Próximo passo no octógono: o que esperar dos vencedores do MVP MMA 1

Jake Paul e seu grupo deram mais um passo para ocupar espaço no MMA na noite de sábado, 16 de maio de 2026. O evento MVP MMA 1 aconteceu no Intuit Dome, em Los Angeles, Califórnia, com transmissão pela Netflix e um card que teve como principal chamariz uma luta feminina de peso pena. No programa, houve também um coevento que ganhou rapidamente o status de “apagão” para o adversário: Mike Perry dominou Nate Diaz e a interrupção veio após o canto perceber que a situação tinha saído do controle.

Apesar de ainda não estar claro se a promoção terá fôlego para um ciclo prolongado ou se será um caso pontual, os vencedores do card principal deixaram pistas importantes sobre o que pode acontecer em seguida — dentro do ecossistema do MVP e, em alguns casos, fora dele.

Antecedentes

O show começou com um duelo de peso pena que, na prática, teve pouco equilíbrio. A expectativa era de um combate competitivo, mas Ronda Rousey tratou de mostrar que ainda tem timing e impacto para encurtar lutas. Já no co-main, a história foi ainda mais direta: Perry entrou com agressividade, impôs o ritmo e deixou Diaz em condições de não conseguir continuar com segurança.

A luta

  1. Ronda Rousey vs. Gina Carano (peso pena): Rousey avançou com controle e, em 17 segundos, finalizou com finalização por chave de braço (armbar), atropelando a adversária desde o início.
  2. Mike Perry vs. Nate Diaz (peso meio-médio): Perry tomou conta do octógono e dominou o confronto por 10 minutos, deixando Diaz visivelmente machucado e sangrando. Diante do cenário, o corner optou por encerrar a luta.
  3. Francis Ngannou vs. Philipe Lins (peso pesado): “O Predador” venceu por nocaute após dominar a luta e, logo na sequência, tratou de mirar um novo alvo: Jon Jones.
  4. Salahdine Parnasse vs. Kenneth Cross (peso leve): em sua estreia nos EUA, o francês não deu espaço e eliminou Cross com nocaute técnico no 1º round.
  5. Robelis Despaigne vs. Junior dos Santos (peso pesado): voltando ao MMA após ficar sem lutar desde a liberação do UFC no fim de 2024, Despaigne anotou um nocaute no 1º round sobre Junior dos Santos.

O pós-luta

Ronda Rousey (vencedora) deixou claro que a vitória reforçou a ideia de que ela está encerrando de vez a carreira de lutadora. A mensagem, porém, não soa como desligamento do MMA como negócio. Com a possibilidade de Jake Paul e a equipe levarem o MVP adiante, Rousey pode virar uma espécie de “voz” e imagem do projeto, já que ela demonstrou vontade de atuar no comando e na promoção do evento — citando o desejo de ser a referência da franquia, nos moldes do que Dana White representa no UFC. Ela ainda comemorou no pós-luta com falas sobre aumentar a família.

Mike Perry (vencedor) voltou a confirmar o que o público já espera dele: violência direta e capacidade de transformar pressão em punição. O triunfo deixou Nate Diaz em um quadro de sofrimento evidente, com o confronto interrompido porque o corner decidiu encerrar. Perry também tem caminhos abertos fora do MVP: sua relação com o BKFC é mencionada como um ponto de retorno às próprias raízes, e o texto lembra que ele já vem construindo uma parceria de trabalho com Jake Paul — não só no boxe, mas também por ter participado do primeiro evento de MMA do grupo. Com o elenco da promoção ainda descrito como enxuto, a matéria ressalta que o “matchmaking” interno pode ser limitado; ainda assim, há um nome que chama atenção para um desafio imediato.

Quem aparece como alternativa forte para Perry é Salahdine Parnasse. No card, Parnasse destruiu Kenneth Cross com nocaute técnico no 1º round e, no pós-luta, chamou Perry para uma luta. Para que o duelo aconteça, a movimentação de categoria seria necessária: o confronto contra Perry exigiria que Parnasse subisse para o peso meio-médio. A indicação é que, apesar de tudo depender de negociação e agenda, a chance de o MVP marcar esse combate para a sequência do projeto existe.

Francis Ngannou (vencedor), por sua vez, após eliminar Philipe Lins por nocaute, foi direto ao ponto ao pedir uma luta contra Jon Jones, adversário que ele afirma desejar há algum tempo. O texto registra que Jones estava presente no local e reconheceu o chamado, dizendo que gostaria de colocar o combate em pé — mas que precisaria de uma liberação para sair do vínculo existente. A matéria aponta que esse será um obstáculo relevante, já que a tendência é de que contratos sejam respeitados com rigor. Nesse cenário, o impasse jurídico pode virar o principal fator para decidir se Jones e Ngannou realmente se enfrentam. Ainda assim, é citado que Ngannou tem rota alternativa: retornar ao boxe e encarar alguém como Deontay Wilder.

Salahdine Parnasse (vencedor) aproveitou a estreia nos EUA para ganhar ainda mais força no cenário internacional. O texto destaca que o atleta, de 28 anos, vem crescendo em atividades no exterior, especialmente na KSW, mas que o resultado no Intuit Dome fez nascer uma nova base de fãs. Ele chega ao momento com cinco vitórias seguidas e 10 triunfos nos últimos 11 combates. A leitura feita é que, se os termos forem bons — inclusive com a chance de lutar com mais liberdade financeira — Parnasse pode permanecer por um tempo no MVP. Além do pedido a Perry, o caminho para o confronto indica uma mudança de categoria, o que reforça o valor do desafio proposto.

Robelis Despaigne (vencedor) retornou ao MMA depois de um período sem lutar, especialmente após sua liberação do UFC no fim de 2024, sequência que vinha após duas derrotas seguidas. No MVP, ele não deu chances: venceu Junior dos Santos com nocaute no 1º round. No pós-luta, Despaigne afirmou que pretende competir tanto no MMA quanto no Karate Combat, mencionando retrospecto de 7-0 com seis nocautes. Ele também demonstrou interesse em enfrentar Francis Ngannou, tendo inclusive torcido para que Ngannou saísse vitorioso para que o duelo fizesse sentido. Quando perguntado sobre a possibilidade, Ngannou minimizou a ideia, indicando que teria alvos maiores. Ainda assim, a matéria observa que, se aceitarem a diferença de tamanho e categoria, o combate pode se tornar viável por conta da capacidade de finalização de ambos.

Com um card que misturou domínio rápido, punição pesada e nocaute em série, o MVP MMA 1 deixou uma mensagem clara: os vencedores têm ambição e, em vários casos, já estão apontando para novas histórias. Resta saber quais desses planos vão se concretizar na prática — e quais vão esbarrar em contrato, categoria e agenda.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.