Francis Ngannou sempre demonstrou interesse em medir forças com Jon Jones. O queniano acredita que o UFC nunca encarou o desejo dos dois com a mesma seriedade, mesmo quando a ideia do confronto ganhou força nos bastidores e virou assunto constante entre fãs do MMA.
O desejo antigo e a “quase” mudança de divisão
Durante o período em que Ngannou foi campeão dos pesos pesados do UFC, de março de 2021 até janeiro de 2023, a possibilidade de um duelo com Jon Jones se tornou um tema recorrente. Isso porque o veterano do peso-meio-pesado chegou a provocar uma escalada para a categoria acima, alimentando discussões sobre um possível encontro entre os dois nomes.
Ngannou e Jones chegaram a pressionar publicamente para que a luta acontecesse, mas, na prática, nenhum contrato chegou a ser enviado. Em diferentes momentos, o presidente do UFC, Dana White, atribuiu responsabilidades aos dois lados pelo confronto não ter se concretizado.
Negociações após o título: dinheiro, poder de barganha e a porta do boxe
Depois de defender o cinturão dos pesos pesados com sucesso no UFC 270, em janeiro de 2022, Ngannou passou a buscar uma nova negociação contratual. A expectativa não era apenas garantir um grande pagamento e manter viva a possibilidade de enfrentar Jones, mas também conseguir margem para planejar lutas de boxe — um caminho que, para ele, teria valor estratégico fora do octógono.
As partes não chegaram a um acordo. Um ano mais tarde, Ngannou foi liberado para atuar em regime de liberdade contratual.
Ao explicar o que acredita ter acontecido nos bastidores, Ngannou afirmou que a única razão pela qual executivos do UFC teriam trazido o nome de Jones como possibilidade seria para convencê-lo a retornar.
O que Ngannou disse sobre “ser usado como isca”
Questionado por uma entrevista sobre não ter conseguido concretizar um confronto com Jon Jones, Ngannou respondeu que não se sente frustrado. Para ele, a luta “nunca esteve realmente sobre a mesa”.
O lutador ainda completou que a sensação de Jones como “opção” surgia apenas quando o nome do campeão era utilizado como atrativo para pressionar o seu retorno ao UFC, comparando a estratégia a uma espécie de isca.
Jones sobe, Ngannou muda de rota e a luta marcada
Enquanto Jon Jones conseguiu, de fato, fazer a transição para os pesos pesados e conquistou o título em uma segunda divisão no UFC, Ngannou seguiu outro caminho. Ele assinou com o PFL, onde competiu apenas uma vez, antes de encerrar vínculo em março.
Agora, Ngannou tem retorno previsto às atividades quando enfrenta Philipe Lins no evento “Rousey vs. Carano”, que acontece no Netflix em 16 de maio.
Contrato, justiça na negociação e a chance de um reencontro
Com a próxima luta, Ngannou presumivelmente voltará a ter liberdade para negociar. Embora um retorno ao UFC pareça improvável neste momento, ele não descartou uma reunião com Jones caso exista lógica e benefício para todos os envolvidos.
Ngannou também reforçou sua visão sobre contratos: para ele, o problema não é assinar acordos, e sim como eles são utilizados. O lutador declarou que, quando assina, tem compromisso em cumprir a parte combinada. Na leitura de Ngannou, se as duas partes entregam o que foi pactuado, não há motivo para manter o relacionamento apenas por obrigação — e, na verdade, um bom contrato deveria abrir caminho para continuidade e novas renovações.
Ele ainda afirmou que, quando recebe um contrato, analisa e só assina se estiver correto e justo, destacando que essa é a linha que considera essencial.
Quem Ngannou quer enfrentar antes de encerrar a carreira
Mesmo com a possibilidade de um novo encontro ainda distante, Ngannou deixou claro que, caso as circunstâncias o coloquem novamente sob o mesmo “teto” promocional, Jon Jones segue sendo o adversário que ele mais quer colocar no currículo antes de encerrar a carreira.
O ex-campeão disse que Jones é a luta que realmente deseja antes da aposentadoria. Fora isso, ele afirmou que não tem preferência específica: desde que seja uma luta, tanto faz o nome do oponente.
Por fim, Ngannou explicou que não enxerga o confronto como algo que “definirá” toda a trajetória, mas, se tivesse que escolher um último grande capítulo, a decisão seria por Jon Jones — “vamos fazer isso e ir para casa”, como resumiu.

