Jiri Prochazka divulgou uma longa declaração após um revés que deixou um gosto amargo na noite do UFC 327, quando foi superado por Carlos Ulberg em uma luta pelo cinturão dos pesos-leves. O momento, que parecia encaminhado para um triunfo do checo em boa parte do combate, terminou com uma reviravolta decisiva — e o próprio lutador tratou de explicar, agora já recuperado do impacto emocional e com tempo para absorver o que aconteceu, os detalhes que julga terem sido determinantes na derrota.
No início da disputa do título, Ulberg teve uma lesão séria no joelho e, na prática, precisou lutar com grande limitação, atuando “quase em uma perna só”. Ainda assim, Prochazka acabou entrando em uma armadilha e foi surpreendido por um golpe forte de esquerda desferido pelo neozelandês. Para quem acompanhou, a vitória parecia estar ao alcance, e a sensação descrita por Prochazka é a de ver a oportunidade escapar de forma cruel, como se fosse perder um gol aberto.
O lutador emocional, conhecido por falar com intensidade quando está no calor do momento, afirmou que tinha muito a dizer sobre a luta e, agora, em novo pronunciamento, optou por colocar sua visão “no papel”, para encerrar ruídos e interpretações que teriam surgido depois do resultado. Em declaração em língua tcheca, Prochazka disse que quer comentar o combate como havia prometido e que vai se concentrar no que realmente ocorreu no octógono, pedindo que tudo fique claro para que ninguém invente versões que, segundo ele, não fazem sentido. Ele ainda afirmou que o que vem ouvindo ao redor é “completo absurdo” e que isso o faz rir, diante da distância entre o que foi vivido por ele e o que passaram a especular.
Na sequência, Prochazka resumiu o que considera o ponto central do confronto: segundo ele, houve perda de foco no momento mais importante. O recado foi direto ao alvo — manter a atenção no objetivo e no “alvo” do plano —, especialmente quando Ulberg lesionou a perna. Prochazka disse entender exatamente o que o adversário estava passando, porque afirma ter vivido situação muito parecida em uma luta no Japão. Ele ressaltou que sabe como é a dor, a luta interna e o desafio de seguir competitivo mesmo com o corpo reagindo de forma limitada, e por isso fez questão de dar crédito a Ulberg por ter conseguido permanecer com a cabeça fria e, ao mesmo tempo, aproveitar a brecha para acertar a esquerda que virou a luta.
Além de elogiar a execução do rival, Prochazka também declarou que, a partir do instante em que Ulberg se machucou, ele próprio já não estava em 100% de rendimento. O checo afirmou que ficou, em sua percepção, em algo como 40% a 50% da performance, e que naquele momento passou a “especular” a interrupção da luta por parte do árbitro, como se aguardasse a parada a qualquer instante. Para ele, esse comportamento teria sido um grande erro — talvez, nas palavras dele, um dos maiores — e que não quer ficar se punindo continuamente, porque o mais importante, segundo o atleta, é aprender com o episódio e seguir adiante mais forte.
Prochazka também comentou as falas de “especialistas” que, após o combate, teriam discutido a luta e sugerido interpretações externas. Ele citou nomes como Paulo Costa e Magomed Ankalaev, além de “outros especialistas”, dizendo que vai tratar dessas conversas mais adiante. Em tom irônico, o lutador ainda questionou se Ankalaev estaria realmente sendo guiado pelo mesmo agente ou se seria outra pessoa, e afirmou que, quanto ao próximo compromisso, só começará a falar de negociações cerca de um mês depois. O motivo, de acordo com a declaração, é que agora o foco precisa ser puramente no âmbito pessoal, principalmente na família.
O checo aproveitou a oportunidade para falar sobre a chegada do primeiro filho, que estava prevista para acontecer poucos dias depois do main event do UFC 327, no qual ele foi derrotado. Prochazka afirmou que, mesmo com emoções múltiplas provocadas pela luta e com tudo “brigando” dentro dele, precisa se manter firme em casa. Ele disse que as meninas sempre estão dormindo, então preferiria manter o ambiente tranquilo, atuar como o “homem da casa” e aproveitar a nova energia trazida pela filha, recém-nascida. Na declaração, ele afirmou que a chegada do bebê o deixou feliz e que aquilo funciona como um grande impulso para seguir.
Por fim, Prochazka encerrou a mensagem projetando o próximo ciclo de treinos e a preparação para o próximo adversário. Ele declarou que já pensa no oponente da próxima fase de treinos, com o objetivo de fortalecer o jogo novamente, melhorar um pouco mais e permanecer no caminho correto. Em um fechamento com tom de determinação, o lutador reforçou os valores de força e honra, disse que a missão é superar — superar a si mesmo e também os outros — e seguir em frente. Ele ainda desejou que tudo dê certo para as pessoas que acompanham o esporte, pediu para que todos se mantenham firmes e finalizou com bênçãos.

