenta agradar todo mundo e ainda admite que prefere se “desconectar”.

“Conectar ou desconectar. Eu acho que estou do lado da desconexão. Eu realmente me desconecto com os fãs”, declarou Hokit. “É uma escolha interessante de palavras. É algo da natureza humana querer se conectar. As pessoas nem querem ir para o outro lado. Eu não me importo tanto, desde que (o UFC) esteja me oferecendo certas lutas e me pagando um valor certo. Todo mundo pode me odiar, tanto faz. Só quero o dinheiro. Um dia eu não vou mais incomodar ninguém — vou estar num lago, num barco, sem incomodar. Até lá, vou ficar realmente desconectando das pessoas.”

Na sequência, ele argumentou que novos lutadores talvez precisem mudar a mentalidade e parar de se preocupar em parecer “legal” ou “querido”. Hokit disse que vê atletas muito populares e, naturalmente, o desejo de imitar esses estilos aparece — citando nomes como Conor McGregor e Chael Sonnen —, mas alertou que isso pode colocar expectativas irreais.

“Talvez essa seja uma mudança de mentalidade para alguns lutadores que estão começando: parar de se preocupar tanto em ser legal e ser gostado. Você vê os caras mais populares e acaba querendo ser como eles, porque eles são tipo a pessoa ‘cool’. Conor McGregor, Chael Sonnen. Só que esses caras são uma coisa fora da curva. Você entende? Você acaba elevando o nível alto demais para você mesmo. Dá para acionar outras emoções se você tiver coragem de se colocar. Você precisa estar confortável com quem você é.”

Por fim, ele colocou o foco de volta no essencial do esporte: treino pesado e vitória. “No fim das contas, o mais importante é treinar duro e vencer essas lutas. Se você não fizer isso, nada disso importa.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.