A volta de Gina Carano ao MMA, depois de uma longa pausa, terminou de forma rápida: apenas 17 segundos bastaram para que ela fosse derrotada no combate principal, quando foi finalizada por Ronda Rousey. Mesmo com o desfecho, a ex-lutadora não escondeu o orgulho do trabalho feito para retornar ao octógono, destacando tanto a preparação física quanto o caminho árduo para reencontrar uma rotina de atleta após anos longe das lutas.
Em seu primeiro pronunciamento público desde a derrota, Carano relembrou a intensidade do que viveu no dia do combate. Ela afirmou que entrou concentrada, sem medo, guiada por uma carga positiva de adrenalina, mas lamentou não ter conseguido sustentar o plano diante da agressividade de Rousey. Segundo a lutadora, a sequência acabou levando ao aperto do braço e, a partir do momento em que a finalização começou a se desenvolver, ela reconhece que teria sofrido uma lesão séria caso não tivesse cedido.
“Este foi um dos melhores momentos da minha vida no ringue”, escreveu Carano em publicação no Instagram. “Eu me senti totalmente travada no modo luta. Sem medo, apenas foco e uma adrenalina positiva. Obrigada à minha equipe. Meu coração estava pesado, eu queria atacar, lutar, vencer, mas eu chutei quando deveria ter me movido. Eu caí e a luta acabou. Se eu não tivesse desistido, o braço teria quebrado, porque já estava começando a estalar. A frustração de perder desse jeito é algo bem humilhante.”
Depois do resultado, Carano também revelou que conversou com Jon Jones, ex-campeão do UFC em duas categorias, que estava presente no evento de sábado. Ela disse que Jones ofereceu uma leitura diferente do que aconteceu e elogiou a coragem de voltar ao MMA depois de tanto tempo afastada.
“O Jon falou: ‘Você não lutava há 17 anos? Você sabe o tamanho das bolas que você precisa ter para voltar depois de tanto tempo? Você tentou bater algum recorde ou algo assim? Respeito!’”, contou Carano. “Foi exatamente o que eu precisava ouvir de alguém como ele, o melhor de todos os tempos. Isso me ajudou muito.”
Além de perder peso para a luta, a americana relatou que precisou retomar um campo de treinamentos pela primeira vez desde 2009. Para isso, ela buscou estrutura junto aos treinadores da Syndicate MMA, em Las Vegas, e passou grande parte do período se preparando para o confronto marcado contra Rousey.
Carano ressaltou que, para ela, a preparação talvez tenha sido tão significativa quanto o próprio resultado dentro do octógono. A lutadora descreveu o processo como extremamente difícil, citando uma rotina em déficit calórico por cerca de um ano, com treinos que lembravam “nadar rio acima” de tanto esforço.
“Eu fiquei em déficit calórico por um ano. Treinar parecia nadar o máximo possível contra a corrente”, afirmou. “Eu só consigo contar com os dedos de uma mão quantas vezes eu me senti bem durante os treinos. Foi, fisicamente, a coisa mais dura que eu já fiz: tirar o peso e, ao mesmo tempo, voltar a ser atleta. Eu senti como se estivesse em um experimento científico perdendo 100 libras. Toda semana existia a pressão de conseguir tirar só aquele pouco a mais. Eu aprendi tarde como fazer isso de um jeito mais saudável, mas foi um processo no limite.”
Ela também detalhou a parte burocrática e as exigências relacionadas ao peso e aos testes. Carano afirmou que a California Athletic Commission é uma das mais rigorosas do mundo, mencionando pesagens feitas com antecedência, exames adicionais e múltiplos testes antidoping. Segundo a lutadora, a checagem ocorreu tanto na semana anterior quanto no dia do combate, para confirmar o cumprimento das regras de reidratação.
“A California Athletic Commission é ótima e uma das mais exigentes do mundo. Eles me pesaram uma semana e meia antes da luta, com exames extras e escaneamentos, além de vários testes de drogas. A gente fez a pesagem e eles pesaram também na noite do combate para garantir que cumprimos as regras de reidratação, e eu passei com facilidade”, disse. “Eu precisava passar por essa luta para implementar mudanças permanentes no estilo de vida. E agora eu sinto que isso é só o começo. Mal posso esperar para ver até onde eu consigo empurrar meu corpo na próxima etapa.”
Mesmo após a derrota, Carano não fechou as portas para voltar a lutar. Ela aproveitou para elogiar pessoas ligadas à produção do evento e a forma como foi tratada nos bastidores, citando os cofundadores da MVP, Jake Paul e Nakisa Bidarian, além de fazer elogios ao espetáculo exibido na plataforma de streaming Netflix.
Por fim, ela também dedicou palavras a Rousey. Carano comentou que trabalhou de perto com a adversária para viabilizar o confronto e, em seguida, viu Rousey concretizar a luta com eficiência no sábado, na Califórnia.
“Estou muito feliz por o mundo ter a chance de conhecer esta versão da Ronda Rousey”, declarou. “Eu encontrei uma mulher incrível: esposa, mãe, filha, irmã e lenda. Eu adoro você, querida. Nós fizemos história de novo. Espero que a Most Valuable Promotions MMA e a Netflix sigam em frente, porque elas ARRASARAM. Com respeito onde há respeito. Foi uma experiência muito boa. Obrigada a TODOS por mostrarem apoio. É por causa de vocês que conseguimos encarar nossos medos e viver nossos sonhos.”
A luta
- Logo no início do duelo, Ronda Rousey conseguiu levar a brasileira para o chão ainda na primeira troca, colocando Carano em desvantagem cedo.
- Alguns segundos depois, Rousey encaixou a finalização com o braço, transformando o começo do combate em um caminho rápido para encerrar a luta.
- Com 17 segundos no cronômetro, o combate terminou com Carano sendo submetida.
O pós-luta
Em meio ao impacto do resultado, Carano afirmou que a derrota não diminui o valor do retorno e destacou o aprendizado do processo. Ela apontou a conversa com Jon Jones como um fator importante para reorganizar a percepção sobre a própria performance e reforçou que segue aberta a novos desafios no MMA.

