Melquizael Costa encara Arnold Allen no UFC Vegas 117 em busca de afirmação

Melquizael Costa chega para a sua primeira luta de 2026 embalado por um dos melhores momentos da carreira. O brasileiro, que em 2025 viveu um ano de grande ascensão, vai liderar o card do UFC Fight Night 276 neste sábado no Meta APEX, em Las Vegas, contra Arnold Allen, mirando a consolidação definitiva como um nome de topo na divisão. Além do foco esportivo, Costa também sustenta um objetivo pessoal: inspirar pessoas que convivem com vitiligo e reforçar mensagens de aceitação e confiança.

Reviravolta no UFC e sequência que o colocou no radar

O caminho de Costa no UFC começou com dificuldades: ele estreou na organização com um cartel de 1-2. Ainda assim, conseguiu “salvar” o contrato ao vencer a quarta luta do seu vínculo promocional de entrada. A partir do momento em que foi recontratado, o cenário mudou e o brasileiro encontrou regularidade, transformando desempenho em resultados.

Desde então, Costa construiu uma sequência impressionante: são seis vitórias seguidas. A mais recente aconteceu ao nocautear Dan Ige dentro de um round, mostrando potência e capacidade de decidir rapidamente quando encontra a janela. O lutador credita essa fase ao trabalho do time Chute Boxe Joao Emilio, destacando ajustes constantes no treinamento e o peso dado à preparação física e técnica.

  • Cartel no MMA: 26-7
  • Cartel no UFC: 7-2
  • Sequência atual: seis vitórias consecutivas
  • Última vitória: nocaute em um round sobre Dan Ige

Em entrevista, Costa foi direto ao atribuir o momento ao suporte do grupo. Ele ressaltou que os treinadores e companheiros fazem correções ao longo do camp, e que o fator determinante passa por condicionamento e execução técnica, além de manter a cabeça focada para entrar em campo com o plano de vencer.

Ranqueamento e corrida por cinturão: Allen como degrau decisivo

Com 29 anos, Costa trata a carreira como uma lista de metas. Primeiro, ele queria entrar no UFC; depois, queria ser cabeça de cartaz. Agora, o passo seguinte é se tornar um contender, e ele enxerga a luta contra Arnold Allen como o ponto de virada para acelerar essa trajetória ainda mais.

O brasileiro afirma que o objetivo para o ano anterior era lutar quatro vezes e cumprir o que havia traçado, e que, em 2026, quer manter ritmo e elevar o nível: a proposta é atuar três vezes e disputar o cinturão. Para colocar esse plano no trilho, ele já encontrou pela frente um adversário experiente e ranqueado, e agora, no sábado, encara Allen, tratando o confronto como um aumento claro de exigência.

Ao projetar o futuro, Costa deixa claro que a vitória sobre Allen poderia colocá-lo diretamente em uma posição de disputa por título. O contexto é relevante porque o jogo muda quando um atleta em sequência consegue atravessar um nome de alto nível, e Allen representa justamente esse tipo de teste: alguém capaz de medir tanto a capacidade de trocação quanto a resistência e o controle de ritmo ao longo das trocas.

Possível rota ao título e o papel de Alexander Volkanovski

Se Costa vencer Allen e realmente abrir caminho para uma chance de cinturão, ele demonstra cautela ao imaginar quem seria o campeão adversário. O brasileiro afirma que não acredita que enfrentaria Alexander Volkanovski imediatamente, sugerindo que o atual dono do cinturão poderia ter como próximo compromisso Evloev. Costa também levanta a possibilidade de que Volkanovski decida encerrar a carreira antes de uma nova luta, o que faria com que o brasileiro buscasse o título contra outro oponente.

Mesmo com essa leitura de cenário, existe um desejo pessoal que permanece vivo: Costa diz que sonha, sim, em lutar contra Volkanovski. Ele sustenta que, se o campeão quiser encarar o brasileiro antes de se aposentar, seria “prazeroso” para ele concretizar esse duelo.

Independentemente do que acontecer no sábado, o momento tem peso para Costa além do resultado dentro do octógono. Ele afirma que sempre buscou as maiores e melhores plataformas para competir, mas também para ampliar uma mensagem que considera importante: usar sua visibilidade para inspirar pessoas e incentivar aceitação para quem é diferente.

Em 2022, antes de estar consolidado no UFC, Costa já falava sobre a intenção de aumentar a conscientização e promover acolhimento para pessoas que fogem do padrão. Essa causa ganha dimensão ainda maior porque ele convive com um distúrbio autoimune chamado vitiligo, condição que afeta a pigmentação da pele.

Quatro anos depois, Costa se tornou uma das figuras mais visíveis da causa em escala global. Ele relata que recebe muitas mensagens, inclusive de pais que dizem ter filhos com vitiligo e que, por vergonha, não querem sair de casa. Segundo o lutador, ao verem exemplos como o dele e entenderem que é possível alcançar objetivos, muitas dessas pessoas ganham coragem.

Costa também comenta que uma das formas de reforçar sua mensagem é a maneira como ele entra no octógono com músicas infantis, conectando o momento à ideia de que a próxima apresentação deve ser aproveitada por todos. Para ele, esse tipo de escolha funciona como um convite à confiança e ao acolhimento.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.