Jake Paul quer pagar como diz e compara cifras de Ronda Rousey no UFC

Jake Paul voltou a tocar no tema de pagamento aos atletas e, desta vez, a conversa ganhou contornos ainda mais concretos ao ser feita em um programa com uma estrela do UFC. Ao lado de Jorge Masvidal no podcast “Death Row MMA”, Paul afirmou que está disposto a “colocar dinheiro onde diz” — e usou como exemplo valores ligados a um evento histórico do MMA na Netflix, que terá Ronda Rousey e Gina Carano como atrações principais.

Paul compara pagamentos e dispara sobre Rousey e Topuria

Durante o papo com Masvidal, Paul foi questionado sobre como a remuneração prevista para o primeiro card de MMA da Netflix, marcado para este sábado em Los Angeles e encabeçado por Rousey e Carano, se compara aos pagamentos do UFC. O empresário e lutador respondeu de forma direta, levantando uma comparação que colocaria a régua bem acima do que o campeão do UFC estaria ganhando.

“O que eu posso dizer é o seguinte: eu sei quanto a Ronda Rousey está recebendo para esse evento, e é muito mais do que o Ilia Topuria ganha por lutar”, afirmou Paul.

Topuria, campeão invicto dos pesos-leves do UFC, fará a próxima defesa do cinturão em um confronto de unificação contra Justin Gaethje. O duelo está programado para o dia 14 de junho, no main event do UFC White House. Embora seja improvável que os salários sejam divulgados nesse tipo de evento, a expectativa é de que Topuria seja muito bem remunerado por competir diante do presidente do UFC, Donald Trump, além de autoridades, convidados e VIPs.

Com a declaração, Jake Paul também elevou a expectativa: caso a informação dele seja levada ao pé da letra, Rousey receberia mais do que o atual campeão dos leves para sua apresentação na Netflix — criando uma narrativa de “diferença de valor” entre as plataformas e os modelos de negócio.

Remuneração do “card” e a tese de Paul: pagar mais muda o esporte

O questionamento seguiu para outra frente: como seriam pagos os lutadores menos conhecidos escalados para o evento. Paul, porém, não quis cravar números exatos e preferiu manter o tom em forma de comparação.

“Sem dúvida, é bem mais do que o UFC, e bastante”, disse ele.

Masvidal, que se aposentou em 2023 em Miami após uma derrota para Gilbert Burns no UFC 287, concordou com a ideia geral de que os principais atletas precisam ser melhor remunerados. Ainda assim, o americano trouxe uma explicação sobre como enxerga o funcionamento do sistema de pagamentos adotado na organização.

“Eu gosto da forma como você está vendo isso, mas, sendo bem honesto, na minha época… quando eu lutava era algo como ‘12 e 12’ ou ‘4 e 4’ — ainda assim, isso ficava várias vezes acima do que você ganha na cena regional”, afirmou Masvidal. “É um bom dinheiro quando você chega lá. Só que a grande mudança que precisa acontecer é mais ou menos quando você já está no top 10, top 15.”

Para Masvidal, o início da carreira faz sentido dentro do modelo, porque o atleta precisa provar valor. Ele argumentou que, quando o lutador sai da base e chega ao grupo mais competitivo, aí sim a remuneração deveria acompanhar a relevância esportiva.

“No começo eu não tenho problema, porque você tem que conquistar o seu espaço, né? Você tem que mostrar que é ‘o creme’ que subiu a partir dessas novas contratações. Você vence os seus colegas e aí entra na categoria melhor. É nessa hora que eles têm que começar a pagar mais”, declarou.

O ex-campeão interino também disse que o sistema pode “pegar” alguns nomes no meio do caminho, criando uma faixa intermediária em que a compensação poderia ser mais justa — sem deixar de lado a necessidade de manter os lutadores motivados e competitivos.

“Às vezes, quando você está no meio da tabela, eu sinto que esses caras poderiam ser compensados um pouco melhor. Mas, no começo, a gente precisa descobrir quem realmente é bom. Você não pode simplesmente sair pagando a ‘maleta’ para alguém só porque ele está 6-0, e aí você olha o cartel e vê que ele lutou contra adversários sem expressão nenhuma”, explicou Masvidal.

Na sequência, ele reforçou que o modelo precisa preservar a fome do atleta até que a liga consiga medir quem realmente vende ingressos e quem tem nível para competir em alto patamar.

“Então eu acho que tem que manter eles com fome nessa etapa até a gente determinar quem vende bilheteria ou quem de fato consegue lutar”, completou.

Paul rebate: mais dinheiro atrai talentos e reduz “bicos”

Paul respondeu sustentando que pagar melhor não é apenas uma questão de recompensa, mas também uma forma de melhorar a qualidade do elenco. Na visão dele, com salários mais altos, os atletas teriam menos necessidade de manter outras atividades paralelas entre os treinos.

“A diferença é que isso criaria um talento melhor e lutadores melhores, porque eles não precisariam estar trabalhando em outros empregos entre as sessões de treinamento”, disse Paul.

O dono da Most Valuable Promotions também argumentou que, ao reduzir a necessidade de “bicos” e rotinas fora do esporte, o MMA ganharia fôlego no longo prazo — com mais gente conseguindo se dedicar integralmente à preparação.

“Então esse é o argumento: se as pessoas que ganham o mínimo não precisarem ir ser professor, porteiro, trabalhar para uma empresa de logística ou fazer qualquer outra coisa, tudo isso… o esporte vai crescer no longo prazo. Vai aparecer mais talento”, acrescentou.

Próximo passo de Masvidal: “ainda estou com o UFC”, mas com conversas em curso

Com a entrevista avançando, Masvidal entrou no modo descontraído ao brincar com Paul sobre uma possível parceria futura com a MVP. Mesmo assim, ele deixou claro que ainda está sob contrato com o UFC e que o que vem pela frente depende de acertos formais.

“Não, eu ainda estou com eles. A gente vem conversando há um tempinho”, respondeu Masvidal quando questionado sobre o futuro. “A gente vai anunciar as notícias… eu não sei quando. Mas tem algumas coisas que a gente está trabalhando, cozinhando por aqui. Só precisamos esperar algumas pessoas assinarem contrato. Mas eu acho que a gente já tem algo grande praticamente encaminhado. Quando essa pessoa assinar, eu acho que vão avisar todo mundo.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.