Strickland quebra a escrita e bate Chimaev na decisão dividida no UFC 328

Sean Strickland voltou a desafiar o roteiro e causou mais um grande impacto ao vencer Khamzat Chimaev por decisão dividida no UFC 328. Na linha de favoritismo, Chimaev abriu como um enorme postulante ao triunfo, na casa de -500, enquanto Strickland figurava como azarão a +375 — cenário que, de certa forma, já tinha sido repetido no passado recente, quando o “Tarzan” encarararia Israel Adesanya em 2023. Naquela ocasião, Strickland saiu da Austrália com o cinturão de Izzy, e a vitória foi ainda mais convincente diante de um adversário que parecia menos agressivo do que o normal. Só que desta vez, a leitura foi outra: Chimaev tentou impor seu jogo de quedas e controle, mas Strickland conseguiu neutralizar boa parte do plano de wrestling e transformou a disputa em uma luta mais de trocação — e, dentro desse cenário, quem levou a melhor nos momentos decisivos foi o americano.

O placar final deixou margem para debate. Sue Sanidad assinalou 48-47 para Chimaev, enquanto Sal D’Amato e Eric Colon registraram 48-47 para Strickland. O round mais contestado não foi o terceiro, como alguns poderiam supor, já que os três árbitros marcaram a terceira parcial para Strickland. O desacordo ficou na etapa final: Colon e D’Amato deram o quinto round a Strickland, ao passo que Sanidad viu vantagem para Chimaev.

No início do combate, todos concordaram que o primeiro round foi de Chimaev, decisão que fazia sentido diante do domínio do checheno na luta agarrada. Ele manteve Strickland preso ao solo e trabalhou com diversas tentativas de finalização por estrangulamento. Quando Strickland finalmente conseguiu ficar de pé, Chimaev respondeu da forma mais eficiente possível: levantou o adversário e o jogou de volta ao chão, retomando o controle logo em seguida.

O segundo round virou para Strickland. O lutador conseguiu impedir uma tentativa de queda, empurrou Chimaev e colocou o rival nas costas, virando o eixo da luta. A partir daí, Strickland sustentou o controle por vários minutos no topo e, mais tarde, ainda voltou a frustrar outra investida de queda, o que fez Chimaev cair de costas e abrir espaço para trabalhar a guarda. Novamente, a pontuação foi unânime: os três juízes indicaram vantagem do segundo round para Strickland.

A terceira parcial também ficou com Strickland. Chimaev abandonou as tentativas de derrubada e aceitou a troca em pé, e Strickland aproveitou para dominar no volume. Ele utilizou o jab de forma frequente para acertar seu ritmo, enquanto Chimaev tentava acompanhar a quantidade de ataques. Mesmo conseguindo sangrar o nariz de Strickland em algum momento, a percepção dos árbitros foi de que a produção de Strickland foi superior. Assim, os três juízes marcaram o round para o americano.

No quarto round, porém, o placar voltou a pender para Chimaev em todas as tabelas. Durante a maior parte da etapa, os dois ficaram na trocação, e a variação do ataque de Chimaev fez parecer que o estilo mais “linear” de Strickland perdeu força em comparação. Já perto do fim, Chimaev conseguiu levar o combate ao chão e controlou Strickland com eficiência, encerrando a rodada com a ação que lhe rendeu um ponto a mais.

O quinto round foi justamente o que gerou a divisão entre os juízes. Dois árbitros anotaram a vantagem para Strickland, enquanto um deles deu a parcial para Chimaev. O resumo do que decidiu a etapa passa pelo momento em que Chimaev voltou a tentar quedas e pela capacidade de Strickland de se defender ou se levantar imediatamente após as investidas. Com o combate novamente acontecendo em pé, Strickland ajustou a estratégia conforme o que seu corner orientou: ele passou a encaixar uma mão direita como complemento ao jab, acertando repetidamente.

Chimaev fez o máximo para responder golpe a golpe, mas Strickland construiu sua campanha no UFC com intensidade e volume, e foi justamente isso que apareceu com mais frequência no placar. Ainda que seja possível argumentar que Chimaev arremessou mais “calor” em determinados momentos, essa diferença não foi suficiente para dois dos três juízes virarem a decisão para o lado do checheno. No fim, Strickland seguiu surpreendendo mais uma vez e levou a vitória por decisão dividida no UFC 328, impedindo que o wrestling de Chimaev ditasse o ritmo do combate.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.