Vicente Luque abriu um novo capítulo na carreira ao migrar para a categoria dos pesos-médios. Por anos, ele foi um nome constante no peso até 77 kg, figurando entre os principais concorrentes do UFC no meio dos meio-médios. Agora, o brasileiro tenta se adaptar ao desafio de encarar adversários 15 libras (aproximadamente 6,8 kg) mais pesados, dando início à sua trajetória na divisão.
Estreia nos médios e vitória por finalização
Luque, que chega ao cartel com 24-12-1 no MMA e 17-8 dentro do UFC, fez sua estreia como peso-médio no UFC 327, no começo deste mês. E o retorno ao novo peso teve um resultado positivo: ele finalizou Kelvin Gastelum no primeiro round do confronto, garantindo a vitória por submissão contra um veterano conhecido por ter construído boa parte do histórico na categoria anterior.
Apesar de ter começado com um ótimo desempenho, Luque enfrentou alguém que passou grande parte da carreira nos meio-médios e que, dentro do recorte dos médios, é visto como um atleta mais “leve” para a divisão. Ainda assim, o brasileiro enxerga que tamanho não deve ser um obstáculo determinante na sequência do seu trabalho.
Como Luque avalia a diferença de tamanho no dia a dia
Mesmo reconhecendo que não imagina ser o mais forte da categoria, Luque afirmou que a base técnica e o tipo de treinamento que vem realizando reduzem o impacto da diferença de porte. Para ele, o ambiente de treino já o coloca diante de atletas de maior envergadura e força, o que facilita a transição.
Experiências no camp com grapplers e strikers fortes
Em entrevista, Luque citou que tem lidado com variações de força e pressão no treino. Ele mencionou o grappler Reinier de Ridder como um exemplo de parceiro que oferece resistência e potência acima do comum, afirmando que já treinou bastante com o holandês e que, em alguns momentos, o poder do adversário pode “sobrecarregá-lo”, mas que ele consegue trabalhar posições e compensar com habilidades próprias.
Além disso, o brasileiro destacou Gregory Rodrigues, conhecido como “Robocop”, como um dos meio-médios mais fortes com quem já treinou e também como alguém que acerta com muita força tanto no jogo em pé quanto na parte de grappling. Luque disse que se acostumou com esse tipo de impacto e que não se vê sem ferramentas para lidar com o padrão da categoria.
Velocidade, timing e repertório como trunfos
Luque também reforçou que não está tentando se tornar “o mais forte” do plantel. A aposta, segundo ele, está em velocidade, bom timing e conjunto de golpes e fundamentos, tanto na trocação quanto no jogo no chão, para encontrar caminhos de vitória contra qualquer adversário. Na visão do lutador, a adaptação já começou e a confiança vem do pacote técnico e do tipo de confronto que ele tem enfrentado nos treinos.
Pesagem, corte e ganho de força no camp
Para voltar aos médios, Luque precisou fazer corte de peso. Ele ainda revelou detalhes da pesagem no dia do evento, indicando que estava bem acima do limite do peso anterior e que chegou ao novo patamar com sensação positiva.
Números e ajustes feitos por Luque
- Na noite de sábado, Luque disse que pesou cerca de 200 a 201 (libras) para a luta.
- Ele afirmou não ter uma referência exata de como é o peso que os atletas ficam nos médios, mas relatou ter se sentido “muito bem” e forte.
- O brasileiro disse que adicionou músculo durante o camp, porém sem transformar isso em foco principal da mudança de categoria.
- Segundo Luque, o objetivo era treinar mais pesado, com ajustes na força e no condicionamento.
- Houve ênfase em potência e construção de força, não necessariamente com foco direto em “ganhar volume”, mas com a ideia de ficar mais forte.
15 libras após a pesagem e planejamento para longo prazo
Mesmo com a vitória e com a margem de 15 libras (aproximadamente 6,8 kg) acima na recuperação após a pesagem, Luque entende que ainda existe evolução a ser feita no físico para consolidar a nova divisão. Para ele, a mudança de categoria é um processo e está apenas no início da etapa de construção corporal e desempenho sustentado ao longo das lutas.
Luque afirmou que vê tempo para moldar o corpo para a categoria dos médios, sem a intenção de “apressar” uma versão maior demais do que a que ele consegue executar com eficiência. A preocupação, segundo ele, é ganhar músculo a ponto de prejudicar performance mais adiante, principalmente em lutas de duração maior, como três rounds ou até cinco no futuro.
Na avaliação do lutador, se houver um aumento de musculatura de forma abrupta, pode ser difícil para o corpo se mover de maneira natural. Por isso, ele reforçou que quer construir a capacidade física de forma a manter velocidade e mobilidade ao longo do tempo de combate, mantendo o repertório que o levou ao sucesso no octógono.

