Modestas Bukauskas tem atravessado fases difíceis ao longo da carreira — e, segundo ele, encarar esses contratempos ajudou a lidar com os obstáculos mais recentes. Após uma derrota para Nikita Krylov mais cedo neste ano, o lutador volta ao octógono neste sábado para tentar retomar o caminho das vitórias no UFC Fight Night: Allen vs Costa.
O desafio, porém, ganhou um ingrediente inesperado na semana do combate. Seu adversário original, Rodolfo Bellato, acabou sendo retirado do card, e Bukauskas ficou com uma nova luta em cima da hora.
O que mudou na semana e como ele lidou
- Bukauskas contou que, na terça-feira, já estava em processo de planejamento do corte de peso quando recebeu a notícia de que o oponente tinha sido retirado.
- Ele afirmou que, como é do grupo dos meio-pesados, a preocupação era conseguir alguém que conseguisse bater o peso até sábado.
- O atleta destacou o trabalho do empresário, Jason House, para encontrar um adversário “confiável” para manter o combate.
De acordo com o bielorrusso-lituano radicado no circuito, o cenário parecia complicado, especialmente pelo fato de ele ter finalizado uma preparação completa e ainda ter viajado do Reino Unido até Las Vegas. O plano era seguir a rotina padrão de semana de luta, mas a retirada do rival colocou em dúvida até mesmo a realização do duelo.
“Na terça-feira, eu acordo, faço meu café da manhã, penso no processo do corte de peso. A ideia é ir reduzindo aos poucos para entrar no ritmo. Aí, o gerente manda mensagem dizendo que o adversário saiu do card. Eu fiquei ‘meu Deus’”, relatou Bukauskas.
Ele também explicou o motivo da inquietação. Na visão do lutador, muitos atletas da categoria costumam circular mais pesados no dia a dia e, por isso, precisam de tempo para ajustar o peso com cuidado.
“O ponto é que, na terça, a maioria dos meio-pesados costuma andar um pouco acima, então demora mais e exige diligência para deixar o peso certo. Por isso eu fiquei pensando: como vão achar alguém na terça que consiga bater o peso até sábado, ainda mais com minha viagem de Londres até aqui? Então deixo um grande agradecimento ao Jason House por achar um oponente que faça sentido”, completou.
Christian Edwards entra no lugar de Rodolfo Bellato
- O novo adversário de Bukauskas é Christian Edwards, que aceita a luta com curto prazo para sua estreia no UFC.
- Edwards é ex-veterano do Bellator.
- A luta passa a ser disputada em acordo de peso (catchweight), evitando o corte de peso para Bukauskas.
- Bukauskas afirmou que respeita a atitude de Edwards por aceitar a substituição em tão pouco tempo.
O substituto é Christian Edwards, ex-integrante do Bellator, que chega ao UFC para sua estreia aceitando a oportunidade com pouca antecedência. Bukauskas reconhece que a mudança altera bastante o planejamento, mas sustenta que quer aproveitar a chance para entregar o melhor desempenho possível.
Um dos pontos positivos, segundo ele, é a questão do peso. Com o combate agora marcado em catchweight, Bukauskas diz que não precisa passar pelo corte para bater a marca da divisão, o que ele considera “perfeito”.
“Agora é em catchweight, então eu não preciso cortar peso. Isso é ótimo para mim. Significa mais comida, mais energia. Nesse sentido, não poderia ter dado mais certo”, afirmou.
Além disso, Bukauskas fez questão de elogiar o novo rival pela logística e pela prontidão. Ele disse que Edwards foi acionado para viajar — com chegada prevista entre terça e quarta — e aceitou encarar o desafio apesar das circunstâncias.
“Tenho que dar muito respeito e crédito ao Christian Edwards por aceitar. Ele entrou no lugar com pouco aviso, se deslocou e veio para cá. Então, de verdade, fair play para ele”, acrescentou.
Um rival completamente diferente no estilo
- Bukauskas descreveu Edwards como um striker bem diferente do perfil de Bellato após assistir aos vídeos.
- Edwards tem cerca de 3 polegadas a mais de altura em relação a Bellato.
- O novo adversário possui alcance de 78,5 polegadas.
- Apesar de mudanças no físico e na forma de atacar, Bukauskas disse que isso não altera seu conjunto de habilidades.
Para Bukauskas, Edwards não é apenas “mais um nome”. Ele enxerga uma diferença real no tipo de combate e no encaixe dentro do octógono. Segundo o atleta, ao analisar imagens, percebeu que se trata de um striker com características bem distintas em comparação ao que Rodolfo Bellato apresentava.
Ele também comentou sobre diferenças físicas: Edwards, que treina no Jackson Wink MMA, em Albuquerque, é mais alto, com mudança de envergadura e de conformação corporal. Na avaliação de Bukauskas, ambos devem entrar mais pesados do que entrariam em um cenário tradicional, o que altera o ritmo do confronto.
“Assistindo aos vídeos, ele é um striker muito diferente do Bellato. Obviamente, ele é bem mais alto, o corpo tem outra forma. Então, nós dois vamos chegar um pouco mais pesados agora. É um combate diferente, mas não tira nada do meu conjunto de habilidades nem do que eu preciso fazer”, disse.
O lutador reforçou que a base do trabalho segue a mesma: ele se apresenta como atleta de artes marciais mistas e planeja mostrar o que sabe, independentemente de quem esteja do outro lado.
“No fim das contas, eu sou um lutador. Eu sou um atleta de MMA. Vou para lá colocar minhas capacidades em evidência, não importa contra quem eu lute. Estamos no UFC, com os melhores do mundo. Então não importa quem está na sua frente: você precisa fazer o seu trabalho, ter confiança e soltar o jogo. É exatamente isso que eu planejo fazer”, declarou.
Motivação para reagir após a luta de janeiro
- Bukauskas quer aproveitar a oportunidade para reagir depois da derrota para Nikita Krylov em janeiro.
- O duelo entre ambos aconteceu no UFC 324.
- Krylov venceu com TKO no fim do combate, com apenas três segundos restantes.
Bukauskas também enxerga o compromisso deste fim de semana como uma forma de recuperar o ritmo e apagar o impacto causado pela derrota de janeiro para Nikita Krylov. Os dois se enfrentaram no UFC 324, e Krylov garantiu o triunfo de maneira explosiva, parando a luta com TKO nos últimos instantes — faltando apenas três segundos para o término do combate.
O lutador admitiu que levou um tempo para processar o resultado e também reconheceu que, na visão dele, não executou tudo o que poderia ter feito naquele dia.
“Honestamente, foi difícil porque eu sei que eu sou muito melhor do que aquilo. Parabéns para o Krylov, ele fez uma apresentação incrível. Mas também mostra como as campanhas de treino são diferentes. Ele se isolou totalmente, ficou focado só na luta. E não estou tirando mérito dele”, afirmou.
Bukauskas disse ainda que treinou duro e fez o que estava ao seu alcance, mas que questões pessoais dificultaram a abertura total do seu desempenho dentro do octógono. Para ele, o ponto principal foi entender que precisava corrigir coisas para voltar a entregar o nível que acredita possuir.
“Eu treinando como eu fiz, eu fiz tudo o que eu podia, mas essas minhas lutas pessoais, do meu lado, dificultaram eu desbloquear meu melhor eu ali dentro. E isso me incomodava: eu sei que eu sou muito melhor. No fim, é responsabilidade minha corrigir”, completou.
Ele também falou sobre ter passado por um período mais sombrio depois da derrota, tratando isso como parte do processo. Na sequência, Bukauskas disse que, quando olha para trás, percebe que esse trajeto acabou contribuindo para torná-lo o atleta que sabe que pode ser.
“Eu passei por um período mais escuro depois, mas eu entendo que isso faz parte. E é engraçado, porque quando você sai desse lado, você olha para trás e pensa: ‘eu estou feliz por ter passado por isso’. Agora isso vai me tornar o atleta que eu sei que estou pronto para ser”, disse.
Contratempos ao longo do ano e lições acumuladas
- Bukauskas relembrou que, no fim da primeira passagem pelo UFC, uma derrota para Khalil Rountree terminou em sua liberação.
- Ele afirmou que precisou passar por uma grande cirurgia de reconstrução no joelho após esse revés.
- Depois da recuperação, venceu duas lutas seguidas na Cage Warriors, para ganhar novamente chance no “evento maior”.
- Desde então, o lutador soma campanha de 6-2 no UFC.
Ao longo do ano, Bukauskas lidou com uma sequência de adversidades. O caso mais marcante, segundo ele, foi o encerramento da primeira etapa no UFC: a derrota para Khalil Rountree acabou levando à sua saída da organização, e ele ainda precisou realizar uma reconstrução importante no joelho.
Mesmo assim, ele conseguiu voltar ao ritmo e emendou vitórias seguidas na Cage Warriors, voltando a conquistar a oportunidade no UFC. Desde então, “O Gladiador Báltico” construiu um retrospecto de 6-2 na organização e passou a enxergar a capacidade de reagir como algo que o fortalece dentro e fora do octógono.
“Não é legal ter contratempos. Mas, no final, eu sinto que é justamente aí que eu aprendi as lições. É isso que ficou”, explicou.
Ele ainda destacou que nem todo mundo assimila aprendizados apenas com vitórias, e que a jornada dele passou por momentos muito difíceis. Bukauskas argumentou que o mais importante é não ficar travado no mesmo ponto e, principalmente, não repetir o que não funcionou.
“Algumas pessoas aprendem com vitórias. Mas cada trajetória é diferente. A minha teve tempos muito, muito ruins, teve fases escuras. Mesmo assim, mentalmente eu superei muita coisa e aprendi bastante. O principal é: se você fica preso, se acontece um revés e você não muda nada, você não percebe o que fez errado e vai continuar repetindo. Isso é insanidade. Eu aprendi várias coisas e fico grato por essas lições, porque elas me tornaram quem eu sou hoje. Só pode me deixar melhor, não só como lutador, mas como pessoa”, disse.
Atitude e metas: entrar no modo “caos” e buscar o top 15
- Bukauskas afirmou que decidiu valorizar os aspectos positivos, mesmo quando a fase é difícil.
- Ele disse que enxerga cada luta como algo caótico e que a maturidade ajuda a lidar com o imprevisível.
- O lutador mantém o objetivo de mirar o top 15 dos meio-pesados.
- Para ele, a missão segue a mesma: vencer Edwards e voltar ao rumo das vitórias.
Com base nessa postura, Bukauskas adotou uma forma mais direta de encarar a carreira. Ele acredita que as curvas do caminho vão acontecer — altos e baixos passam — mas o que permanece constante é a mentalidade. Em vez de se prender à má sorte, ele tenta extrair algo de cada etapa.
“Você tem que aproveitar esse processo. Tem que abraçar a loucura. Cada luta é caótica. Você entra pensando uma coisa e acontece outra totalmente diferente. E eu acho que isso vem com a maturidade, com o crescimento, aprendendo de cada combate e seguindo de luta em luta”, afirmou.
Na prática, ele descreveu como pretende se comportar durante o combate: manter a calma, ser paciente, confiar no próprio repertório e deixar as coisas acontecerem sem forçar situações.
“A ideia é ficar tranquilo, ser paciente, confiar no meu jogo, ter confiança no que eu sei que posso fazer e deixar as coisas virem naturalmente. Nesse esporte você não precisa forçar o tempo todo. É sobre deixar o jogo te conduzir. E o mais importante é ter confiança no seu próprio conjunto de habilidades e numa mente forte para fazer qualquer coisa lá dentro. Eu também gosto de dizer que é sobre abraçar o caos. Eu estou totalmente pronto para isso”, declarou.
Essa visão também se reflete nas metas. Bukauskas ainda mira o top 15 dos meio-pesados e pretende retornar à coluna de vitórias com uma vitória sobre Christian Edwards neste fim de semana. Para ele, trocar o adversário não altera o objetivo central do compromisso.
“O objetivo não muda. Eu vou lá, vou fazer meu trabalho, mostrar minha melhor apresentação, colocar meu jogo nele e sair com a vitória. É isso que está na minha cabeça: vencer. Então não importa quem esteja na sua frente. Você se adapta, supera e eu estou aqui para lutar”, finalizou.

