Ronda Rousey quer “vingança”: card alternativo no dia do UFC Vegas 116

Ronda Rousey, em meio a uma sequência de provocações e ressentimentos, enxerga a decisão do UFC de não aceitar a proposta de retorno como uma afronta e acredita que pode “se vingar” ao montar um card alternativo no dia 16 de maio, em Los Angeles. A data coincide com o UFC Vegas 116, que acontece no mesmo dia no Meta Apex, em Las Vegas.

O problema é que o confronto que fecha o evento — Rousey contra Gina Carano — pode produzir um efeito contrário ao esperado. A luta é o principal atrativo de uma programação do streaming que reúne nomes ligados ao MMA de alto nível, incluindo veteranas do UFC e ex-campeãs, mas também pode deixar parte do público com a sensação de que “Rousey x Carano” foi uma perda de tempo gigantesca.

O que Matt Brown disse sobre o interesse do público

  • Brown afirmou que o público pode sentir “nojo” ou arrependimento por assistir ao duelo.
  • Citou como exemplo o desgaste gerado por lutas envolvendo Jake Paul e Mike Tyson.
  • Sustentou que, com o tempo, a tendência é o público cansar e buscar “lutas de verdade”.
  • Concluiu que esse tipo de movimento pode acabar beneficiando o UFC, atraindo quem quer ver lutas reais.

Em entrevista, o ex-lutador peso-médio do UFC Matt Brown comparou a expectativa para esse combate ao sentimento que costuma aparecer depois de eventos que misturam celebridades com luta. Para ele, a sensação seria parecida: em vez de empolgação, o espectador pode sair com a impressão de que desperdiçou tempo.

Brown também projetou que, após repetidas situações desse tipo, o ciclo pode se encerrar naturalmente. Segundo o grappler, quanto mais o público se frustra, maior a chance de ele procurar a “opção segura” para assistir aos melhores combates do mundo — e isso, na leitura dele, passa pelo UFC.

Idade, retorno e histórico recente das protagonistas

Rousey, atualmente com 39 anos, é uma das maiores estrelas da história das lutas de combate, mas não entra em ação há quase uma década. Já Gina Carano, que completou 44 anos na semana passada, está afastada desde o verão de 2009.

Além da longa ausência, a leitura que circula nos bastidores também leva em conta o momento delicado que as duas viveram na despedida. Tanto “Rowdy” quanto “Conviction” chegam ao debate depois de derrotas contundentes por nocaute, lances que colocaram ponto final em suas carreiras.

“É quase impossível acreditar que seja outra coisa que não seja pagamento”

Brown ainda ampliou a crítica ao questionar se Carano realmente teria motivação esportiva para voltar. Para ele, quando uma lutadora que ficou 17 anos sem lutar recebe uma proposta financeiramente alta, a explicação mais provável seria o interesse no contrato, e não uma vontade real de competir.

O ex-campeão também argumentou que, mesmo que exista provocação pesada — com troca de farpas, ataques verbais e cenas de pressão durante coletivas — isso não garante um espetáculo atlético. Na visão dele, por mais que a rivalidade seja vendida como “vale tudo”, o resultado final pode não entregar um combate empolgante.

Em outras lutas do card, a programação do streaming também buscou apelo em mudanças de rota. Há um atleta na faixa de 205 libras que não quer mais cortar peso e foi escalado para enfrentar Francis Ngannou, ex-campeão do UFC e conhecido como um dos mais perigosos nocautes do MMA.

Para fechar o pacote, a noite ainda terá um confronto que colocará frente a frente um “grupo” para disputar protagonismo no peso meio-médio, com briga direta por quem leva a vantagem no cartaz.

No fim, fica a pergunta: quem realmente está animado com esse tipo de evento — e se o público vai preferir gastar energia com lutas que entreguem ritmo, técnica e perigo real dentro do octógono.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.