Esta semana em Macau promete ser um verdadeiro paraíso para caçadores de talentos, com a estreia da quinta temporada do “Road to UFC” nesta quinta-feira. O programa traz disputas em categorias de penas e galos, além de um duelo principal envolvendo Rongzhu, veterano chinês de 28 anos que está em sua segunda passagem pela companhia. A programação segue na sexta-feira com mais torneios do “RTU”, agora nos pesos mosca e palha, antes do card deste fim de semana — com 13 lutas — ter como atração principal Song Yadong e Deiveson Figueiredo. Antes dos três combates finais do dia, considerados decisivos e bem interessantes, um grupo de atletas inicia a caminhada pelo octógono buscando se destacar e chamar atenção no meio do público.
Entre os nomes em ascensão para o UFC Fight Night com Song vs Figueiredo, um dos destaques é Asakura. E sim, é um tanto incomum abrir uma série de promessas com alguém que estreou na organização justamente em uma luta valendo cinturão. Mesmo assim, o cenário não impede que ele seja lembrado neste momento. A carreira recente de Asakura no UFC, inclusive, não é das melhores: antes do confronto contra Cameron Smotherman, ele vinha com retrospecto de 0-2 dentro da promoção. Ainda assim, a sensação é de que este fim de semana pode marcar o início de um novo capítulo para o astro japonês.
As duas primeiras aparições de Asakura na empresa aconteceram ainda no peso mosca. Na primeira, ele perdeu para o campeão Alexandre Pantoja no UFC 310. Na segunda, voltou a ser derrotado, dessa vez por Tim Elliott no UFC 319. Apesar de ter tido alguns momentos competitivos contra Elliott, a atuação contra Pantoja não correspondeu às expectativas, e a impressão até aqui é de que ele não conseguiu entregar o mesmo impacto que o levou a ser contratado em grande destaque. Esse ponto, porém, muda quando o recorte é o período anterior: o desempenho que transformou Asakura em uma opção tão valiosa aconteceu na divisão de galos, exatamente a categoria em que ele volta a lutar neste sábado, contra Smotherman.
As vitórias sobre Manel Kape e Kyoji Horiguchi foram determinantes para colocar Asakura novamente no radar, com triunfos conquistados em 59 kg (130 libras) e 61 kg (135 libras), respectivamente. Agora, ele retomará a rotina de luta um pouco acima disso, buscando aproveitar a transição para o peso mais adequado ao seu corpo. A comparação é inevitável: apesar de Kape e Horiguchi terem prosperado no peso mosca, ambos são consideravelmente menores do que Asakura, e merecem os elogios pelo sucesso construído em uma faixa abaixo. Com 32 anos, Asakura tende a se encaixar melhor na categoria de galos, especialmente em termos de tamanho e estrutura — e a expectativa para este sábado é ver um tipo de performance completamente diferente.
Outro atleta que chama atenção na programação é Haddon, frequentemente tratado como o nome “esquecido” da oitava temporada do Contender Series de Dana White. A ironia é que ele foi o primeiro integrante daquela turma a registrar uma vitória, derrotando Dan Argueta por decisão ainda antes mesmo de a temporada terminar oficialmente. Profissionalmente, Haddon soma 8-1 e vem em uma sequência de seis vitórias seguidas, perseguindo seus sonhos no MMA desde a infância.
Nos últimos anos, um de seus parceiros de treino vem ganhando espaço rapidamente no cenário australiano: Quillan Salkilld, lutador do peso leve que também garantiu uma vitória no mesmo ciclo do DWCS e, desde então, disparou nas colocações do ranking. Enquanto isso, Haddon ficou mais tempo fora do jogo por conta de lesões e acabou perdendo oportunidades. Ele chegou a ser escalado para enfrentar Malcolm Wellmaker em novembro passado, no Madison Square Garden, mas sofreu uma fratura no pé e precisou se retirar do combate. Agora, enfim, Haddon volta a ter chance de entrar no octógono neste sábado, quando enfrenta Aoriqileng.
Haddon chegou a ser projetado como um dos principais talentos entre os formados na temporada 8, e existe motivo de sobra para a empolgação. Com o crescimento do companheiro Salkilld já visível, faz sentido observar se Haddon consegue repetir um nível parecido a partir deste fim de semana. Aoriqileng chega como um veterano perigoso, com boa força e vindo de nocaute em apenas 21 segundos. Ainda assim, Haddon já mostrou capacidade de se adaptar ao longo do combate, encontrando maneira de sair com a mão levantada em sua estreia profissional contra Argueta, cinco semanas após conquistar o contrato. Com vontade de retornar e ainda mais motivação alimentada pelo sucesso do parceiro de treino, a tendência é que Haddon tente entregar uma atuação de impacto neste sábado.
Também existe um fator interessante envolvendo Tsuruya e como uma única temporada pode alterar completamente a leitura de uma luta e o peso do resultado. Da última vez em que Tsuruya competiu, ele sofreu a primeira derrota da carreira profissional. O revés veio em uma decisão unânime no UFC 313, e o contexto ajuda a explicar: ele aceitou o combate com pouca antecedência e não conseguiu encontrar respostas para o wrestling ofensivo e para o conjunto geral de habilidades de Joshua Van. Agora, com Tsuruya se preparando para retornar neste fim de semana contra Luis Gurule, formado no DWCS, a derrota para Van parece ter outro significado — e a diferença de perspectiva é justamente o tipo de detalhe que define o momento de um atleta.
Tsuruya sempre foi apontado como uma promessa consistente. Ele demonstrou qualidade tanto quando conseguiu avançar no torneio do peso mosca na segunda temporada do “Road to UFC” quanto na estreia, quando venceu Carlos Hernandez. A idade ainda joga a favor: ele tem apenas 23 anos e já soma 11 lutas na carreira dentro do UFC. Mesmo com a queda do status de invicto, o impacto pode ter sido menor do que seria imaginado, especialmente porque Van continuou evoluindo e se mantendo em alta. Nesse sentido, o lugar de Tsuruya como alguém a ser observado na faixa dos 125 libras segue preservado.
O duelo deste fim de semana contra Gurule surge como uma oportunidade importante para medir a evolução do japonês. Gurule, que vem do Contender Series e aceitou a luta em sequência, teve a chance de competir em cartões consecutivos após substituir Jesus Aguilar. Ele chega embalado por uma vitória recente, obtida duas semanas antes, em Las Vegas, contra Daniel Barez. Do ponto de vista de estilo, o confronto é desafiador, mas a leitura é clara: se o prospect japonês conseguir atravessar com sucesso o retorno ao octógono, ele deve voltar a ser considerado entre os principais nomes jovens da divisão.
