Khamzat muda de categoria e Rountree alerta: divisão do meio-pesado em risco

O peso-médio Khazmat Chimaev caminha para a primeira defesa de cinturão na próxima semana, quando encara Sean Strickland no combate principal do UFC 328. E, enquanto se prepara para o compromisso, o campeão tem intensificado o trabalho na academia com um parceiro de treino de longa data na categoria acima, o veterano Khalil Rountree Jr., ex-desafiante ao título dos meio-pesados. Após meses de sessões conjuntas no tatame e no octógono de treino, Rountree deixou claro que ficou impressionado com o nível de “Borz” — e que, caso Chimaev decida mesmo subir para os 205 libras, a divisão pode sofrer.

“É exaustivo, difícil e humilhante”: o que Rountree viu no treino com Chimaev

Rountree foi questionado sobre a parceria de treino durante uma coletiva com a imprensa na quinta-feira e, de cara, descreveu o impacto físico e mental das trocas com o campeão. Para ele, a experiência é “exaustiva”, “difícil” e até “humilhante”, mas ao mesmo tempo serve de inspiração por evidenciar esforço, vontade e capacidade técnica acima do normal.

“É definitivamente exaustivo. É cansativo, é difícil e, de certa forma, é humilhante. Ao mesmo tempo, é inspirador, porque o empenho, a vontade e a habilidade dele são incomparáveis. Quando você enfrenta alguém desse nível, dá para perceber várias coisas — e acaba aprendendo muito quando realmente se coloca contra o que há de melhor no mundo”, disse o lutador.

Ao falar em “o melhor do mundo”, Rountree deixou implícito que não se trata apenas de uma boa fase ou de um conjunto pontual de características. Ele enxerga Chimaev como um atleta capaz de impor dificuldades em qualquer cenário, inclusive no aspecto de trocação e no jogo de chão.

Subir para o meio-pesado assusta: “a gente fica bem complicado”

Com Chimaev já comentando a possibilidade de migrar para a divisão dos meio-pesados em busca de um segundo cinturão, Rountree foi direto: sua reação inicial foi de frustração ao imaginar um adversário com o perfil de Chimaev chegando ao topo dos 205. Ele afirmou que, ao ouvir a notícia, ficou “um pouco chateado”, justamente por saber que um atleta do calibre do campeão poderia virar um confronto em potencial para qualquer um na categoria.

“Quando eu primeiro ouvi a notícia, eu pensei: ‘poxa, que chato’. Só de saber que um cara como Khamzat viria para a divisão e poderia ser uma possibilidade de luta, não me deixa feliz imaginar isso”, afirmou.

O ex-desafiante ao título dos meio-pesados reforçou que a impressão vem das próprias sessões de treino. Segundo ele, enfrentar Chimaev é difícil em “todas as áreas”, tanto em pé quanto no grappling, e que não existe “round fácil” contra o campeão, independentemente de peso ou tamanho.

“Eu acabei de te explicar como é treinar com esse cara: ele é o melhor do mundo. É difícil. Difícil em pé e difícil no chão. Ninguém tem um round fácil contra o Khamzat. Não importa a categoria, não importa o tamanho. Então a minha primeira reação foi tipo: ‘caramba… se ele subir, a gente fica bem screwed, bem complicado’. É desse jeito que eu vejo”, completou.

Rountree avalia os tops: não é “varredura”, mas o desafio no topo fica pesado

Rountree também analisou como a chegada de Chimaev poderia afetar a divisão dos meio-pesados em termos competitivos. Ele rejeitou a ideia de que seria uma simples limpeza de adversários, mas sustentou que, se o campeão fosse colocado diretamente entre os cinco primeiros, dificilmente haveria uma luta “fácil” para qualquer um do grupo — principalmente levando em conta que Chimaev costuma encontrar caminhos para contornar defesas e estratégias.

“Não é exatamente sobre ‘limpar’ a divisão. Limpar algo exige muito trabalho. Mas eu acho que, se ele fosse colocado agora no top cinco, não teria uma luta fácil para nenhum de nós ali, se fosse o Khamzat Chimaev”, disse.

Para o brasileiro, o ponto central está no encaixe do estilo do campeão: como os atletas do topo têm peso e força principalmente na trocação, Chimaev tenderia a achar uma rota alternativa para impor seu jogo. E, se a resposta do restante da categoria for aumentar o wrestling apenas para igualar o ritmo, Rountree entende que o desnível técnico pode aparecer.

“Quando todos nós, no top cinco, somos fortes na trocação — principalmente — ele vai achar uma maneira de contornar isso. E, se a gente tentar aumentar o wrestling para bater com ele, a tendência é que a gente acabe ficando atrás. Então é isso que eu quero dizer: não é uma ‘varredura’ garantida para ele, mas também não é um desafio simples para quem estiver no top cinco, se ele decidir subir”, concluiu.

Histórico e posição de Rountree na categoria

Rountree é um nome frequente na divisão dos meio-pesados há quase uma década e já chegou a desafiar Alex Pereira pelo cinturão em 2024. No momento, ele ocupa a quinta colocação no ranking divisional do UFC. E, ao olhar para a parte de cima da tabela, o “War Horse” acredita que Chimaev teria condições de causar impacto contra qualquer um dos adversários acima — especialmente por conta do que demonstrou tanto em pé quanto no grappling durante os treinos.

Última palavra: a defesa do título vem primeiro

Apesar do debate sobre uma possível ascensão para os 205 libras, a lógica do próprio contexto do momento é clara: o campeão precisa primeiro cumprir a defesa diante de Strickland no UFC 328. A ideia de que a divisão pode “perder o rumo” caso o UFC permita a subida após a vitória aparece como crítica ao processo de gestão de cinturões — afinal, se campeões nunca defendem, o valor do título fica em segundo plano. Assim, a discussão sobre um novo critério para migração de categoria ganha força como ponto de reflexão para o futuro do esporte.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.