Sean Brady voltou a apresentar o MMA que vinha mostrando em boa parte da sua trajetória no peso meio-médio e reencontrou o caminho das vitórias no UFC 328, realizado neste sábado. Diante de Joaquin Buckley, o brasileiro radicado nos Estados Unidos construiu uma atuação dominante, com sucessivas tentativas de queda e, principalmente, controle efetivo no chão ao longo de três rounds, fechando a noite com uma decisão que, apesar de ter sido apertada na linguagem dos placares, deixou claro quem impôs o ritmo da luta.
Depois de uma atuação frustrante na luta anterior contra Michael Morales, que terminou com derrota por nocaute, Brady voltou mais agressivo e com foco total no plano. Ele conseguiu derrubar Buckley em momentos importantes e passou a transformar o combate em uma sequência de pressão e punição na parte de cima, acertando golpes de forma constante e dificultando qualquer tentativa de escape. Houve instantes em que parecia que o final era iminente, mas Buckley resistiu até o fim, sobrevivendo ao ímpeto do adversário e chegando ao estouro do último sino.
Os juízes registraram 30-25, 30-25 e 30-27 para Buckley, que reagiu após uma noite dura contra Morales no mês de novembro passado. Mesmo com o resultado na soma final favorecendo o vencedor dos critérios, a leitura do combate foi marcada pelo controle de Brady em vários trechos, sobretudo quando conseguiu levar o adversário para a grade e manter a luta longe das trocas em pé.
Em entrevista, Brady explicou que a derrota para Morales não foi apenas resultado de um momento ruim, mas também de um problema mental. Ele disse que não estava “no foco” naquela luta, enquanto neste camp, para este compromisso, garantiu que chegou totalmente preparado e disposto a executar o plano. Brady ainda afirmou que o trabalho de quedas foi determinante e que, ao contrário do que aconteceu com outros adversários, Kamaru Usman não conseguiu mantê-lo preso no chão como ele fez com Buckley, além de deixar claro que acredita estar de volta ao páreo entre os meio-médios e que merece oportunidades maiores no UFC.
No começo do confronto, Brady tentou levar Buckley ao solo cedo, mas o norte-americano respondeu com boa defesa, mostrando evolução no wrestling em comparação com seu último compromisso contra Kamaru Usman. Mesmo assim, quando Buckley escolheu acertar uma baixa, o meio-médio brasileiro aproveitou a abertura imediatamente e conseguiu a queda, invertendo a dinâmica do duelo e colocando o adversário sob controle.
Com o domínio no clinch e a luta ajustada para o chão, Brady avançou rapidamente para a montada e começou a martelar Buckley a partir de cima, usando a pressão para limitar os movimentos defensivos. Na sequência, ele buscou o controle lateral e tentou encaixar uma finalização na linha do kimura, prendendo o oponente em posição difícil, com pouca mobilidade para escapar. Buckley conseguiu se desvencilhar, mas continuou sofrendo com o ritmo imposto por Brady, que seguiu aplicando pressão até o fim do round inicial, quando o tempo acabou sem que a finalização saísse.
Assim que a luta recomeçou, Buckley repetiu o mesmo tipo de escolha que havia custado caro no começo, e mais uma vez Brady respondeu com a correção imediata, derrubando o adversário após o contra-ataque. Desta vez, Buckley até conseguiu escapar do controle inicial com uma boa movimentação, mas, pouco depois, voltou a tentar chutes, e Brady voltou a encaixar a queda, colocando o combate de novo sob seu controle.
Brady tentou manter o domínio na parte de cima e avançou para a montada novamente, tentando encaixar combinações com socos enquanto trabalhava para transformar o controle em uma finalização. Muitos dos golpes acabaram sendo defendidos ou desviados, mas o peso do posicionamento e a constância da pressão deixavam Buckley sem espaço para respirar. A impressão era de que o escape era improvável, já que Brady seguia colado ao adversário, impedindo qualquer tentativa consistente de recuperação para a trocação em pé.
Com cinco minutos restantes na luta, os treinadores de Buckley pediram para ele diminuir a sequência de joelhadas e chutes, mas a mudança não interrompeu o domínio do meio-médio brasileiro. Brady continuou a entrar no espaço, conseguiu mais uma queda e voltou a atacar com força a partir de cima, martelando o adversário mais uma vez com golpes que forçaram Buckley a se limitar a cobrir o corpo e tentar desviar o impacto.
Ao longo dos últimos instantes, Buckley só tinha uma resposta: proteger-se para tentar atravessar o período final. Brady, porém, seguiu punindo sem baixar a intensidade, até o combate chegar ao fim com a decisão conforme os placares oficiais.
Sean Brady vinha se mantendo como um nome recorrente entre os cotados do meio-médio nos últimos anos, mas derrotas para Michael Morales e Belal Muhammad atrapalharam sua rota rumo a uma eventual disputa de cinturão. Com esse resultado no UFC 328, ele retorna ao caminho das vitórias e agora mira uma nova sequência que, no horizonte, pode recolocá-lo entre os principais candidatos do peso e abrir a porta para uma nova chance de lutar pelo título do UFC.

