O analista de MMA Alan Jouban acredita que Jack Della Maddalena terá de elevar o nível de suas apresentações para conseguir reagir no duelo principal do UFC Fight Night 275, quando enfrenta Carlos Prates neste sábado. A luta marca o retorno do australiano à ação depois de uma perda recente de cinturão e coloca frente a frente dois nomes em alta na divisão dos meio-médios.
O duelo principal do UFC Fight Night 275: Della Maddalena x Prates
Della Maddalena, ex-campeão peso-welter, volta ao octógono após a derrota pelo título para Islam Makhachev em novembro. Na ocasião, ele foi superado com um volume grande de controle no solo. Agora, o atleta encara Prates em uma luta programada para cinco rounds no RAC Arena, em Perth, Austrália, diante do seu público. O evento terá transmissão pelo Paramount+.
- Jack Della Maddalena: cartel 18-3 no MMA e 8-1 no UFC
- Carlos Prates: cartel 23-7 no MMA e 6-1 no UFC
- Luta: até 5 rounds (headliner)
- Local: RAC Arena, em Perth
- Transmissão: Paramount+
Como o estilo de Prates pode mudar o cenário
Jouban aponta que, embora Makhachev tenha roubado o cinturão de Della Maddalena usando principalmente o controle na luta agarrada, isso pode não se repetir no combate contra Prates. Para ele, a tendência é que o confronto traga um tipo de problema diferente para o brasileiro — ou, mais precisamente, para o lutador que tenta se impor no meio do octógono com combinações.
O analista destaca que “The Nightmare” (apelido associado ao desempenho recente do americano) vem sendo um dos nomes mais perigosos do UFC desde 2024, justamente pelo número de vitórias por nocaute. Com isso, a leitura é que Della Maddalena precisará encontrar uma solução que vai além do que funcionou em fases anteriores da carreira.
O que Alan Jouban enxerga na trocação
Se o combate realmente caminhar para um duelo de trocação, Jouban afirma que Prates apresenta vários riscos ao meio-médio. Ele comenta que Prates tem um padrão de luta que dificulta o encaixe do adversário no “intervalo” onde Della Maddalena costuma ser mais eficiente.
Segundo Jouban, o ex-campeão tem uma forma bem específica de construir ataques: ele procura trabalhar bastante o jogo de curta distância, com combinações que passam pelo jab, pelo overhand e pelo uppercut. A avaliação é que Prates não dança do mesmo jeito que os oponentes que costumam permitir esse tipo de abordagem.
Jouban descreve, ainda, como Prates consegue manter distância e, ao mesmo tempo, chegar com golpes em momentos inesperados: “Ele fica a seis pés e, quando você percebe, já está vindo uma joelhada a seis pés de altura. É muito sorrateiro, muito fluido. Se ele não deixar o Jack entrar naquele meio do alcance, pode ser uma noite difícil. Talvez a gente precise ver o Jack pressionando de verdade e se colocando em perigo”.
Ranqueamento e objetivos: quem está mais perto do título?
Na visão do analista, o contexto também pesa. Della Maddalena aparece como número 2 na atualização mais recente do ranking de meio-médio do USA TODAY Sports/MMA Junkie. O lutador, inclusive, já admitiu que provavelmente precisará de mais de uma vitória para voltar a figurar na briga direta pelo cinturão.
Do outro lado, Prates ocupa a posição número 6 e chega com confiança. A expectativa do meio-médio é simples: ele acredita estar a uma vitória de conquistar sua primeira chance por um título.
- Della Maddalena: Nº 2 no ranking de meio-médios; admite que pode precisar de múltiplas vitórias para voltar ao topo
- Carlos Prates: Nº 6 no ranking; confiante de que está a uma vitória do primeiro title shot
Por que Prates chama atenção mesmo entre os melhores
Jouban reforça que ambos pertencem ao grupo de elite da divisão, mas diz que Prates é, no momento, o nome mais interessante para ele observar antes do evento. Ele afirma que o lutador “já provou” que sua expectativa estava errada e que tem um jeito de finalizar que surpreende.
Na avaliação do analista, Prates consegue nocautear/decidir lutas com poder em um físico que, em tese, não “combina” com a força demonstrada. Jouban compara esse impacto com a ideia de “atacantes de nocaute” que, historicamente, costumam ser construídos de modo diferente — citando que esse tipo de potência, normalmente, é associado a atletas mais “pesados” em estrutura, e não a um quadro mais alto e alongado.
Ele complementa que o estilo agressivo de Prates empurra os adversários para fora do conforto, criando uma pressão quase invisível. Com isso, os oponentes acabam cometendo erros, e o brasileiro (ou, no caso, o lutador) seria muito rápido para capitalizar em cima dessas falhas. Jouban ainda lembra que existe um histórico relevante de muay-thai e kickboxing na base do atleta, algo que ele acredita que muita gente esquece.
Para ouvir mais comentários de Alan Jouban, a sugestão é acompanhar a participação completa no podcast “The Bohnfire”.

