Joaquin Buckley encara Sean Brady no UFC 328 e busca embalo nos meio-médios

Joaquin Buckley terá a chance de seguir escalando na categoria dos meio-médios ao enfrentar Sean Brady no UFC 328, neste fim de semana. O duelo, que ganhou novos contornos de programação e calendário, agora acontece diante de um grande público no Prudential Center, em Newark, no estado de New Jersey.

Da Fight Night ao UFC 328: mudança de cenário e a chance no card principal

Inicialmente, Buckley e Brady deveriam encabeçar um evento de Fight Night previsto para o mês passado, no Meta APEX. Porém, a luta entre os dois foi ajustada para um combate de três rounds e acabou realocada para o card principal do UFC 328. Com isso, os atletas agora dividem a atenção do público em uma arena grande, em um dos eventos numerados do Ultimate.

Apesar de reconhecerem a importância do compromisso no card do UFC 328, Buckley admitiu que sente falta do protagonismo tradicional de uma luta de main event. Ainda assim, o americano destacou o valor de disputar uma luta em um ambiente que tende a lotar, mirando mostrar ao UFC e ao mundo o que ele representa no esporte.

“Eu gosto de ser o evento principal. Gosto de estar no cartaz. Gosto de ser o show principal, o motivo para as pessoas irem ver. Mas é o que é. Poder lutar em uma arena esgotada — e eu acredito de verdade que vai esgotar — é uma oportunidade excelente para mostrar ao UFC e ao mundo o meu valor”, afirmou.

Como Buckley chega para o duelo com Brady

O meio-médio vive um momento importante na trajetória de Buckley. Ele emendou seis vitórias consecutivas e avançou rumo ao grupo de elite da divisão. Entretanto, uma derrota por decisão em 2025 para o ex-campeão dos meio-médios Kamaru Usman freou o ritmo e colocou uma pausa no impulso recente.

Logo depois, quando recebeu o chamado para enfrentar Brady, Buckley teve contato direto com o próprio adversário anterior: Usman. A ideia, segundo o lutador, foi aproveitar a experiência do campeão para aprimorar aspectos específicos para o combate.

Encontro com Usman e o trabalho em busca de evolução

Buckley relembrou que, enquanto estava em Houston, teve a luta com Brady anunciada no mesmo momento. Pouco depois, Usman entrou em contato com ele, oferecendo apoio e treino conjunto para a preparação.

“Foi doido. Eu estava em Houston fazendo meu trabalho e, na hora, eles anunciaram minha luta com o Brady. E antes de eu perceber, o Usman apareceu e falou comigo. Ele disse: ‘Ei, parabéns pela luta. Me avisa se você quer se juntar pra treinar. Eu adoraria treinar com você (e) te ajudar nessa luta’. Então, eu tive que aproveitar a oferta do próprio campeão. Voei para a Flórida e fui fazer esse trabalho”, contou.

Perspectiva técnica: força no chão, poder e estratégias para o octógono

Com a preparação ganhando mais camadas a partir desse período com Usman, Buckley entende que pode organizar o próprio jogo e entregar um desempenho completo. Ele também comentou que seus treinamentos anteriores já tinham um foco claro: ele vinha se preparando para rivais com forte presença de wrestling, como Colby Covington e Usman. Agora, a missão é lidar com outro adversário que tende a trabalhar muito no solo — e Buckley enxerga isso como um teste para mostrar variedade.

“Eu consigo mostrar pra todo mundo qual é o meu nível. Eu sei que o Sean Brady é bem pesado no grappling. Mas a força dele no chão está em uma ou duas coisas específicas. Então eu também consigo colocar meu repertório pra aparecer nessa luta e mostrar que eu sou um lutador completo”, disse.

Buckley é conhecido pelo ritmo intenso e pela capacidade de gerar perigo com potência na divisão de 170 libras. Ao observar as duas derrotas de Brady na carreira — para Belal Muhammad e Michael Morales — o lutador acredita ter identificado onde a própria força pode ser mais efetiva.

O que Buckley espera explorar no jogo de Brady

O brasileiro? Não — aqui, o foco é Joaquin Buckley. Ele argumenta que, apesar de Brady ter sido finalizado por Muhammad e Morales, ninguém conseguiu nocautear o atleta, o que, na visão dele, pode ser um elemento que Brady tenta neutralizar ao longo da preparação.

“Não é só entender onde dá pra usar. Eu vou fazer mais do que o Michael Morales fez, ou mais do que até o Belal fez, certo? Os dois conseguiram finalizar o Sean Brady, mas ninguém nunca conseguiu nocauteá-lo. Eu acho que isso é uma coisa que o Sean Brady está tentando preparar pra isso, e ele quer se manter seguro. Então ele vai forçar a tentativa. Ele vai forçar várias posições ruins, e isso de novo vai fazer com que ele fique olhando pras luzes do show”, afirmou.

Ranqueamento, objetivos e a visão de Buckley para a sequência

Em 2026, a divisão dos meio-médios segue lotada, e Buckley se enxerga entre os nomes mais fortes. No momento, ele ocupa a nona posição no ranking oficial da categoria, mas disse que não deixa que esse número vire distração. Para ele, o principal é voltar a competir com regularidade e retomar o caminho até os títulos.

“Primeiro de tudo, eu preciso vencer. Mas como eu fiquei um bom tempo parado, eu quero me ver competindo o máximo possível, entende? Fica mais difícil quando você sobe no ranking e você quer ser campeão mundial. Mas, por agora, parece que isso não é o objetivo final. O meu objetivo final é competir, se divertir e fazer dinheiro… Eu estou gostando de ver que tem movimento acontecendo. No fim das contas, eu acredito de verdade que o UFC vai tomar uma decisão sobre quem vai lutar pelo cinturão na sequência. E, quando essa decisão for tomada, é aí que as coisas vão começar a andar do jeito certo”, declarou.

Na análise sobre o cenário da divisão, Buckley citou a chegada de novos nomes no radar. Ele mencionou Carlos Prates, que teria causado impacto ao derrotar JDM de forma que ninguém esperava, e apontou que o desempenho pode colocá-lo diretamente na briga por uma disputa de título. Buckley também lembrou Ian Garry, que já havia vencido Prates anteriormente, reforçando a necessidade de o UFC escolher com quem o campeão deve enfrentar.

“Você tem o Carlos Prates agora, que fez aquilo com o JDM do jeito que a gente nunca tinha visto antes. E ele tem capacidade de falar por onde vai ser o próximo passo dele como desafiante ao título. E você tem alguém como o Ian Garry, que bateu o Carlos Prates antes. Então o UFC precisa escolher quem eles querem que lute pelo título, e as coisas vão se mover de maneira natural, como deveriam”, acrescentou.

Ingressos, foco na vitória e meta no top 5

Com a realização do UFC 328 em grande escala e a expectativa de uma arena cheia, o evento segue movimentando o interesse do público. Buckley, por sua vez, mantém a mira na tarefa imediata: vencer Brady.

Segundo ele, a vitória pode abrir portas para encostar nos principais nomes da divisão. Ainda assim, o lutador afirmou que não está dando peso extra ao contexto externo e quer apenas recuperar sua posição entre os mais bem ranqueados, especialmente quando o ranking for atualizado na semana seguinte.

Objetivo principal de Buckley

  • Alvo imediato: vencer Sean Brady e conquistar a próxima colocação na divisão.
  • Meta no ranking: tentar ocupar o lugar do adversário, ficando na faixa do top cinco.
  • Frase do próprio lutador: “Eu só quero o lugar dele. Número seis. Número seis no mundo.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.