Scott Coker, figura ligada a eras importantes do MMA fora do UFC, afirmou acreditar que a organização do entretenimento pode estar promovendo eventos em excesso. Ex-presidente de Strikeforce e Bellator, ele agora volta ao setor com uma nova empresa que tem expectativa de começar a operar em janeiro de 2027.
Coker critica o ritmo do UFC
Em participação no programa “The Ariel Helwani Show”, Coker foi questionado sobre o que pensa a respeito da paixão do chefão do UFC, Dana White, pelo esporte. O dirigente comentou que percebe a constância do produto e, ao mesmo tempo, apontou um incômodo com a frequência.
— “Parece algo bem constante”, disse Coker. Ele explicou que a própria ideia de listar campeões do UFC por categoria soa incomum no momento: para ele, seria difícil “citar quatro campeões” do ranking de pesos na atualidade. Coker também afirmou que muitos amigos teriam a mesma dificuldade, sugerindo que a exposição repetida do produto pode estar ajudando a saturar o público.
Na sequência, o ex-comandante de outras ligas reforçou o raciocínio ao destacar que os cards aparecem “toda semana” diante dos olhos do torcedor, o que, no entendimento dele, pode ser um sinal de superexposição.
Estrutura e investimento da nova promoção
Sobre o projeto que está montando, Coker disse que conseguiu captar 60 milhões de dólares com investidores. Ele ocupará o cargo de CEO e também atuará como cofundador, ao lado de Peter Levin, da Griffin Gaming Partners.
Modelo de lutas e impacto do pay-per-view
O dirigente detalhou como pretende iniciar as atividades do novo negócio e como enxerga a diferença entre realizar lutas em sequência e vender o produto no formato de pay-per-view. Segundo ele, a meta inicial é mais comedida e tende a crescer com o tempo.
- Primeiro ano: Coker afirmou que a intenção é promover 12 lutas no total no ano de estreia.
- Visão futura: ele acredita que, no longo prazo, uma empresa bem estruturada conseguiria alcançar 24 lutas por ano.
Ao explicar por que a contagem muda, Coker ressaltou que a lógica do pay-per-view altera a percepção do público. Ele comparou com a dinâmica do boxe, dizendo que, quando um grande evento de luta é vendido como produto especial, o torcedor passa a tratá-lo como um “momento” diferente. No caso de um combate que não está no pay-per-view e acaba sendo distribuído de forma gratuita, ele argumentou que isso pode reduzir o senso de raridade e, consequentemente, o estímulo para o consumidor se engajar.
— Na visão dele, quando o público está acostumado a comprar pay-per-view para as lutas gigantes, receber a atração sem custo pode fazer com que a pessoa não enxergue aquele confronto como “especial o bastante” para justificar a atenção e a compra, mesmo que a luta seja relevante.

