INGLEWOOD (Califórnia) – A realização do confronto entre Jon Jones e Francis Ngannou segue dependente de uma decisão do UFC. Ainda assim, do lado de fora da empresa, o interesse para que o “supercombate” dos pesos-pesados saia do papel parece forte.
- Enredo: Francis Ngannou voltou a provocar um duelo com Jon Jones após lutar pelo MVP no fim de semana.
- Proposta discutida: possibilidade de co-promoção envolvendo MVP e UFC para viabilizar o combate.
- Contexto recente: Ngannou nocauteou Philipe Lins no evento inaugural do MVP na Netflix.
- Local do evento citado: Inglewood, Califórnia.
- Envolvimento direto: Jones esteve presente no local e conversou com Ngannou após a luta.
- Histórico de negociação: em 2022, houve uma oferta na casa de US$ 8 milhões, mas a negociação não avançou.
Ngannou volta a mirar Jones e Jones reage no mesmo tom
Francis Ngannou, ex-campeão de pesos-pesados do UFC, entrou em ação pelo MVP na noite de sábado, no evento inaugural do projeto em parceria com a Netflix. O camaronês nocauteou Philipe Lins e, após o triunfo, repetiu o desejo de enfrentar Jon Jones.
O detalhe que reacendeu a conversa foi a presença do próprio Jones no local. Depois do combate, os dois ainda trocaram palavras, mantendo o clima de “luta casada” viva. Na transmissão do Netflix, Jones demonstrou energia semelhante ao afirmar que quer se desvincular do contrato vigente com o UFC para finalmente encarar Ngannou.
Co-promoção com o UFC vira tema em coletiva do MVP MMA 1
Durante a coletiva pós-luta do MVP MMA 1, Nakisa Bidarian, cofundador do Most Valuable Promotions, colocou na mesa a possibilidade de uma parceria com o UFC para que a luta dos pesos-pesados ganhe forma. A ideia seria trabalhar em conjunto para organizar o duelo e transformar o evento em um momento raro do esporte.
Bidarian defendeu que, em outros mercados, a co-promoção é algo comum. Ele citou o cenário do boxe, onde esse modelo acontece com frequência, e também lembrou que, fora do UFC, a prática se repete em diferentes modalidades. Para reforçar o argumento, mencionou ainda ligas esportivas que levam equipes para atuar em outras regiões, enfrentando adversários locais, apontando que esse tipo de estratégia se torna viável quando existe interesse mútuo.
“Não há mágoas”: Bidarian quer um “momento do mundo” para os dois
Ao falar do histórico recente da modalidade, Bidarian afirmou que o UFC já viveu um de seus maiores picos de relevância ao apostar em uma co-promoção envolvendo Mayweather e McGregor, destacando que foi um dos eventos associados com maior retorno financeiro tocado pela organização. A partir disso, ele projetou uma nova porta aberta para algo parecido, mirando um grande confronto entre dois atletas no ápice das carreiras.
Segundo Bidarian, a disposição para trabalhar existe e não haveria ressentimentos. Ele negou qualquer ideia de atrito por possíveis ataques ou provocações, sustentando justamente o oposto: a intenção seria fazer acontecer e criar um evento capaz de parar o mundo para acompanhar “dois homens no auge”, considerando também o desgaste acumulado ao longo das trajetórias, especialmente no caso de Jon Jones.
Na visão do cofundador do MVP, o público merece esse tipo de luta, e o esporte também. Por isso, ele reforçou o desejo de levar a ideia adiante, colocando como objetivo transformar o duelo em um grande capítulo para a divisão de cima do MMA.
Bidarian, porém, duvida que Dana White e o UFC liberem
Apesar de afirmar estar “100% dentro” do projeto, Bidarian não gosta das chances de a operação ser aprovada pelo UFC e por Dana White. Em sua avaliação, o cenário não é realista, pois a direção do UFC não permitiria algo que pudesse tomar forma como a “maior luta” possível para o peso-pesado em muito tempo.
Bidarian disse acreditar que o UFC não abriria espaço para que o combate se concretizasse, justamente porque reconhece o tamanho do confronto que envolveria Jones e Ngannou. Ainda assim, ele reiterou que deseja que a luta aconteça e que considera que Jon Jones merece esse momento, assim como o próprio esporte.
Negociação antiga: oferta milionária em 2022 não avançou
Jones e Ngannou vêm negociando (e provocando) um encontro há anos. O duelo chegou a ficar mais perto de acontecer em 2022, quando Ngannou recebeu uma proposta na faixa de US$ 8 milhões para enfrentar Jones. Mesmo com o valor, o camaronês teve problemas com o formato de contrato do UFC e solicitou mudanças para conseguir renovar.
Entre as exigências mencionadas no histórico, Ngannou queria ter a possibilidade de competir no boxe. Como o UFC não atendeu a esses pontos, Ngannou decidiu não seguir e acabou deixando a organização como agente livre no início de 2023.
Desde então, os dois atletas seguiram alimentando a ideia de um duelo, mantendo o assunto vivo com provocações e posicionamentos públicos.
Por que o UFC trava o caminho e como o contrato de Jones pesa
Mesmo com o interesse crescente fora do centro do UFC, a tentativa de transformar a luta em realidade esbarra em dois pontos centrais. O primeiro é a postura do UFC em não demonstrar entusiasmo com o retorno de Ngannou ao ambiente da organização.
O segundo envolve a situação contratual de Jon Jones. O americano tem mais compromissos pela frente dentro do acordo atual com o UFC e, segundo a lógica apontada no contexto, não poderia lutar fora sem a devida autorização. Enquanto esses fatores não mudarem, o “superluta” dos pesos-pesados continua no terreno das possibilidades—dependendo, em última instância, do aval do UFC.

