Sean Brady não escondeu a insatisfação com a reconciliação entre Sean Strickland e Khamzat Chimaev após o UFC 328. Mesmo após a luta principal do último sábado no Prudential Center, em Newark (EUA), Brady criticou a forma como os dois encerraram a disputa nos bastidores e dentro do octógono, destacando o contraste entre o clima de rivalidade prévia e a postura conciliadora depois do combate.
Brady repercute a reconciliação pós-luta e critica o “virar a chave”
Strickland e Chimaev entraram no duelo valendo o cinturão dos médios com histórico de rusgas e provocações que foram além do esporte. O próprio Strickland buscou explorar a discussão sobre a religião de Chimaev, entre outros temas, antes da luta do título disputada no último sábado.
O combate, porém, terminou com uma reviravolta: Strickland conseguiu a grande surpresa ao vencer Chimaev por decisão dividida. Depois do resultado, os dois “fizeram as pazes” ainda durante a noite, com Chimaev indo além do gesto comum de respeito e deixando claro o tom amigável entre eles. Entre os rounds, Chimaev chegou a dizer a Strickland que o amava, e foi ele quem colocou a faixa do cinturão na cintura do desafiante após o fim da luta. Na sequência, Strickland também pediu desculpas pelos comentários feitos durante a construção do evento.
Apesar do entendimento entre os protagonistas, Brady não gostou da mudança de postura. Em entrevista ao “The Ariel Helwani Show”, o meio-médio apontou que, para ele, certos tipos de ataque não deveriam ser “apagados” com abraços e gestos de conciliação, especialmente quando a rivalidade envolve elementos pessoais como família e fé.
Brady afirmou que, se alguém falasse de sua mãe, de seus filhos ou de sua religião, ele reagiria caso encontrasse essa pessoa em qualquer lugar. O lutador também comparou a situação a uma cena de briga recorrente do desenho “Family Guy”, dizendo que a dinâmica seria inevitavelmente de confronto. Para Brady, o público até poderia entender uma estratégia de promoção do combate, mas haveria “linhas” que não deveriam ser cruzadas e que, depois de ultrapassadas, gerariam consequências.
O que Brady disse sobre o clima da luta e a expectativa do público
Na mesma fala, Brady reforçou que acompanha e respeita os dois atletas envolvidos, mas se decepcionou com o desenrolar imediato após o combate. Segundo ele, a rivalidade construída com falas agressivas e presença de segurança no evento tornaria improvável, na visão do lutador, que o cenário se encerrasse rapidamente com reconciliação dentro do octógono.
Brady argumentou que o resultado foi bom, mas não correspondeu ao que muita gente imaginava que seria o desfecho do duelo. Ele também declarou que não é fã de provocações — ainda que reconheça que o interesse do público existiria mesmo sem esse tipo de abordagem. Para o meio-médio, se a intenção é “vender” o combate com ataques pesados, a postura precisa ser mantida de forma consistente, sem “virar a chave” logo depois.
Rematch no radar: próxima luta de Chimaev e impacto no ranqueamento
Mesmo com a reconciliação entre Strickland e Chimaev, Chimaev seguiu pressionando por uma revanche. A equipe do russo comunicou que ele está determinado a ter o combate de volta contra o campeão, indicando que o próximo capítulo da rivalidade tende a continuar.
O cenário, portanto, aponta para um novo encontro entre os dois no curto ou médio prazo, especialmente considerando que Chimaev busca retomar o controle da disputa depois da decisão dividida que o tirou do posto no evento de Newark. Para Strickland, a vitória no título consolida o resultado como uma quebra de expectativa e mantém o nome dele no centro do debate do cinturão dos médios. Já para Chimaev, a vontade declarada de revanche sugere que ele não aceita encerrar o assunto com um único duelo, o que pode influenciar diretamente as próximas decisões de rankeamento e de encaradas futuras.
- Strickland: sai com o cinturão dos médios após triunfo por decisão dividida, mas ainda carrega o peso do que foi dito na construção do evento.
- Chimaev: apesar da reconciliação pública, continua interessado em repetir o confronto, reforçando a chance de um rematch imediato.
- Sean Brady: externaliza a visão de que a rivalidade não deveria ser “neutralizada” com gestos amistosos após ataques pessoais durante o pré-luta.
Com isso, o UFC 328 não apenas definiu o campeão dos médios, como também reacendeu a discussão sobre rivalidades e coerência entre provocações e atitudes depois do apito final — enquanto Chimaev trabalha para transformar a derrota em uma nova oportunidade no caminho do cinturão.

