Luke Rockhold afirmou que a pontuação dos juízes na luta entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland pode ter sido influenciada por fatores externos, destacando que o desfecho do combate — decidido na decisão dividida no card principal do UFC 328 — não refletiu, na visão do ex-lutador, o que ocorreu no octógono.
Chimaev x Strickland: Rockhold questiona as notas
Chimaev entrou no duelo pelo cinturão dos médios com retrospecto de 15-1 no MMA e 9-1 no UFC, mas acabou derrotado por decisão dividida para Strickland, que chegou ao combate com cartel de 31-7 no MMA e 18-7 na organização. A luta principal do UFC 328 aconteceu no sábado, no Prudential Center, em Newark, nos Estados Unidos.
Rockhold ressaltou que, antes dos últimos cinco minutos, os três jurados estavam com placares empatados em “dois rounds para cada lado”. Para ele, os dois primeiros assaltos foram fáceis de avaliar, mas ele discorda de dois jurados ao premiar Strickland no quinto round — justamente o período que acabou determinando o resultado final.
“Talvez seja por causa das odds”: a fala de Rockhold
Em participação no JAXXON Podcast, Rockhold foi direto ao apontar uma possível interferência na decisão. Segundo o ex-campeão, a lógica das probabilidades pode ter pesado na forma como o combate foi interpretado pelos juízes.
“Talvez seja por isso que ele venceu, por causa das odds lá de +400 ou +500. Eu acho que o Khamzat venceu. O Khamzat venceu os rounds quatro e cinco. Ele ditou o ritmo de como a luta terminou, e isso é o que campeões fazem. É isso que deveria render o cinturão”, declarou Rockhold.
O contexto do desafeto: Rockhold vê “motivo oculto”
Strickland foi tratado como grande azarão antes de encarar o desafiante, e Rockhold levantou uma hipótese sobre o motivo do resultado ter sido direcionado ao norte-americano. Ele também deixou claro que não tem simpatia por Strickland e que, por ter feito parte do camp de Chimaev, acompanha o adversário com desconfiança.
A leitura técnica: jab, controle de ritmo e rounds “claros”
Ao explicar por que, em sua visão, Strickland não deveria ter levado vantagem no placar, Rockhold usou critérios ligados ao impacto das ações e ao propósito do boxe. Para ele, o jab do desafiante não teve a função de impor direção ao combate, e sim de recuar, algo que reduziria o valor ofensivo do golpe.
“O jab existe para mudar o rumo da luta. E cada jab que ele deu (Strickland) estava fazendo o adversário ir para trás, mas no caso dele foi o contrário: ele estava se movendo para trás. Você precisa causar dano e colocá-lo na defensiva, empurrando ele para trás”, afirmou Rockhold.
Na sequência, o ex-lutador detalhou a percepção de cada assalto, separando o que considera “claro” e o que enxerga como disputa. Ele afirmou que o round 2 foi o único que ficou evidente para Strickland, que o terceiro poderia ter ido para qualquer lado e que o quarto foi dominado por Chimaev.
“O único round que ficou bem claro para o Sean é o segundo. O terceiro foi apertado, podia ter sido para qualquer um. O quarto foi do Khamzat do começo ao fim. Ele realmente acelerou o ritmo, acertou golpes maiores. O Sean até conseguia conectar jabs limpos, mas normalmente eram jabs no momento de pausa, jabs de ‘picar’ mesmo, e isso estava servindo de preparação”, acrescentou.
Rockhold também argumentou que o quinto round seguiu a mesma tendência de controle do ritmo por parte de Chimaev, ao pressionar o adversário com o combate acontecendo mais no recuo de Strickland.
“Eles estavam fazendo preparos, e eram ações defensivas. Aí no quinto round, ele (Chimaev) empurrou o Strickland de volta ainda mais, para o lado do fim de espaço. Ele podia ter vencido os rounds 1, 3, 4 e 5. O único round claro para o Sean foi o 2. O Khamzat acertou os golpes mais pesados. Não faz sentido. A única explicação que faz sentido é o fato de ele ser um azarão de +500. Às vezes tem coisas meio suspeitas sobre quem eles querem que vença. Talvez só quisessem o Sean porque é o Sean. Pode ter sido influenciado”, concluiu.

