Joseph Larcinese vê caça a finalização no UFC: atletas em busca de chance

Quando o UFC desembarca em uma cidade-sede, costuma haver uma mobilização intensa da principal promoção local da região. A expectativa é que o evento da semana de lutas atraia não apenas fãs, mas também atletas do próprio cartel e executivos da organização, que acompanham de perto possíveis talentos em busca de novas oportunidades.

Em janeiro, durante a passagem do líder do MMA por Sydney para o UFC 325, a maior companhia australiana do ramo, a Eternal MMA, organizou uma noite de lutas na véspera, no Royal Randwick Racecourse. O show contou com três disputas de cinturão e também com nomes em ascensão dentro do elenco da organização.

O primeiro combate valendo título daquela programação aconteceu na categoria dos moscas. Na ocasião, Anthony Drilich, ex-participante da Contender Series ligada ao UFC, encarou Joseph Larcinese, que chegava invicto e apontado como uma promessa.

O golpe que abriu a porta para o “Road to UFC”

Já perto do fim do terceiro round, Larcinese conseguiu uma finalização que interrompeu a luta a seu favor, garantindo sua primeira grande vitória naquele contexto e elevando o cartel para 5-0. Com isso, ele passou a enxergar um caminho claro para chamar a atenção de quem decide oportunidades no topo da pirâmide: o executivo do UFC Hunter Campbell, presente do lado oposto do octógono para observar o desempenho.

Em conversa após o combate, o australiano explicou que a mensagem para o dirigente foi direta: aquilo que ele entregou no octógono era exatamente o que ele pretende mostrar sempre — um atleta que entra para vencer, com mentalidade de ataque e a busca constante por finalizações.

“Depois do fim da luta, eu senti que foi uma atuação ‘eu’, sem tentar ser nada além do que eu sou. Eu pensei: ‘isso tem que ser alguma coisa’. Após uma semana ou duas, veio um sinal — a gente sente que pode estar perto. Às vezes você acha que ‘talvez já tenha sido o suficiente’. Só que aí era treino direto para Macau, e no fim deu Macau e o Road to UFC”, afirmou Joseph Larcinese.

Agora, nesta sexta-feira, Larcinese volta ao foco do público na estreia da Temporada 5 do torneio de moscas. O adversário será Ryoga Arimoto, outro nome de projeção do Japão. Dentro da chave, Larcinese entra como um dos lutadores invictos, mas também como o atleta com menos rodagem no grupo, com 27 anos. Para ele, a estrutura do campeonato vira uma chance valiosa de provar o valor de verdade e, ao mesmo tempo, ganhar tempo de aprendizado dentro do octógono.

“São três lutas para o UFC ficar comigo”

Ao tratar do desafio, o mosca australiano destacou que encara o torneio não como “um atalho”, mas como um processo. A ideia, segundo ele, é que as lutas façam o UFC perceber de forma mais sólida o que ele consegue sustentar ao longo do tempo.

“Eu estou vendo isso como três lutas e, depois disso, o UFC vai ter que lidar comigo por um tempo. No começo eu pensei: ‘ah, são três lutas para entrar no UFC’. Só que quando a gente sentou e conversou, entendeu que isso é exatamente o que eu preciso nesse momento da minha experiência, porque eu treino MMA há só quatro anos”, disse Larcinese.

“Eu realmente gosto do desafio de fazer três lutas em um ano. Muita gente que vem da Contender Series vai lá, faz um show, assina contrato rápido. Aqui eu tenho que conquistar meu espaço para chegar ao UFC — e, quando eu chegar, eu vou estar pronto”, completou.

Treinamento, ambiente e a confiança que não vira ilusão

Fazer luta de forma consistente é um exercício mental complexo. O atleta precisa caminhar numa linha delicada entre autoconfiança e delírio: acreditar que consegue vencer qualquer adversário a qualquer momento, mas sem esquecer que uma luta pode virar em segundos — e que praticamente ninguém foge de uma derrota em algum momento da carreira.

No caso de Larcinese, ele afirma que viveu os dois lados dessa equação. Ele treinou ao longo de toda a trajetória ao lado de Josh Culibao, ex-lutador do UFC na divisão dos penas, e também acompanhou de perto a passagem de campeões anteriores da Eternal MMA para o maior palco do esporte, com continuidade de resultados.

“Antes mesmo de começarmos a treinar, eu e meu irmão já olhávamos a Eternal e falávamos: ‘seria muito legal um dia estar lá’. Agora é como você disse: quando a gente chega e vê os caras virarem campeões e depois irem pro UFC e terem sucesso, dá para entender que a gente está fazendo algo certo”, relembrou Larcinese.

Entre os nomes que passaram pela organização e seguiram até o octógono, aparecem atletas como Jack Della Maddalena, ex-campeão dos meio-médios, além de nomes que seguiram crescendo no cenário como Quillan Salkilld, Casey O’Neill, Steve Erceg, Tom Nolan e outros integrantes do card ao longo dos anos.

Modelo de preparação e a “descarga” de conhecimento

Larcinese também descreveu como enxerga o funcionamento da Eternal MMA, comparando o ritmo do ambiente com o que ele entende como parte da experiência do UFC. Segundo ele, a companhia oferece etapas importantes para o desenvolvimento: vivência de bastidores, entrevistas e a exposição que ajuda o atleta a encarar pressão.

“A Eternal, do jeito que eles tocam a promoção, parece com o que é o UFC. Ela te dá a experiência certa: as sensações, as entrevistas, o foco no momento. Tem sido muito bom”, afirmou.

Ele ainda explicou o papel de Culibao no processo. Nos primeiros anos de treino, ele e o irmão acompanharam de perto a rotina do colega e tentaram ajustar o próprio volume e intensidade. Mais do que copiar, a busca era evoluir para além.

“Nos dois primeiros anos, eu e meu irmão só assistíamos tudo que o Josh faz. Enquanto a gente conseguir fazer tudo aquilo em termos de quantidade de treino e intensidade, a gente vai estar indo na direção certa. Depois veio a ideia de tentar fazer mais do que ele o tempo todo. Esse foi o maior impulso. Se você é o melhor cara da sala, a não ser que você esteja estudando o que os outros fazem, você nunca vai descobrir o que é necessário para chegar naquele nível. Foi só acompanhar cada sessão e absorver”, completou.

Cartel perfeito e foco em finalizar no Macau

Esse planejamento e a evolução dentro do cage já renderam resultado. Até aqui, Larcinese venceu nove lutas seguidas no total e mantém aproveitamento de 100% de finalizações como profissional. Com esse histórico, ele chega a Macau neste fim de semana com o objetivo de levar ainda mais do seu estilo característico para o torneio e, em consequência, para a divisão de moscas do UFC.

“Eu acho que vocês podem esperar isso: não confundam meu apelido com o que ele sugere. Eu sou um lutador bem diferente do que o nome faz parecer”, brincou Larcinese. Ele relembrou que a alcunha surgiu de forma bem-humorada alguns anos atrás, quando foi dada durante um período de lutas amadoras — e acabou pegando de vez.

“Esperem agressividade, esperem uma luta de verdade, esperem alguém caçando finalização. Não é sobre vencer rounds, nem sobre pontuar. É sobre quebrar o adversário e procurar a finalização. É isso que todo mundo deve esperar quando vir meu nome no card”, afirmou.

Foi exatamente esse comportamento que ele mostrou em janeiro e também foi o tipo de promessa que ele levou ao executivo Hunter Campbell na entrevista após a vitória. Agora, não há motivo para acreditar que a postura será diferente nesta sexta-feira, quando Larcinese inicia seu caminho no Road to UFC.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.