Youssef Zalal ainda não se vê “gritando” por uma chance de disputar cinturão neste momento, mas seu próximo adversário, Aljamain Sterling, deixou claro que acredita que deveria estar lutando pelo título de penas com mais rapidez. Às vésperas do duelo entre eles no main event do UFC Vegas 116, neste sábado, Zalal reconheceu que a corrida pelo próximo desafiante na divisão ainda está, em tese, aberta, já que ninguém foi oficialmente escalado para enfrentar o atual campeão, Alexander Volkanovski. Do outro lado, Sterling tem se mostrado bastante barulhento em relação ao desejo de chegar ao topo, ainda que chegue ao confronto contra o brasileiro apenas embalado por uma vitória na última luta.
Mesmo assim, Zalal entende por que Sterling, que completa 37 anos em julho, está tão firme em tentar avançar de etapa agora. Para o lutador, a presença de um adversário no caminho é parte do jogo do ranking, e ele vê o rival como um dos nomes mais perigosos da categoria, independentemente da idade. “Eu sou o obstáculo para ver exatamente quem vai receber a chance de título. É respeito”, disse Zalal. “Não vou culpá-lo, só vou dizer isso: pela idade que ele está e pelo tempo que resta, eu não acho que eu consiga culpá-lo. E eu ainda penso que ele é o cara mais perigoso mais velho dessa divisão. Ele e [Alexander Volkanovski] são, na minha visão, dois dos atletas mais perigosos. Justamente porque eles são tão bons em uma coisa só ou tão bons em tudo.”
O brasileiro completou que o foco dele é outro, voltado para sua própria preparação e execução. “Esse é o caminho dele. Eu não sei como é a vida dele. Tudo o que eu posso fazer é focar em mim e focar no que ele vai colocar na mesa, e no que eu também vou colocar. Esse é o meu foco principal.”
Uma derrota seria um golpe pesado para o plano de Sterling de entrar na briga por disputa de cinturão, mas Zalal também sabe que o mesmo vale para ele — principalmente depois de ter construído uma sequência impressionante desde o retorno ao UFC. Atualmente, o lutador acumula cinco vitórias seguidas, e nas duas apresentações mais recentes derrotou adversários ranqueados entre os 15 primeiros do ranking. Se Sterling vencer novamente neste sábado, o duelo contra Zalal vira, para ele, a terceira barreira desse tipo na sequência recente.
Apesar disso, Zalal faz uma ressalva importante: vencer nem sempre basta quando entra no processo de escolha de quem recebe a próxima chance de título. Para ele, o caminho passa por algo a mais do que apenas sair com o resultado. “Eu estou tentando roubar a cena antes de qualquer outra pessoa”, afirmou. “Esse é o meu plano. Eu acho que é isso que eu estou procurando. O caso do Josh Emmett: eu fui lá e finalizei ele; e aí o Kevin [Vallejos] nocauteou. Isso roubou um pouco a cena. Então eu tenho que sair e roubar a cena também. Eu penso que essa é a batalha do momento. Eu acho que é o passe dourado para a minha chance de título.”
No papel, Zalal e Sterling aparecem como dois dos principais grapplers da categoria de penas, e isso frequentemente abre espaço para um confronto em que a trocação acontece, mas com a disputa de controle no chão sempre rondando a luta. Como ambos tendem a não abrir mão de espaço na parte baixa, a tendência é que o octógono vire um tabuleiro de tentativas de quedas, transições e buscas por posição, com os dois tentando evitar que o outro ganhe vantagem.
Zalal, por sua vez, diz estar preparado para qualquer cenário, mas admite que teria um peso extra se conseguisse, de fato, dominar as trocas de grappling com Sterling. O “ponto final” perfeito, porém, seria conquistar uma finalização — e ainda com o detalhe de virar o primeiro adversário a colocar Sterling para desistir, ou a “apagar” o norte-americano com alguma finalização. Se a ideia dele é pular etapas na disputa por título com mais uma vitória, Zalal enxerga que não existe forma melhor do que terminar o combate por finalização.
Com a motivação em alta para essa possibilidade, ele reforçou o quanto a luta representa um objetivo pessoal. “Para mim, essa luta me deixa animado. É isso que é o quebra-cabeça. Eu quero ser o primeiro cara a finalizar ele. Isso é o que me empolga sobre tudo isso”, disse. “Às vezes esse é um esporte meio delusório, mas você também precisa ser real. É uma luta de cinco rounds. Eu estou pronto para os cinco rounds. Vou estar preparado para o grappling. Vou estar pronto para testar meu jogo de chão e testar minha trocação. Que história seria isso! Eu finalizei Josh Emmett — só o segundo a fazer isso. Finalizei Billy [Quarantillo], o único que fez isso até hoje. [Finalizando] Aljamain Sterling, eu seria o único a fazer isso. Eu acho que o livro seria lindo.”

