Melquizael Costa muda de fase no UFC: 2025 traz nova arrancada no octógono

Melquizael Costa não começou a trajetória no UFC com o ritmo que o aguardava. Contratado para o elenco em janeiro de 2023, o brasileiro não conseguiu decolar logo de cara: ele perdeu dois dos três primeiros compromissos no período inicial e, ao longo de 2024, acabou limitado a apenas uma luta, vencida, que o levou a um cartel de 2-2 na organização.

A partir de 2025, porém, Costa encontrou o caminho. Em quatro apresentações, ele emplacou quatro vitórias — incluindo dois triunfos por finalização sobre Andre Fili e Morgan Charriere — e passou a chamar atenção como um dos nomes mais promissores da categoria. A sequência continuou em 2026, quando o lutador, de 29 anos, se tornou o primeiro adversário a parar o veterano Dan Ige ao encaixar um chute giratório de costas, que definiu a luta.

Com isso, a divisão passou a olhar para Costa com mais seriedade, e ele agora ganha a chance de encabeçar um evento pela primeira vez. No dia 16 de maio, na Meta APEX, em Los Angeles, o brasileiro enfrenta Arnold Allen, presença constante no topo do ranking dos penas. O compromisso marca o primeiro desafio de maior visibilidade da carreira dentro do octógono.

Antes de entrar no octógono para a caminhada final da noite, alguns pontos ajudam a entender por que Melquizael Costa se tornou uma aposta tão interessante. Apesar das duas derrotas no início de sua passagem pelo UFC, ele segue invicto quando compete na divisão dos penas. As lutas contra Thiago Moises e Steve Garcia aconteceram em 155 libras, então, quando o assunto é o peso de 145, Costa mantém campanha perfeita: são sete vitórias dentro do octógono, com quatro finalizações e dois bônus de performance.

Quando Costa sobe ao ringue, a tendência é que ele tente resolver antes que a pontuação seja determinante. No total, ele soma 26 triunfos profissionais e 17 deles vieram por interrupção do combate: nove nocautes e oito finalizações. E, como seus 11 resultados no primeiro round indicam, o plano costuma ser agressivo logo cedo, buscando vantagem assim que identifica o momento. Além disso, o repertório de finalizações é variado: são três estrangulamentos de costas, dois heel hooks e um mata-leão estilo anaconda. Entre as outras possibilidades, ele também tem finalizações com torção de crânio (face crank) e guilhotina, mostrando que não depende de apenas uma via para vencer.

O índice de paradas dentro do UFC acompanha o que ele já apresentava antes de chegar à organização. Quatro das sete vitórias na companhia terminaram por interrupção, reforçando que o brasileiro não é apenas um lutador que busca trocação ou quedas isoladas, mas alguém que transforma oportunidades em finalizações.

Recentemente, Costa recebeu uma conquista importante para o lado do grappling: ele foi promovido à faixa preta no jiu-jitsu brasileiro. Ao longo do tempo no UFC, ele já vinha demonstrando domínio no chão, e agora soma oficialmente esse marco ao currículo. No mesmo contexto, ele também já possui faixa preta de muay thai, conquistada sob a orientação de João Emilio, pela Chute Boxe.

Em conversa com seu perfil de atleta, Costa também comentou que não tem uma finalização preferida. O brasileiro foi além ao dizer que guarda “algumas finalizações malucas” que ele não mencionaria, reforçando a ideia de que seu arsenal ainda tem espaço para surpreender.

Fora do octógono, um tema marcante na vida do lutador é a vitiligo, condição de pele que faz a pigmentação desaparecer devido ao impacto do sistema imunológico nas células responsáveis pela produção de melanina. Costa já explicou que, quando era mais novo, a condição foi um motivo para bullying, e ele afirmou que o problema não vinha apenas de outras crianças: muitos pais impediam a convivência e afastavam os filhos em vez de permitir a interação. Hoje, ele encara a doença como parte da identidade e chegou até a mudar o apelido para “The Dalmatian”, referência às brincadeiras que sofreu durante a infância.

Segundo o próprio lutador, a luta o ajudou a ganhar confiança. Ele contou que, quando ainda era criança, havia confusão entre vitiligo e hanseníase, o que piorava o preconceito. Para Costa, o combate virou o ponto de virada: em determinado momento, ele sentiu que a atenção negativa foi ficando menos relevante, e isso passou a existir mais no campo mental do que no mundo ao redor. Conforme ele começou a competir com mais frequência, as pessoas diminuíram a preocupação com as manchas na pele, e ele encontrou espaço para se desenvolver sem carregar esse peso.

Agora, o objetivo de Melquizael Costa é usar sua história para inspirar. Ele afirmou acreditar que pode ser exemplo para crianças do mundo inteiro e que pretende manter essa postura, incentivando pessoas que convivem com a mesma condição a seguir em frente.

No fim, a principal fonte de motivação do brasileiro está ligada à família. Costa cita como maior inspiração o irmão mais velho, que sempre acreditou nele quando o lutador começou a treinar, mas morreu em um acidente em 2013. Atualmente, ele vive com a esposa e os filhos — uma filha e um filho — e se descreve como alguém simples, que gosta de jogar videogame e viajar em família.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.