Darren Till explica por que decidiu o bare-knuckle e afirma que já era certo

Darren Till deixou claro que, em sua decisão de entrar no bare-knuckle, o fator financeiro pesou mais do que ele imaginava. Depois de anos dizendo que não tinha interesse em migrar para o boxe sem luvas e cogitar um possível duelo com Mike Perry, o ex-desafiante ao cinturão do UFC assinou um contrato com múltiplas lutas pelo BKFC.

Antes disso, Till já havia comentado que o nível de agressões sofridas por muitos atletas do bare-knuckle o deixava com o pé atrás. Mesmo com estudos indicando que lutadores sem luvas tendem a registrar menos lesões graves e menos concussões do que quem compete no MMA ou no boxe, ele seguia preocupado com o estrago na aparência.

O que mudou para Darren Till assinar com o BKFC

  • O dinheiro, segundo o próprio Till, foi decisivo na decisão.
  • David Feldman teria conduzido as conversas com ele e com a equipe.
  • Till afirma que se encaixa no estilo que o BKFC exige e diz estar em boa forma.
  • Ele reconhece que o bare-knuckle pode dar certo, mas também pode “dar ruim”.

Em entrevista, Till explicou que a mudança veio quando sua conta bancária “ganhou alguns zeros”, tornando a oportunidade difícil de ignorar. Ele também citou o papel de David Feldman, que teria conversado com seu manager, sentado com a equipe e reforçado que “era a hora” e que a proposta combinava com o perfil do lutador.

O britânico se descreveu como um atleta de boxe, especialista em combinações de socos, com mãos fortes e grande capacidade de acertar. Ao mesmo tempo, ele deixou a cautela no ar: disse que poderia ser um encaixe perfeito, mas que há sempre a possibilidade de dar errado.

Preparação e mentalidade para o primeiro combate

Antes do debut no BKFC, Till relatou que migrou para o boxe e teve bons resultados em competições pelo Misfits. Ele estava mirando desafios maiores na modalidade quando o BKFC voltou a procurá-lo com uma oferta que ele considerou irrecusável.

Agora, na reta do primeiro compromisso, o lutador afirma ter assumido o bare-knuckle como foco total e feito o máximo para se preparar. Till disse que tem ao lado um parceiro que já realizou 13 lutas nesse formato, alguém com experiência real para orientar o caminho.

Sobre a postura dentro do octógono (no caso, o palco do bare-knuckle), Till afirmou que a “atitude de resposta” precisa ser agressiva e direta. Para ele, é inevitável apanhar, sofrer cortes e sentir dor, então a melhor forma de encarar o desafio é com confiança e sem ansiedade.

O ex-atleta do UFC resumiu sua visão dizendo que o medo principal é levar pancadas e sofrer cortes. Ainda assim, ele não vê isso como motivo para perder o sono, repetindo que a confiança está alta e que a abordagem é “vamos ver no que dá”.

Retorno ao MMA: porta aberta, mas cenário improvável

Com o bare-knuckle dominando sua atenção e a esperança de, no futuro, conquistar um título mundial no boxe, Till continua recebendo perguntas sobre uma possível volta ao MMA. Ele garante que deixou o UFC em bons termos e que, em algum momento, planejou um retorno, mas admite que isso pode ter mudado.

Com 33 anos, Till reconhece que não dá para competir para sempre. Ainda que se considere no auge físico, ele admite que existe uma boa chance de sua última luta no MMA já ter acontecido.

Nas declarações, Till comentou que teve seu período no UFC e “não foi tão mal”. Ele também citou o tempo no Misfits e disse que queria migrar para o boxe profissional, mas que a proposta do BKFC foi grande demais para recusar.

Ele ainda avaliou a evolução do MMA e sugeriu que o esporte se transformou muito desde a era de nomes históricos. Segundo Till, quem não está no ritmo diário corre o risco de ficar para trás, citando como exemplo Khamzat Chimaev, que segue um trabalho constante.

Apesar de não fechar totalmente a porta para um retorno ao MMA, Till foi direto ao afirmar que a chance é baixa. Ele disse que não dá para “dizer nunca” na vida, mas que existe um componente pessoal que o incomoda: a busca pelo cinturão mundial, que ainda não veio.

Por ser de Liverpool, Till relembrou que há dois lutadores locais que disputaram título mundial e ainda não conseguiram levá-lo. Ele mencionou Paddy Pimblett, que teria lutado por um título interino, e Till lembrou que ele mesmo chegou a peitar o cinturão e também buscou o undisputed, mas sem conquistar. Para ele, esse “espinho” pode virar motivação — embora o caminho pareça longo.

Mike Perry, BKFC e o objetivo do “confronto final”

No planejamento do BKFC, Till teria como estreia um confronto direto contra Mike Perry. Contudo, a luta não se concretizou quando Perry optou por fechar um compromisso com a Most Valuable Promotions de Jake Paul, enfrentando Nate Diaz.

Após a vitória de Perry nesse duelo, ainda não houve confirmação do que vem a seguir para o atleta. Till não crava quando o combate contra Perry acontecerá, mas reforça que não pretende seguir para outro compromisso enquanto a luta não for marcada.

Ele disse que pretende ficar no bare-knuckle até o momento do confronto. Till também indicou que, se precisar fazer mais lutas para chegar ao caminho do duelo com Perry, vai aceitar o processo, condicionando a realização do confronto a vitórias consecutivas de ambos.

Por fim, Till destacou que vai encarar Perry “no território dele”, chamando o adversário de “rei da violência”. Ele afirmou que precisa tomar o título do oponente e projetou a chance de o confronto ser fechado ainda até o fim do ano, quando, segundo ele, a briga deve ser encerrada “no centro do ringue”.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.