Ronda Rousey x Gina Carano: Jake Paul estreia no MMA com card na Netflix

Ronda Rousey e Gina Carano serão as protagonistas do primeiro evento de MMA do Jake Paul, o “MVP MMA 1: Rousey vs. Carano”, marcado para a noite deste sábado (16 de maio de 2026), no Intuit Dome, em Los Angeles (Califórnia). A luta principal, em categoria de 145 libras (pena), é rodada em formato de cinco assaltos. No coevento principal — transmitido ao vivo pela Netflix — Nate Diaz enfrenta Mike Perry em um duelo no peso-médio (welterweight) de grande apelo popular, especialmente por não depender de disputas por cinturão ou caminhos em grandes ligas, mas sim do espetáculo.

MVP MMA 1: o significado de Rousey x Carano para o cenário e o “peso” do retorno

Rousey volta a competir depois de um longo hiato e, ao longo da semana, transformou a preparação para o duelo contra Carano em assunto constante, mirando críticas em nomes ligados ao esporte. A lutadora tem usado a visibilidade do momento para comentar sobre TKO, com menções a executivos e também ao atual grupo de campeões e protagonistas da modalidade. Ainda que a agenda de bastidores gere ruído, o que realmente importa para a luta em si é outro dado: o contexto competitivo de ambas.

Do lado de Rousey, o intervalo desde a última aparição em combate é de uma década. A última vez que ela entrou no octógono foi em 2016, quando perdeu para Amanda Nunes por nocaute ainda no primeiro assalto. Antes disso, Rousey também já tinha sofrido derrota por strikes para Holly Holm, um ano anterior. Depois desses resultados, ela se afastou do MMA, iniciou uma família e migrou para aparições em filmes, permanecendo fora dos holofotes por um bom tempo — até a oportunidade de enfrentar Gina Carano surgir.

Carano, por sua vez, também chega ao duelo com um afastamento ainda mais longo do ambiente de competição. A última vez que ela esteve em ação em combate esportivo foi em agosto de 2009, quando sofreu uma derrota por nocaute para Cris Cyborg — outra referência histórica do MMA feminino. Agora, com o retorno ao cage após um hiato que ultrapassa uma década, “Conviction” tenta recuperar a aura de glória de um período em que ambas ajudaram a reescrever o papel das mulheres no esporte.

  • Rousey: última luta em 2016 (derrota para Amanda Nunes por nocaute no 1º round).
  • Carano: última participação competitiva em 2009 (derrota por nocaute para Cris Cyborg).

Apesar da grandeza histórica dos nomes, a leitura analítica para o impacto no panorama do MMA é mais cautelosa. A luta certamente reacende discussões sobre o legado do esporte feminino, mas não é um confronto que, por si só, “muda o mundo” da modalidade de forma imediata. O evento é visto como uma tentativa de criar alternativa para torcedores que acompanham UFC e PFL — porém, comparações com experiências anteriores de promoções que apostaram em cards com grandes nomes e, nem sempre, sustentaram o ritmo, aparecem como alerta de que a expectativa do mercado pode não se converter automaticamente em longo prazo.

Na pista, porém, existe um limite claro: as duas lutadoras não estão no auge atlético de carreiras recentes. E, mesmo com técnica e repertório que consolidaram reputações enormes, o “ring rust” (ferrugem por falta de ritmo de competição) tende a pesar. Por isso, ainda que o duelo seja vendido como algo “do tamanho do maior de todos os tempos”, o cenário competitivo atual sugere que não dá para esperar uma reinvenção total nem uma sequência longa de volta ao alto nível. A expectativa é que seja um evento pontual, com atenção gigantesca por conta do streaming e do alcance do nome do projeto.

Cartel, ranqueamento e próximos passos: o que pode acontecer com Diaz, Perry e o resto do card

No coevento principal, Nate Diaz retorna ao MMA após quatro anos fora das competições. O adversário é Mike Perry, também com passado em UFC e, mais recentemente, associado ao estilo mais “duro” do bare knuckle. Diaz entra no duelo depois de sua última aparição ter sido uma vitória sobre Tony Ferguson no UFC 279. Antes disso, ele vinha em uma sequência de duas derrotas, mas o histórico dele sempre foi marcado por lutas capazes de gerar entretenimento, independentemente de vitória ou derrota. Contra Perry, a proposta é clara: menos planejamento “para subir degrau” e mais busca por impacto, troca e momentos que prendem o público.

  • Co-main: Nate Diaz x Mike Perry (peso welter), duelo com apelo de espetáculo e pouca dependência de rota por cinturão.

O restante do card também chama atenção por combinar nomes conhecidos e oportunidades de reentrada em grandes discussões do MMA. Um exemplo é Francis Ngannou. O “Predator” teve uma passagem pelo PFL que não correspondeu às expectativas e, desde então, migrou mais para o boxe, enfrentando Tyson Fury e Anthony Joshua. No MMA, o recorte é de estabilidade: ele não perde desde 2018, com sete vitórias consecutivas. Ainda assim, a frequência de lutas é baixa — e isso fica evidente pelo fato de que essas sete conquistas ocorreram em apenas seis anos.

Ngannou encara Philipe Lins, um ex-desafiante do peso pesado pela antiga divisão de light heavyweight no UFC. Lins foi dispensado mesmo estando em uma sequência de quatro vitórias. A grande questão é se ele terá o pacote para competir no mesmo nível de explosão e potência de “The Predator”. Caso Lins surpreenda e vença, o resultado entra no tipo de virada que pode recolocar um nome em discussões grandes. Para Ngannou, qualquer derrota seria um revés relevante tanto para o caminho no MMA quanto para seu futuro no mundo do boxe.

Em outra luta, Salahdine Parnasse tenta finalmente cumprir o papel de quem domina o circuito e tenta migrar para o topo. Ele nunca chegou a “explodir” dentro do UFC, e agora estreia os holofotes nos Estados Unidos. O adversário é Kenneth Cross, que tem cartel de 17-1 como profissional. Cross chegou a tentar contrato pelo Contender Series e não conseguiu, mas depois construiu uma trajetória com 6-1, sendo sua única derrota registrada dentro da jaula do Bellator. Se Cross conseguir um resultado positivo sobre Parnasse, isso pode ser visto como uma reviravolta capaz de abrir portas para uma nova leitura sobre seu potencial.

O card ainda traz Junior dos Santos. “JDS” volta ao MMA após mais de dois anos sem competir. A sequência mais recente dele no cage é complicada: ele perdeu as últimas cinco lutas no MMA. A exceção fica no bare knuckle, onde ele venceu duas seguidas. O desafio agora é Robelis Despaigne, outro ex-lutador ligado ao UFC. Despaigne iniciou a carreira no MMA com cinco vitórias consecutivas, todas finalizadas ainda no primeiro assalto. Houve até um encerramento rápido na estreia no UFC: ele finalizou Josh Parisian em 18 segundos. Depois disso, a trajetória desandou com duas derrotas seguidas e o resultado foi o corte da organização. Desde então, ele construiu cartel de 7-0 sob a bandeira do Karate Combat, com seis nocautes. Para o momento de carreira, a análise é direta: se JDS voltar a vencer um nome com passado de campeão e com histórico de impacto, o caminho pode incluir reavaliação por grandes casas — ou, ao menos, manter o projeto do MVP MMA em alto nível.

Card completo: pesos, confrontos e o que esperar dos “Prelims”

O evento terá card principal na Netflix e preliminares no YouTube. A transmissão do horário de início dos confrontos preliminares ocorre às 6:00 p.m. ET (horário de Brasília depende da conversão), enquanto o main card começa às 9:00 p.m. ET na plataforma de streaming.

Main Event (Netflix) — 145 lbs

  • Ronda Rousey vs. Gina Carano (luta principal, cinco rounds)

Main Card (Netflix) — a partir de 9 p.m. ET

  • 170 lbs: Nate Diaz vs. Mike Perry
  • 265 lbs: Francis Ngannou vs. Philipe Lins
  • 145 lbs: Salahdine Parnasse vs. Kenny Cross
  • 265 lbs: Junior dos Santos vs. Robelis Despaigne

Prelims (YouTube) — 6 p.m. ET

  • 170 lbs: Namo Fazil vs. Jake Babian
  • 125 lbs: Adriano Moraes vs. Phumi Nkuta
  • 170 lbs: Jason Jackson vs. Jeff Creighton
  • 145 lbs: David Mgoyan vs. Albert Morales
  • 130 lbs: Aline Pereira vs. Jade Masson-Wong
  • 165 lbs: Chris Avila vs. Brandon Jenkins

Antes do card ir ao ar, houve ajustes por lesões e problemas operacionais. Muhammad Mokaev precisou deixar o combate contra Adriano Moraes por questões de visto, e Phumi Nkuta entrou como substituto. Nkuta chega invicto com cartel de 11-0, sendo dois nocautes e três finalizações por submissão, e grande parte do histórico ocorreu em ligas consideradas menores. Já Moraes vive uma fase instável: ele perdeu três das últimas quatro lutas, incluindo duas derrotas consecutivas para Demetrious Johnson.

Em outra alteração, Lorenz Larkin foi retirado do duelo contra Jason Jackson por motivo de lesão. O substituto foi Jefferson Creighton, que vem em uma sequência de nove lutas sem derrota. Quanto a Jackson, ele foi campeão do Bellator no peso-meio-médio (welterweight) no passado e, mais recentemente, teve campanha de 1-1 no PFL antes de deixar a organização.

Entre as lutas preliminares, Namo Fazil tenta aproveitar o embalo. Ele vem de seis vitórias seguidas, com cartel geral de 9-1, mas ainda é um nome com menos exposição nas grandes vitrines. Fazil enfrenta Jake Babian, que começou a carreira no MMA com derrota por TKO em 2023; depois disso, ele emendou seis vitórias seguidas, buscando o sétimo triunfo consecutivo.

Albert Morales busca manter o ritmo ao encarar David Mgoyan. Morales tem 7-1 nas últimas oito lutas, enquanto Mgoyan tem 8-1 como profissional. O recorte de carreira também pesa: Mgoyan começou no MMA há apenas quatro anos; um resultado expressivo diante de um adversário mais experiente pode acelerar sua trajetória.

Aline Pereira, por sua vez, chega com campanha equilibrada em sua passagem pela Legacy Fighting Alliance (LFA): foram 2-2, alternando vitórias e derrotas. Agora, ela tenta emplacar o segundo triunfo consecutivo contra Jade Masson-Wong, lutadora canadense com cartel de 3-2 e em uma sequência de duas derrotas. A luta também carrega a marca do evento: Jade não compete há seis anos, o que reforça a tese de que o “ritmo” pode ser variável para vários atletas.

Fechando os preliminares, Chris Avila conseguiu espaço no card em grande parte por relação próxima com Nate Diaz. Avila teve passagens curtas por UFC e Bellator e chega com duas vitórias seguidas, ambas encerradas por nocaute no primeiro assalto. Ele enfrenta Brandon Jenkins, conhecido como “The Human Highlight Reel”, mas que vem em fase irregular: soma 2-5 nas últimas sete lutas. A leitura para o confronto é simples: quem estiver mais consistente no início tende a impor seu jogo, principalmente por causa do histórico recente de finalizações de Avila.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.