Sterling x Youssef Zalal no UFC Vegas 116: previsão e como chega o duelo

Aljamain Sterling e Youssef Zalal se enfrentam nesta noite de sábado, 25 de abril de 2026, em Las Vegas (Nevada), no Meta Apex, pela edição UFC Vegas 116. O duelo coloca frente a frente um “Funkmaster” em nova fase na categoria de penas e um lutador que voltou ao circuito com força total e, desde então, emplacou uma sequência impressionante de vitórias, com forte participação das finalizações. A leitura estratégica do confronto gira em torno do quanto Sterling conseguirá impor quedas e controle, enquanto Zalal tenta administrar a distância e punir as entradas com joelhadas e contragolpes na pedreira.

UFC Vegas 116: Sterling x Zalal e o que o resultado pode mudar no ranking

O caminho de Sterling na divisão de penas parece ter começado da forma mais favorável possível: após três lutas no novo peso, ele soma duas vitórias e uma derrota. A única vez em que não saiu com o resultado veio em uma decisão bem disputada contra Movsar Evloev, que segue invicto. Esse contexto é importante porque Sterling já “entrou no radar” do topo: uma apresentação forte contra um adversário em crescimento pode recolocá-lo no grupo de nomes que discutem posição na fila.

Do outro lado, Zalal chega com um momento que chama atenção até quem acompanha a divisão com frequência. Ao regressar ao circuito regional, ele “rejuvenesceu” o ritmo competitivo e, retornando ao octógono, construiu uma série de cinco vitórias consecutivas, sendo quatro delas por finalização. A mensagem é clara: a evolução recente de “Moroccan Devil” não é só de resultados — é de execução, principalmente no jogo de submissão.

  • Sterling: 2 triunfos em 3 no peso de penas; única derrota em decisão para Movsar Evloev (invicto).
  • Zalal: 5 vitórias seguidas no retorno ao UFC; 4 finalizações nesse período.

Com isso, o impacto no ranqueamento depende do “tipo” de vitória. Se Sterling vencer com autoridade, a narrativa favorece um candidato que consegue transformar sua base de quedas em resultados decisivos — mesmo enfrentando um oponente perigoso na trocação e com capacidade de encerrar lutas. Se Zalal confirmar o favoritismo, a leitura tende a reforçar que ele não é um “nome em ascensão” apenas por números: é um lutador que tem ferramentas para sobreviver ao wrestling e, ao mesmo tempo, converter oportunidades em finalizações.

Como Sterling pode vencer: quedas, pressão e controle com inteligência na grade

A receita mais natural para Sterling é clara: tentar levar o combate para baixo. Esse estilo — combinação de wrestling escolar com jogo de finalização — é raro no cenário atual, e Sterling tem sido um dos poucos que seguem carregando essa proposta quase como marca registrada. Além disso, ele também aparece como um striker competente, ainda que em alguns momentos sua forma de atacar na trocação pareça menos “limpa” do que eficiente.

O problema é que Zalal não é um alvo fácil para o plano de quedas. O marroquino apresenta dois obstáculos centrais: movimentação lateral e joelhadas bem calibradas no timing. Isso muda a dinâmica porque Sterling não pode simplesmente “martelar” chutes à distância como se o adversário fosse incapaz de lidar com o alcance. Zalal também trabalha bem o território de striker, o que obriga Sterling a escolher melhor o momento de avançar.

Por consequência, o jogo na grade deve ser decisivo. Sterling precisa de corte de caminho e pressão com boxe sem transformar a aproximação em uma corrida suicida. A ideia não é disparar avançadas e cair em contragolpes — nem “atirar” quedas de forma descuidada que terminem colidindo com uma joelhada. O plano sugerido é estender sequências, usar os chutes para limitar o giro de Zalal e, quando encurralar na cerca, tentar abrir caminho para a entrada de dupla queda com jab e finta.

Outro detalhe estratégico para Sterling aparece como caminho para a queda: pegar o timing dos chutes do adversário. A lógica é que, ao apostar em ataques com força — como chutes potentes — e antecipar a resposta, Sterling pode impedir que Zalal jogue joelhadas enquanto está em um pé só, criando janelas para a transição ao wrestling.

Como Zalal pode vencer: controle de distância, contragolpes e ameaças do jiu-jitsu

Youssef Zalal tem um estilo que privilegia leitura e execução em distância. A proposta descrita para ele é de “cirurgião”: seleção inteligente de golpes, administração de espaço e capacidade de levar o oponente a conexões pesadas sem se expor demais. A arma que mais aparece nesse tipo de luta é a joelhada interceptadora, mas o arsenal não para aí — chutes e socos retos também são ameaças relevantes.

Além da trocação, Zalal carrega um componente que pesa no papel: ele é faixa-preta no jiu-jitsu e tem 10 vitórias por finalização no cartel. Isso significa que, mesmo que Sterling consiga derrubar, o caminho para o controle total não é garantido: Zalal tem meios de transformar posições em risco real de finalização.

O confronto também tem um “duplo freio” para quem enfrenta o Funkmaster. A dinâmica mencionada é que, se Zalal quiser ficar rodando demais, ele tende a acabar sendo conduzido para a cerca, ir para baixo e encontrar a pressão de topo do ex-campeão. Por outro lado, se Zalal ficar parado e decidir ser mais ousado nas respostas, Sterling pode “anular” a trocação com esquivas e, novamente, colocar o adversário no cenário problemático de encurralamento e controle.

Com isso, o desafio de Zalal é andar num equilíbrio fino. Duas áreas são destacadas como caminhos relativamente mais seguros para ele buscar sucesso:

  • Neutralizar os chutes de Sterling: como Sterling lança um volume alto de golpes “sem proteção” na perna, Zalal pode bloquear, devolver e ainda manter o adversário fora de posição para desenvolver o wrestling.
  • Punir entradas e tentativas de quedas: Sterling, apesar do wrestling, acaba sendo descrito como alguém que sofre com tentativas de ser surpreendido, inclusive quando cai em posições de controle na frente da cabeça. A ideia é que Zalal use seu jiu-jitsu para ameaçar a região do pescoço e, em determinados momentos, marcar um timing de joelhada enquanto Sterling recua para voltar em pé.

Em outras palavras: Zalal precisa transformar a movimentação e as reações de Sterling em oportunidades de contra-ataque, enquanto tenta evitar que o combate vire um “ritual” de pressão contínua por cima.

Previsão para o UFC Vegas 116: decisão de Zalal e o teste do ritmo de Sterling

A análise final aponta problemas recorrentes no jogo de Sterling que, historicamente, ele conseguiu “esconder” por conta do nível atlético e pela capacidade de transitar no grappling de forma fora do comum. Mesmo assim, há um ponto específico levantado: no peso de penas, ele passa a enfrentar adversários com porte mais semelhante — e não um salto de tamanho que sempre favoreça suas particularidades.

Também é citado que Sterling tende a ser mais suscetível a fadiga, que sua trocação costuma ter mais disposição do que refinamento técnico e que os chutes lançados sem cobertura podem deixá-lo em situações ruins. A aposta, no entanto, é que essas falhas fiquem mais evidentes ao longo de um combate de cinco rounds, especialmente contra um lutador jovem e em melhor fase técnica.

O cenário descrito para a previsão é de um duelo em que Zalal consegue ser competitivo na maior parte do tempo, explorando os vazamentos do plano de Sterling e mantendo o controle de distância e as ameaças do chão para não deixar o ex-campeão “comandar o filme” desde o início. A conclusão projetada é:

Previsão: Zalal vence por decisão.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.