Kayla Harrison provoca Ronda Rousey e mira grandeza antes do retorno no UFC

Kayla Harrison segue alimentando uma longa troca de provocações com Ronda Rousey antes da volta da norte-americana ao octógono, agora com foco em um compromisso marcado para 16 de maio contra Gina Carano. As duas já foram amigas e companheiras de equipe durante o período em que competiam no judô, mas a relação azedou após Harrison acusar Rousey de ter mentido sobre uma história envolvendo uma sessão de treino específica em que elas trabalhavam juntas no mesmo ambiente.

Rousey respondeu atacando Harrison de forma direta e repetidamente passou a chamá-la de “bitch”, ao mesmo tempo em que destacava o tamanho e a escala do seu retorno diante de Carano. No discurso, ela também reforçou a questão financeira, afirmando que vai receber um grande pagamento apesar de, segundo ela, a campeã vigente do UFC no peso-mosca feminino ter ficado “com menos dinheiro do que eu tinha há 10 anos”.

Em contrapartida, Harrison acredita que a irritação de Rousey tem como base ciúme e inveja pelo fato de outra atleta ter ocupado o espaço de principal nome do MMA feminino no UFC. Durante o programa de pré-luta do UFC Vegas 116, Harrison foi além ao sugerir que poderia ser ainda mais agressiva nas declarações.

“Vou só dizer que eu poderia ser mais maldosa. Eu acho que seria muito difícil, eu nem consigo imaginar como seria para alguém entrar e superar tudo o que eu já fiz. Isso seria duro. Eu entendo. Imagina odiar alguém e a pessoa estar ali, no quintal, cuidando de galinhas. Deve ser complicado”, declarou Harrison.

Um dos argumentos que Rousey vem repetindo como parte do seu retorno é a expectativa de audiência para o duelo contra Carano. Como a luta será transmitida pela Netflix, para um público de mais de 325 milhões de assinantes, existe a possibilidade de Rousey vs. Carano figurar entre os eventos mais assistidos de todos os tempos.

Apesar do potencial de grande público, Harrison enxerga diferenças claras entre um combate que pode chamar muita gente e o confronto que ela planeja disputar contra Amanda Nunes, luta que, em tese, poderia coroar a maior lutadora feminina da história do esporte. Harrison também apontou que o incômodo de Rousey não seria apenas sobre o momento, mas sobre o contexto que envolve as trajetórias recentes de cada uma.

“A parte que mais me incomoda na Ronda é que, em algum momento, ela foi uma atleta de verdade. Ela treinava para as Olimpíadas. Ela é medalhista olímpica no bronze. Depois virou campeã do UFC. Ela estava realmente atrás da grandeza. Eu jamais vou tirar o mérito de que a Ronda provavelmente foi a lutadora feminina mais importante. Se não fosse por ela, com certeza eu não estaria onde estou. Eu não teria emprego. Mas essa luta não é a maior luta de todos os tempos”, disse Harrison.

“É entre alguém que não luta há 10 anos e vem de duas derrotas por nocaute, e outra mulher — de novo, uma lenda, uma pioneira — mas que também não luta há 17 anos e está na casa dos 40. Não chama isso de a maior luta de todos os tempos. Eu estou atrás da grandeza. Você está atrás do dinheiro. A gente é diferente”, completou.

Enquanto Rousey se prepara para encarar Carano em maio, Harrison ainda está em fase de recuperação de uma cirurgia no pescoço. O procedimento acabou atrasando o compromisso que ela teria contra Amanda Nunes, originalmente planejado para o UFC 324, em janeiro.

Por enquanto, a perspectiva é positiva para Harrison: de acordo com o que se comenta, ela está se recuperando bem e deve voltar a competir antes do fim de 2026.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.