RAF em alta na FOX Nation: novos contratos e matchs que chamam atenção

A recente ascensão da Real American Freestyle (RAF) nas últimas semanas tem sido um dos assuntos que mais chamaram atenção para quem acompanha luta livre e MMA. Com transmissões pela FOX Nation, a liga encontrou um nicho, ganhou tração e passou a atrair públicos consideráveis em seus eventos. Além disso, a organização vem oferecendo bons contratos para atletas, incluindo nomes que vêm chamando o interesse tanto de fãs do estilo quanto de lutadores que buscam projeção.

O formato também ajudou: a RAF tem colocado no mesmo card tanto lutadores com pedigree do wrestling universitário quanto atletas em rota direta para objetivos olímpicos, além de guerreiros vindos do UFC que já tinham experiência com a arte em que a competição se apoia. Na prática, a proposta parece “servir para todos os gostos” — e, em meio a uma curta existência, já houve confrontos bem interessantes e animados.

O problema: escolhas de luta que não fazem sentido

Apesar do crescimento, a RAF tem enfrentado um ponto fraco que vem aparecendo com frequência: a montagem irregular das lutas. Em vários eventos, dá para ver bons pareamentos no papel, mas também surge um padrão que indica que a liga nem sempre sabe como usar o elenco mais veterano com inteligência — principalmente quando se trata de atletas que já tiveram destaque no UFC.

Há um movimento de colocar estrelas conhecidas para “abrir caminho” para jovens promessas, e isso tem gerado uma sensação de sacrifício. Nomes populares no cenário do MMA, como Clay Guida, foram citados como exemplos de atletas que acabaram sendo colocados diante de lutadores mais novos e de nível alto no wrestling, como se a lógica fosse apenas passar a tocha adiante, sem necessariamente criar um confronto que empolgue o público.

Essa ideia de colocar um atleta consolidado para valorizar um mais jovem não é exatamente novidade. O problema é que, do ponto de vista do entretenimento, isso não garante audiência — e, em alguns casos, ainda reduz a tensão esportiva que deveria existir quando dois atletas muito diferentes se encontram.

O main event que virou “excesso” de disparidade

O ponto mais criticado veio no confronto principal de uma noite recente envolvendo Urijah Faber e Arman Tsarukyan. A luta foi tratada como algo “absurdo” e desnecessário, já que o contexto esportivo deixava claro que o risco era desproporcional e que a história do combate não parecia prometer uma virada real.

De um lado, Faber, de 46 anos, é um ex-campeão no peso-pena (bantamweight) e figura histórica do esporte. Do outro, Tsarukyan, de 29 anos, é visto amplamente como um dos melhores meio-médios (lightweights) do mundo atualmente, vivendo seu auge atlético. O detalhe que pesa ainda mais: Tsarukyan é um mestre (Master of Sports) no wrestling, extremamente premiado e tecnicamente muito sólido no controle e no trabalho de solo.

Para a crítica, não havia uma justificativa convincente para acreditar que Faber — mais velho, menor em termos físicos e mais distante do ritmo competitivo atual — teria condições de virar o jogo contra alguém do nível de Tsarukyan. O sentimento que tomou conta do cenário foi descrito como um “olhar coletivo de reprovação”, sem a empolgação típica que se espera quando um evento tenta vender uma luta equilibrada.

Na prática, o combate seguiu exatamente o que era esperado: Tsarukyan dominou a maior parte do tempo e impôs superioridade. Só que o enredo ganhou um ingrediente extra de perigo quando Tsarukyan simplesmente “empurrou” Faber para fora do espaço de controle no solo e acabou levando o desafiante até a área de transmissão, alcançando até o local onde havia comentaristas.

Esse tipo de situação poderia ter terminado de forma bem pior, e o mais relevante para a discussão é que a vitória não pareceu construir um novo nível de empolgação ou narrativa para Tsarukyan. Em outras palavras: o resultado veio, mas não necessariamente trouxe um ganho para o produto esportivo da liga.

Quando a RAF acerta: Mendes x Chandler como referência

O que torna o contraste ainda mais forte é que a RAF, ocasionalmente, acerta na montagem e escolhe bem quando o assunto é encaixar talento do UFC contra perfis jovens. Um exemplo citado foi o confronto entre Chad Mendes e Michael Chandler, em um evento identificado como RAF 03.

Naquela ocasião, a leitura foi considerada positiva por envolver um ex-estrela do UFC já aposentado, o que criou um pareamento mais coerente. Chandler era um pouco maior, é verdade, mas a idade e a experiência dos dois criavam um cenário mais plausível para o público acompanhar a luta com interesse real. A comparação reforça a ideia de que, quando a RAF pretende colocar um veterano do UFC para enfrentar um grappler em ascensão, a diferença de tamanho e o equilíbrio de contexto ajudam a tornar o espetáculo mais aceitável.

Dentro dessa lógica, o texto defende que, se a liga quer colocar um nome mais estabelecido do UFC contra um jovem do wrestling, pelo menos deveria existir uma vantagem física relevante do lado do atleta vindo do MMA — o que criaria incerteza e deixaria o duelo mais “disputável” na percepção do fã.

Como deveria ser: a discussão sobre o “encaixe” ideal

Na avaliação apresentada, Urijah Faber, com 46 anos, deveria estar enfrentando alguém que faça mais sentido para o momento da carreira. A sugestão foi que o ex-bantamweight poderia duelar com um lutador ranqueado na faixa de 125 libras, alguém de sua própria geração, ou ainda um atleta mais moderno, mas sem a mesma formação universitária que favorece o estilo específico de Tsarukyan.

O argumento segue com exemplos de confrontos que seriam mais atraentes ao público, citando a possibilidade de Faber colocar seu wrestling à prova contra Scott Jorgensen ou até Sean O’Malley — justamente por criar um tipo de duelo que faz sentido em termos de narrativa e técnica.

Já para Tsarukyan, a visão é oposta: como ele está em plena forma e é perfeito para esse tipo de desafio, a crítica sugere que ele teria mais utilidade competitiva enfrentando lutadores do nível de Colby Covington ou um atleta universitário recente, do perfil de um All-American, com tamanho semelhante ao dele. A ideia é que Tsarukyan enfrentaria adversários que realmente testassem o conjunto sem que o resultado fosse “escrito” antes do início.

Por fim, a conclusão é direta: parear Faber e Tsarukyan não teria sido uma escolha racional, e esse tipo de descompasso tende a limitar o crescimento da RAF no longo prazo, mesmo com a liga tendo um produto que pode ser interessante quando a montagem é feita com critério.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.