Eddie Alvarez acredita que Justin Gaethje tem condições de surpreender Ilia Topuria e, com isso, conquistar o cinturão dos pesos-leves do UFC de forma incontestável. Para o ex-campeão do UFC e do Bellator, porém, o “The Highlight” precisa manter disciplina e executar um plano bem amarrado para atravessar a invencibilidade do espanhol.
Gaethje pode virar o jogo? Alvarez vê disputa “de qualquer lado”
- Alvarez enxerga Gaethje capaz de causar a zebra contra Topuria
- O ex-campeão ressalta que Gaethje precisa ser disciplinado para vencer a luta
- Ele acredita que o combate pode ter desfecho imprevisível
Alvarez conhece Gaethje de perto. Ele foi o responsável pela primeira derrota do americano no MMA dentro do UFC, ainda em dezembro de 2017, no UFC 218. Agora, o ex-campeão vê Gaethje tentando repetir a façanha diante de Topuria, que chega com campanha invicta e números que impressionam: 17-0 no cartel e 9-0 no UFC.
Apesar da confiança, Alvarez reconhece que Gaethje parte como azarão significativo nas casas de apostas. Mesmo assim, ele afirma que o lutador tem ferramentas para equilibrar a disputa e transformar o favoritismo do campeão em algo menos confortável.
O que Alvarez diz sobre o estilo de Topuria e o “erro” que Gaethje não pode cometer
- Alvarez relata ter visto informações sobre como Topuria lidaria com Gaethje
- Ele teme que Gaethje perca “as referências dos olhos” durante as trocas
- Para Alvarez, Topuria mantém postura que facilita ataques e reduz riscos
Em sua análise, Alvarez destacou um recorte que viu recentemente envolvendo orientação sobre como Topuria enfrentaria um adversário como Gaethje. Segundo ele, o nível de precisão dos pontos discutidos foi “assustador”, especialmente ao tratar da forma de conduzir as trocas e do que fazer para neutralizar a entrada do oponente.
Alvarez também conectou isso ao próprio planejamento de camp. Ele disse que, durante sua preparação, tentou entender como enfrentar um lutador que entra no centro e te obriga a discutir dentro do alcance. Para o ex-campeão, a chave está em não permitir que Gaethje perca a atenção no tempo do confronto.
“Justin perde um pouco os olhos”, comentou Alvarez, explicando que isso não pode acontecer contra Topuria. De acordo com o norte-americano, o campeão sustenta uma postura considerada “bonita” e extremamente funcional para atacar, mantendo-se sempre pronto para acertar, sem abrir espaço para desorganização visual e timing perdido.
Alvarez ainda apontou um detalhe técnico: Gaethje teria dificuldade ao tentar usar uma cobertura pesada (“hard cover”). Na leitura do ex-campeão, o “The Highlight” não pode depender disso; ele precisa ser capaz de encarar Topuria na troca e acertar enquanto o adversário decide entrar.
Para o confronto, a lógica apresentada por Alvarez é clara: quando Topuria iniciar a troca, Gaethje precisará entrar junto para buscar o nocaute. O americano, na visão dele, não terá como apenas se mover para fora e “ganhar ângulos” o tempo todo, porque a dinâmica do combate deve empurrar os dois para um confronto de trocação contínua, golpe a golpe.
O mesmo raciocínio vale para Topuria, segundo Alvarez: quando Gaethje for, Topuria também terá de ir junto para tentar finalizar. A leitura do ex-campeão é que a luta vai mostrar quem sustenta melhor o compromisso de troca para marcar um nocaute.
Plano inicial: foco nas chutes na perna de apoio
- Alvarez considera crucial atacar a perna da frente de Topuria nos primeiros minutos
- Chutes devem forçar mudança de postura e reduzir potência das combinações de boxe
- Gaethje precisa se colocar em perigo com controle para executar o plano
Alvarez também destacou a importância de Gaethje investir em chutes para atacar a perna líder de Topuria logo no começo. A ideia é forçar ajustes na postura e diminuir a força por trás das sequências de boxe do campeão.
Ele admitiu que não é uma tarefa simples, mas reforçou que o caminho passa por Gaethje colocar-se no raio de risco — característica recorrente ao longo da carreira — só que de maneira calculada, sem exagerar e sem perder a estrutura necessária para sobreviver ao ritmo de Topuria.
Retorno aos chutes na canela e tentativa de transformar a luta
- Alvarez recomenda que Gaethje volte a usar chutes na canela
- Ele diz que Topuria é pesado no pé da frente por gostar de boxear
- Chutes fortes podem mudar o rumo do combate e surpreender o público
Na reta final de sua análise, Alvarez sugeriu um direcionamento ainda mais específico: Gaethje deveria retornar aos chutes na parte interna e externa da perna, que costumam causar impacto e “quebrar” o ritmo do oponente. Como Topuria, segundo o ex-campeão, tende a ficar mais carregado no pé da frente por preferir o boxe, a estratégia de mirar as pernas pode alterar a equação do duelo.
Alvarez afirmou que, se Gaethje voltar a desferir chutes danosos, pode transformar a luta em algo que muita gente não está esperando. Para ele, é exatamente isso que precisa ser feito para transformar o confronto em uma briga real — e não apenas em um cenário onde o favorito controla o tempo.
Fechando o raciocínio, Alvarez deixou uma mensagem direta: o público não deve subestimar Justin Gaethje. Mesmo com o favoritismo de Topuria e a pressão de começar como azarão, ele acredita que o “The Highlight” ainda pode complicar e decidir a luta.
Topuria e Gaethje se enfrentam no UFC Freedom 250 em 13 de junho, em Washington, com transmissão no Paramount+.

