Nos últimos seis meses, Malcolm Wellmaker aprendeu, na prática, que o MMA tem uma capacidade rara de “humilhar” até quem parecia imune a qualquer turbulência. Depois de viver o auge como um dos nomes em ascensão no circuito, o atleta sofreu uma virada brusca após um revés que mudou a forma como muitos passaram a enxergá-lo — e, principalmente, como ele entendeu o funcionamento do próprio esporte.
O recado que ficou na cabeça após a derrota
Em meio às repercussões do resultado em Nova York, Wellmaker voltou ao que ouviu antes de lutar. O bantamweight contou que um comentário do qual ele não conseguia mais se afastar acabou virando uma espécie de roteiro emocional.
Segundo ele, a frase era direta: “Um dia eles vão te amar, e depois um dia eles vão te odiar”. O atleta afirmou que não lembrava todos os detalhes do contexto quando ouviu, mas que as palavras ficaram marcadas. Ele disse que, apesar do tempo, a mensagem não saiu do pensamento durante seis meses.
Wellmaker ainda ressaltou que vem pensando nisso de forma contínua. Para ele, a constatação é inevitável: o mundo do MMA reage com rapidez, e a opinião pública oscila como se fosse parte do próprio jogo.
De estrela em alta a alvo de críticas
Nos dias seguintes ao resultado negativo para Ethyn Ewing, o quadro emocional do lutador mudou. O momento que deveria consolidar a trajetória dele como uma promessa forte dentro do octógono virou o oposto: Wellmaker saiu do status de “queridinho” e passou a receber mensagens duras, além de ver parte do público que antes cantava elogios se afastar.
Ele explicou que, no fundo, não imaginava que não faria parte das exceções. Wellmaker afirmou que sempre procurou tratar as pessoas com respeito, dizer o que considera certo e manter uma postura alinhada com sua origem. De acordo com o atleta, ele vem de uma realidade de luta fora das academias — trabalhou em funções mais operacionais e enfrentou barreiras por anos — e, por isso, achava que a torcida celebraria independentemente do que acontecesse.
Mesmo assim, ele disse que o lado positivo do processo é ter conquistado mais tranquilidade. Para o bantamweight, a paz vem de compreender qual é o valor real dele: não está apenas no octógono e tampouco depende do que os fãs pensam. Ele resumiu essa ideia como “o trabalho é só o trabalho”.
A virada em Nova York e o que ele admite ter deixado passar
Além do impacto emocional, a situação em Nova York trouxe outro aprendizado: em nível de elite, o atleta precisa estar completamente comprometido com tudo o que envolve a carreira. Wellmaker destacou que uma noite ruim pode custar caro — e que, naquela circunstância, houve pontos que ele gostaria de ter tratado com mais seriedade.
Troca de adversário em poucos dias
Com apenas poucos dias de aviso, Ethyn Ewing apareceu na “The Mecca”, entrou no octógono e anotou a primeira derrota profissional de Wellmaker. Para o atleta, foi um dos maiores resultados inesperados do ano.
Wellmaker, então, fez uma reflexão sobre o que torna aquele tipo de cenário tão difícil de administrar. Ele afirmou, em tom de pergunta, que existem coisas para as quais a maioria das pessoas só encontra resposta quando vive a situação — e que ele tentou seguir com confiança e entrar dizendo a si mesmo que não importava “quem fosse” o rival.
Apesar disso, ele admitiu que faltaram preparos essenciais. Wellmaker disse que não dedicou tempo suficiente ao estudo de vídeo para entender o nível do adversário, e também não reservou espaço para conversar com sua equipe sobre como ela enxergava a luta e as opções disponíveis.
Ele ainda apontou um detalhe importante: como seria enfrentar o combate em outra faixa de peso, já que a realidade dele naquela preparação acabou ficando aquém do planejamento original. O lutador mencionou que terminou mais baixo do que o esperado para o confronto, e isso se conectou ao conjunto de decisões que, segundo ele, deveriam ter sido mais bem feitas.
“O que se perdeu” e o peso do “e se”
Wellmaker explicou que não quer dizer que as escolhas teriam garantido o resultado, mas afirmou que, caso tivesse tratado cada ponto com mais atenção, teria mais paz caso as coisas tivessem acontecido do mesmo jeito.
Agora, ele descreveu como fica a mente quando surge o “e se”: há muitos aspectos que ele não chegou a considerar com profundidade, e ele acredita que teria sentido mais tranquilidade se tivesse feito diferente.
Como ele transformou a derrota em combustível
Depois do revés, o lutador buscou reagir rapidamente. Wellmaker tentou com sua gestão encontrar uma oportunidade ainda no começo do ano, incluindo a possibilidade de lutar em 31 de janeiro, em Sydney, na Austrália, ou achar algum compromisso cedo para tirar o gosto ruim do resultado.
Ainda que uma luta no primeiro trimestre não tenha se concretizado, o tempo parado acabou virando um fator positivo. Ele disse que usou os aprendizados do combate contra Ewing para ajustar o próprio treinamento, aprofundar a parte técnica e encarar a preparação com mais intenção.
Wellmaker também afirmou que tirou alívio adicional ao observar a evolução do último adversário em sua segunda aparição dentro do octógono mais cedo neste ano. Para ele, ver Ethyn Ewing performar bem ajudou a reorganizar a leitura sobre a própria luta.
O atleta comentou que, após enxergar o que Ethyn fez no confronto mais recente, ele passou a sentir menos vergonha de como as coisas aconteceram na luta que ocorreu com dois dias de aviso. Ele classificou aquele combate como “um trocaçãoço” (um confronto empolgante).
O que mudou na percepção do público
Na noite do ocorrido, Wellmaker foi alvo de críticas por ter perdido para um estreante com prazo curto. Porém, com o passar do tempo, ele acredita que o tom do debate mudou e pode continuar mudando.
O bantamweight projetou que, num horizonte maior, existe a chance de aqueles torcedores que reclamaram em Nova York acabarem analisando o cartel e entendendo que a derrota não parecia tão negativa quanto se pintou na hora. Ele crê que, ao olharem para o histórico de Ethyn Ewing, a conclusão pode ser clara: os que criticaram podem enxergar que o adversário era legítimo.
Wellmaker disse que a aparência do cenário tende a ser diferente daqui para frente e afirmou que, para ele, aquele resultado não representa uma “mancha”.
O retorno ao octógono: Juan Diaz como novo teste
Com a derrota metabolizada e os pontos negativos convertidos em ajustes no camp, Wellmaker está ansioso para voltar a competir de verdade. Ele afirmou que sente vontade de entrar no octógono novamente e, caso seja possível, cogita até ir cedo ao local da preparação para se movimentar e recuperar a sensação de estar em competição.
Para ele, a espera já ficou grande demais, e o foco agora é colocar tudo o que foi trabalhado em prática.
O retorno acontece neste sábado, quando o lutador vai encarar Juan Diaz, outro produto da Contender Series. Wellmaker disse que, quando pesquisou o nome, reconheceu rapidamente que se tratava exatamente do lutador que ele imaginava. Ele descreveu que o tempo da Contender Series foi especial por causa do volume de nocautes, e que o atleta que Diaz nocauteou tinha reputação de ser um trocador e de finalizar adversários.
Diaz chega com sequência invicta e um estilo “perigoso”
Wellmaker afirmou que encara Diaz como um rival perigoso não apenas em pé, mas também no grappling. Segundo ele, o adversário é “escorregadio” e consegue impor dificuldades em diferentes fases do combate. Ele ainda caracterizou Diaz como um lutador que topa trocas no ritmo da luta, com disposição para “negociar” golpes em vez de apenas evitar o combate.
O atleta apontou que Diaz entra para o compromisso do card principal com cartel de 15-1-1 e uma sequência de oito vitórias consecutivas. Wellmaker espera que isso se traduza em mais uma oportunidade de disputar uma luta da noite, e disse que não vê a hora de colocar o plano em movimento.
Ele completou afirmando que a presença de Diaz no camp foi determinante para pressionar o ritmo do treinamento e para fazê-lo lutar muito bem neste fim de semana.
Mais do que força: maturidade e inteligência de luta
Mesmo com a vontade de ir direto ao octógono, passar por Diaz e retomar a rota rapidamente, Wellmaker declarou que enxerga o retorno como algo maior do que apenas vencer. Para ele, há uma necessidade de provar que não é somente um atleta que vence por potência.
Com a adversidade enfrentada no passado e as lições transformadas em prioridade durante a preparação, Wellmaker quer mostrar crescimento real. Ele citou que busca exibir em tempo real mais paciência e menos dependência de força bruta. A ideia, segundo ele, é reduzir a pressa e a tentativa de “forçar” potência a todo momento, promovendo uma postura mais madura.
O bantamweight também destacou que quer demonstrar um nível maior de Fight IQ (inteligência de luta), e disse que ainda existem aspectos do jogo dele que não tiveram chance de aparecer com clareza antes.
Finalizando, Wellmaker afirmou estar empolgado para mostrar que segue evoluindo, que continua melhorando e que enxerga um futuro promissor pela frente.

