O UFC retorna a Macau, Região Administrativa Especial (SAR) da China, neste sábado (30 de maio de 2026), com o card “Song vs. Figueiredo” saindo do Galaxy Arena. O duelo que abre a noite — e que deve ser o grande destaque do Bantamweight — coloca Yadong Song frente a Deiveson Figueiredo em luta principal disputada em cinco rounds. No coevento, Alonzo Menifield encara Zhang Mingyang no peso-meio-pesado, com transmissão pelo Paramount+ nas faixas de preliminares e card principal.
Song x Figueiredo: o que está em jogo no Bantamweight
Há quem enxergue Song como um “quase” na corrida pelo topo. Apesar do talento e do repertório para virar ameaça real ao cinturão, o histórico recente sugere dificuldade quando a pressão aumenta. O lutador, nascido na China, iniciou a carreira com um cartel de 8-1-1, mas à medida que o nível dos adversários subiu, os resultados não acompanharam. As três derrotas mais recentes vieram contra Petr Yan (atual campeão dos 135 libras), Corey Sandhagen e Sean O’Malley — este último derrotou Song ainda este ano no UFC 326.
Atualmente na quinta posição do ranking, Song precisa vencer para não deixar o Top 5 escapar e para manter o nome vivo na conversa por disputa de título. Um triunfo grande sobre Figueiredo — ex-campeão e com experiência acumulada — pode elevar ainda mais o valor do cartel do chinês, especialmente por conta do peso do adversário no currículo. Por outro lado, uma nova derrota tende a reforçar a leitura de que “The Kung Fu Kid” não consegue impor seu ritmo contra nomes do mais alto nível.
Do lado de Figueiredo, o momento também não é confortável. O brasileiro vem de um período turbulento: é 1-3 nos quatro últimos compromissos, tendo sofrido derrotas para Yan e Sandhagen, além do revés mais recente para Umar Nurmagomedov no começo do ano. Para piorar o cenário, Figueiredo não bateu o peso naquela luta, o que adiciona um componente extra de cobrança para o momento atual.
O quadro é de queda em relação ao que ele já mostrou em fases anteriores. Ex-campeão do Flyweight no UFC, Figueiredo parecia pronto para uma sequência longa e consistente, mas após a mudança para o Bantamweight (135 libras) não repetiu o mesmo rendimento do período em que competia em 125. Ainda assim, existe uma janela clara: uma vitória relevante sobre Song pode empurrar o brasileiro de volta para o Top 5 e ajudar a apagar (ao menos parcialmente) as oscilações recentes. A expectativa, pelo estilo dos dois, é de luta com forte tendência ao combate em pé: ambos gostam de “trocar”, e o vencedor tende a subir a posição em uma divisão que está bem congestionada.
- Song (135 lb): atual número 5; três derrotas recentes para Yan, Sandhagen e O’Malley (no UFC 326).
- Figueiredo (135 lb): 1-3 nos últimos quatro; derrota mais recente para Umar Nurmagomedov com problema de peso.
- Impacto direto: vitória de cada lado pode projetar o nome de volta para a zona alta do ranking; derrota tende a dificultar a continuidade da corrida.
O card sofreu mudanças: desistências, substituições e ajustes de peso
Algumas lutas previstas para o evento não seguiram o planejado. No peso-meio-médio, um confronto entre Muslim Salikhov e Jake Matthews foi retirado do card depois que Salikhov desistiu por motivos não divulgados. Ele foi substituído por Carlston Harris, que chega pressionado por precisar recuperar terreno: vem de duas derrotas consecutivas e precisa vencer para retomar tração. Matthews, por sua vez, também teve seu momento interrompido: a sequência de três triunfos seguidos acabou com uma derrota após uma luta em que o adversário encontrou caminhos via finalização por submissão no jiu-jitsu de Neil Magny.
No peso-mosca, uma luta entre Rei Tsuruya e Jesus Santos Aguilar estava marcada, mas Aguilar acabou sendo retirado e, posteriormente, cortado do card por causa de uma lesão. O substituto foi Luis Gurule, que encerrou uma sequência negativa de três derrotas com uma vitória sobre Daniel Barez apenas duas semanas antes. Com a troca, o combate passou a ser disputado em 135 libras.
Tsuruya chega para o compromisso depois de viver a primeira derrota da carreira, superado por Joshua Van, que atualmente é campeão. Ou seja, o duelo também funciona como teste relevante para quem busca estabilidade e recuperação no curto prazo.
Estreantes, “necessidade de vitória” e quem pode ganhar tração no ranking
Macau também reserva espaço para estreias. Uma delas é Xiong Jingnan, ex-campeã do Strawweight feminino na ONE. Ela enfim fará sua estreia no UFC após construir boa parte da trajetória em outras organizações, somando um cartel de 10-1 no MMA profissional pela ONE, incluindo sete defesas de cinturão. O caminho mais curto para entrar no radar do ranking passa por Angela Hill: uma vitória sobre a veterana colocaria Jingnan diretamente na lista de observados. Para Hill, parar Xiong pode ser o tipo de ajuste que ainda mantém a carreira no eixo em um momento de resultados instáveis.
Dois outros estreantes entram em ação em combates que colocam frente a frente Meng Ding e Jose Henrique. Ding chega com cartel profissional de 35-9 e vinha de vitória no A1 Combat 30, evento ligado a Urijah Faber, em outubro do ano anterior. Henrique, por sua vez, tem 8-1 como profissional no MMA, com início de carreira há sete anos. Apesar do número positivo, ele não luta há quase dois anos, e isso pode pesar em termos de ritmo e adaptação para o padrão do UFC.
No Middleweight, a noite ainda terá um duelo de estreantes entre Luis Felipe Dias e Yi Sak Lee. Dias tenta começar a jornada no UFC em alta: vem de uma sequência de três vitórias e ganhou a vaga no Contender Series após triunfo por finalização. Lee sustenta um cartel de 8-1, com sete vitórias por interrupção, sendo seis delas ainda no primeiro round — um dado que sugere que ele tem capacidade de decidir cedo.
Outra estreia relevante envolve Rodrigo Vera, que finalmente recebeu o “chamado” para o grande palco. “El Gato” chega com retrospecto de 21-1-1 e vive um momento quente, com 13 triunfos consecutivos. Ele terá pela frente Kangjie Zhu, que está 3-0 dentro do Octógono. A leitura aqui é simples: Vera tenta impor o momento em uma estreia que já nasce com pressão por desempenho imediato.
Entre os preliminares, o card também traz lutas com objetivos bem claros. Cody Haddon garantiu sua vaga no UFC via Contender Series e, em pouco tempo, impressionou ao vencer sua estreia apenas dois meses depois. Agora, ele tenta manter a boa fase e fazer 2-0 no UFC diante de Aori Qileng. Qileng oscila no início de trajetória no UFC, com campanha de 4-5-1, e não pode desperdiçar mais uma oportunidade se quiser voltar a se consolidar. A tendência é de um começo mais agressivo para tentar “virar a chave” cedo.
Loma Lookboonmee teve uma sequência de quatro vitórias interrompida ao perder para Alexia Thainara, o que a obriga a recomeçar em busca de novo salto rumo a uma posição mais alta. A adversária dela, Jaqueline Amorim, também vinha em uma sequência de quatro triunfos quando foi superada por Mizuki Inoue nas decisões dos juízes no fim do ano passado.
Já em um dos combates com peso emocional, Kai Asakura chega para a terceira luta no UFC com a pressão de quem já sentiu o gosto da derrota duas vezes seguidas. O ex-campeão do Bantamweight no RIZIN entrou no UFC com expectativa alta e recebeu uma disputa de cinturão na estreia, mas foi derrotado por Alexandre Pantoja por submissão no segundo round. No compromisso seguinte, voltou a ser finalizado no segundo round, dessa vez por Tim Elliott. Com mais um tropeço podendo mudar o destino dele dentro da organização, Asakura precisa reagir contra Cameron Smotherman, que também vem de duas derrotas consecutivas. O confronto tem cara de “quem perder, sente o impacto” logo de cara.
Outros destaques do card: Menifield x Zhang, além dos duelos que mexem com o topo
No coevento, Alonzo Menifield enfrenta Zhang Mingyang em luta que pode reposicionar os dois na hierarquia do meio-pesado. Zhang começou a trajetória no UFC com quatro vitórias seguidas, todas por nocaute no primeiro round, mas viu sua primeira derrota acontecer ao encontrar Johnny Walker, que nocauteou Zhang no último encontro do UFC na China. Agora, Zhang tenta mostrar crescimento e aproveitar o fator de jogar diante do público local.
Menifield também chega com necessidade clara. Ele vem de derrota por nocaute, tendo perdido para Volkan Oezdemir no primeiro round em novembro, em Qatar. Os dois entram famintos por vitória, mas com cautela para não sofrer o segundo revés seguido, o que pode gerar um início mais estudado. Ainda assim, existe a possibilidade real de um confronto violento, porque ambos têm ferramentas para ameaçar em trocação.
O card ainda conta com Sergei Pavlovich contra Tallison Teixeira em um dos combates mais aguardados do programa. A divisão dos pesados tem andado mais morna nos últimos tempos, e o destaque fica por conta de nomes que realmente conseguem “fazer barulho” dentro do octógono. Pavlovich, nesse cenário, acumula sequência: vem de vitórias seguidas sobre Jairzinho Rozenstruik e Waldo Cortes-Acosta, além de ter experiência em lutas de cinturão — mesmo tendo perdido para Tom Aspinall em novembro de 2023. Para ele, vencer Teixeira é um impulso para voltar ao grande palco.
Teixeira, por outro lado, também pode ganhar muito com um resultado positivo. Ele tem 2-1 na carreira no UFC, com a única derrota tendo sido um nocaute sofrido por Derrick Lewis em apenas 35 segundos. Atualmente ranqueado na 15ª posição, Teixeira tem uma missão clara: se vencer o terceiro colocado da categoria, deve ganhar grande salto no ranking e se aproximar de uma chance por título.
Em outro confronto que mexe com o rumo da classificação, Alex Perez enfrenta Sumudaerji. Sumudaerji quase foi cortado após uma fase ruim, mas conseguiu virar o jogo com três vitórias consecutivas — todas levando a luta até o fim do tempo regulamentar. Isso o coloca com confiança em alta para encarar Alex Perez, que vem mostrando inconsistência nas últimas apresentações.
Perez começou no UFC com um cartel de 6-1 em seus primeiros sete combates, mas depois caiu de rendimento e ficou com 2-5 desde então. Ainda assim, ele conseguiu interromper uma sequência ruim de dois reveses ao vencer por nocaute Charles Johnson, quebrando o ciclo negativo. Agora, a meta é alcançar vitórias em sequência pela primeira vez em seis anos.
Programação e card completo do UFC em Macau
O UFC Macau terá transmissão pelo Paramount+, com preliminares previstas para começar às 4h (horário de Brasília) e o restante do card principal previsto para 7h. A luta principal é em 135 libras e acontece entre Yadong Song e Deiveson Figueiredo, com disputa em cinco rounds.
Card principal (Paramount+)
- 205 lbs: Alonzo Menifield vs. Zhang Mingyang
- 265 lbs: Sergei Pavlovich vs. Tallison Teixeira
- 135 lbs: Kai Asakura vs. Cameron Smotherman
- 170 lbs: Jake Matthews vs. Carlston Harris
- 125 lbs: Alex Perez vs. Sumudaerji
Luta principal (Paramount+)
- 135 lbs (5 rounds): Yadong Song vs. Deiveson Figueiredo
Preliminares (Paramount+)
- 185 lbs: Luis Felipe Dias vs. Yi Sak Lee
- 170 lbs: Meng Ding vs. Jose Henrique
- 135 lbs: Aoriqileng vs. Cody Haddon
- 125 lbs: Rei Tsuruya vs. Luis Gurule
- 115 lbs: Angela Hill vs. Jingnan Xiong
- 145 lbs: Rodrigo Vera vs. Kangjie Zhu
- 115 lbs: Loma Lookboonmee vs. Jaqueline Amorim

