NEWPORT BEACH, Califórnia — Em geral, quando um desafiante conquista o cinturão, a dinâmica muda: ele deixa de ser o caçador e passa a ser o alvo. Com Khamzat Chimaev, porém, a história é diferente.
Mesmo depois de assegurar o título peso-médio do UFC, Chimaev segue encarando a primeira defesa de maneira muito parecida com a que sempre adotou. Em vez de transformar o duelo do UFC 328 contra o ex-campeão Sean Strickland em uma espécie de “missão para proteger o ouro”, o atleta acredita que continuará como o mesmo predador agressivo — e a explicação está nos objetivos que ele coloca na frente do cinturão.
Durante um encontro com a imprensa em um media scrum no JAXXON House, Chimaev detalhou por que a conquista do cinturão não altera o pensamento que o guia antes das lutas.
“Ainda sou o caçador. Eu não vou atrás do cinturão. Se eu fosse atrás do cinturão, eu finalizaria minha carreira. Eu já tenho o cinturão. O que eu busco é o dinheiro”, afirmou Chimaev.
Na visão do lutador, o título do UFC veio como consequência do seu histórico invicto. Para ele, o objeto não carrega peso emocional e não cria pressão. Assim, Chimaev se coloca como um lutador movido por prêmio, mas sem permitir que o cinturão desvie o foco ou mude a forma como ele monta a preparação.
“Não, eu não me importo com o meu cinturão. Eu não preciso ser o campeão nem no treino. Eu tenho que ser uma pessoa normal, trabalhando todo dia”, disse.
No UFC 328, Chimaev encara Strickland no evento principal para tentar encerrar uma rivalidade que ganhou contornos de atrito. Alguns anos atrás, os dois chegaram a dividir o mesmo espaço de treino. Agora, a troca de provocações de Strickland se tornou mais instável, com ameaças envolvendo violência caso ocorram desentendimentos antes do início da luta, no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey.
Chimaev não se incomoda com o que Strickland chama de “palhaçada”. Para o campeão dos 185 libras, o cenário segue como rotina de profissão. Mesmo que existam tentativas de atingir o lado emocional do adversário, o atleta não pretende mudar nada e, muito menos, vai estudar o jogo de Strickland de forma diferente do que faria com qualquer outro rival no octógono.
“Por que eu deveria me importar com o que o cara vai fazer? Se você é o caçador, então ele não precisa saber onde está a ‘briga’. Você só vai atrás do cheiro. Vai lá, pega ele, come ele. É isso”, finalizou Chimaev.

