Joanderson Brito mira roteiro esperado e pensa em controle contra Leavitt no UFC Fight Night

Joanderson Brito projeta um duelo sem grandes “surpresas” contra Jordan Leavitt, no qual espera um roteiro claro: o brasileiro tenta impor ritmo e achar sua distância, enquanto o adversário deve priorizar o jogo de quedas, clinch e controle. O encontro está marcado para o card de UFC Fight Night: Muhammad vs Bonfim, neste sábado, em Las Vegas, com o confronto no peso pena.

Combinação de estilos e o que Brito espera do combate

Durante a semana de lutas, Brito descreveu Leavitt como um lutador com proposta bem definida, reforçando que o plano do americano tende a ser o mesmo: buscar aproximação constante, trabalhar para levar a luta ao chão e manter o confronto “travado” em áreas de clinch e controle. Na visão do brasileiro, isso funciona quase como um “antiplano” para o estilo tradicional de trocação, justamente para reduzir o espaço do oponente e diminuir oportunidades de ataque.

O brasileiro afirmou que a chave para o combate passa por reagir ao ritmo do adversário, defender as investidas para derrubar e, a partir disso, encontrar as janelas para contra-atacar e finalizar. Brito resumiu a batalha como uma disputa direta entre a força dele em evitar o grappling e o desejo de Leavitt de conduzir a luta para o chão.

  • Leavitt: tendência de buscar clinch, manter proximidade e trabalhar para levar a luta ao solo.
  • Brito: foco em defender as tentativas de queda, achar distância na trocação e tentar finalizar após neutralizar o controle.

Para Brito, o confronto “põe frente a frente” forças distintas: ele encara a própria defesa e capacidade de controle do espaço como o caminho para superar o plano do adversário, mesmo em um cenário em que Leavitt tente impor seu estilo de luta.

O brasileiro também reforçou que pretende jogar de forma ativa para transformar a resistência ao grappling em oportunidade de decisão no fim da luta, colocando a trocação e o ataque “de cima” como objetivo depois de conter as tentativas de levar o duelo ao solo.

Retomada de ritmo em 2026 e leitura do momento do cartel

Este compromisso será o primeiro de Joanderson Brito em 2026. Ele chega ao duelo tentando recuperar tração após um período de oscilação recente dentro do UFC. A trajetória do peso pena inclui uma estreia em que sofreu derrota para Bill Algeo, em janeiro de 2022, antes de engrenar e construir sequência de resultados positivos.

Na sequência inicial, Brito emendou cinco vitórias seguidas, adicionando ao seu cartel nomes como Andre Fili, Lucas Alexander, Westin Wilson, Jonathan Pearce e Jack Shore. Esse período ajudou a consolidar o brasileiro como um lutador capaz de vencer tanto por finalizações quanto por nocaute.

Depois, porém, o momentum sofreu um impacto. Em setembro de 2024, Brito foi superado por decisão dividida por William Gomis, em Paris, na França. Em seguida, em abril de 2025, voltou a ter a luta decidida pelos juízes, desta vez com nova derrota: decisão para Pat Sabatini.

O cenário mudou no fim do ciclo seguinte: em dezembro, Brito voltou a vencer com decisão unânime sobre Isaac Thomson, interrompendo a sequência negativa e buscando agora alcançar vitória em sequência. Ele entra no sábado com a meta de conquistar dois triunfos consecutivos pelo UFC, algo que não acontecia havia mais de dois anos.

  • Estreia no UFC: derrota para Bill Algeo (janeiro de 2022).
  • Sequência de alta: cinco vitórias seguidas, com vitórias sobre Andre Fili, Lucas Alexander, Westin Wilson, Jonathan Pearce e Jack Shore.
  • Queda de rendimento: derrota por decisão dividida para William Gomis (setembro de 2024, Paris).
  • Nova derrota: decisão para Pat Sabatini (abril de 2025).
  • Retorno ao caminho das vitórias: decisão unânime sobre Isaac Thomson (dezembro).

Mesmo com um jogo considerado bem completo, Brito destacou que sua preferência recai sobre o combate em pé. No entanto, ao ser pareado com um rival que finalizou mais da metade das próprias vitórias por finalização, ele entendeu que precisava ajustar pontos específicos — sobretudo defesa de quedas e trabalho de grappling.

Ranqueamento, cinturão e próximos passos prováveis para Brito

Com o retorno aos resultados em dezembro, Brito tenta transformar o triunfo recente em um novo ciclo de consistência. Ainda que a matéria não traga posição de ranking nem promessa direta de disputa de cinturão, o contexto é claro: voltar a vencer em sequência amplia a relevância do cartel no peso pena e reforça o caminho natural para lutas cada vez mais próximas das disputas de topo.

Ao mesmo tempo, o duelo com Leavitt funciona como uma espécie de “teste de estilo” para o brasileiro. Se ele conseguir defender o plano de grappling e, principalmente, transformar isso em finalização ou vitória por decisão com domínio do ritmo, a leitura para o ranqueamento tende a ser positiva: ele mostraria capacidade de controlar lutas contra adversários que preferem ditar o confronto no chão e no clinch.

  • Impacto no ranqueamento: vitória em sequência tende a reposicionar Brito na conversa do peso pena, especialmente por enfrentar um adversário que busca o jogo agarrado e as quedas.
  • Disputa de cinturão: não há menção direta a chance imediata, mas o resultado pode aproximar o brasileiro de lutas contra nomes mais próximos da briga principal.
  • Próximo passo provável: caso vença, a tendência é continuar escalando adversários com perfil semelhante (controle e tentativa de derrubar), buscando consolidar seu nome no topo da divisão.

Além do componente esportivo, Brito também colocou o foco em uma motivação pessoal: para o atleta de Bauru, em São Paulo, o objetivo central é vencer, manter-se na organização e garantir a estabilidade para a família. Ele afirmou que não enxerga a luta como um “recado” nas redes sociais, dizendo que sua prioridade é o trabalho dentro do octógono e a construção de resultados.

Ao detalhar o que espera do combate, Brito voltou ao roteiro que considera mais provável para o sábado: Leavitt deve tentar levar a luta para baixo, o brasileiro pretende defender essas tentativas e, então, buscar encerrar o confronto “por cima”. Dessa forma, o duelo deve funcionar como uma vitrine do confronto entre a busca do adversário por controle e a capacidade do brasileiro de interromper o plano e converter a resistência em vantagem decisiva.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.