A ação do Zuffa Boxing seguiu em Las Vegas, e uma luta decisiva do meio-médio (middleweight) colocou mais um card carregado no Meta APEX no dia 10 de maio. A noite teve como atração principal um confronto que marcou a estreia promocional de um nome bem conhecido do mercado: Shane Mosley Jr. encarou Serhii Bohachuk, enquanto no coevento o destaque ficou para um duelo na categoria dos meio-médios entre dois representantes da Costa Leste, com Julian “Hammer Hands” Rodriguez voltando ao ringue contra James Perella.
O retorno de “Hammer Hands” e a estreia promissora de Mosley Jr.
No combate principal, Shane Mosley Jr. fez sua primeira luta pelo Zuffa Boxing diante de Serhii Bohachuk. O ucraniano vinha de uma atuação que chamou atenção na última vez em que entrou em ação, quando venceu Radzhab Butaev em um resultado construído com luta dura e bem disputada.
No coevento, Julian “Hammer Hands” Rodriguez voltou ao Meta APEX para medir forças com James Perella. O duelo colocou frente a frente dois lutadores da Costa Leste: Rodriguez, de New Jersey, e Perella, natural de Massachusetts. Perella chegava invicto, e Rodriguez também vinha com ritmo para seguir subindo na divisão.
Julian “Hammer Hands” Rodriguez: vitória ampla em 10 rounds
Rodriguez fez uma exibição dominante e conquistou uma decisão unânime com placar expressivo sobre um adversário também invicto, ampliando sua trajetória na divisão dos meio-médios. Foi a segunda aparição dele no Zuffa Boxing, e o resultado veio após 10 rounds em que o duelo, em grande parte do tempo, não pareceu equilibrado.
Mesmo com desvantagem relevante de altura e envergadura, Rodriguez conseguiu superar o desafio e impor o próprio padrão de combate. “Hammer Hands” chegou a ficar um pouco mais cuidadoso ao longo do caminho, mas conseguiu garantir a superioridade até o fim e carimbar o triunfo.
Perella, por ser mais alto e ter maior alcance, começou tentando explorar bem essa vantagem, trabalhando com o jab para manter distância. Rodriguez precisou de um round para ajustar a leitura e, quando o segundo começou a avançar, o cenário já indicava que o norte-americano estava conseguindo “baixar” o adversário mais alto.
Nos primeiros três rounds, Rodriguez foi encurtando gradualmente a distância, enquanto Perella tentava permanecer no lado de fora. A partir do quarto, o meio-médio de New Jersey conseguiu fechar melhor o espaço e passou a soltar golpes com mais frequência. No meio do quarto, Rodriguez disparou uma sequência grande de direita-esquerda que derrubou Perella pela primeira vez na carreira, apagando qualquer tentativa de controle do rival naquele momento.
Perella se levantou e resistiu ao round, mas o ponto de virada já tinha acontecido. Mesmo parecendo cauteloso para abrir ainda mais em busca de um nocaute, Rodriguez administrou a vantagem e venceu com tranquilidade os rounds restantes. Os jurados anotaram 100-89, 98-91 e 98-91, o que levou “Hammer Hands” a melhorar o cartel para 26-1, com 15 vitórias por nocaute.
A rivalidade entre Misael Rodriguez e Andreas Katzourakis termina com decisão unânime
O card principal teve início com um duelo no peso-médio entre dois prospectos invictos, ambos com histórico de 16 vitórias sem derrotas. Misael Rodriguez, que retornava à competição, enfrentou Andreas Katzourakis, e quem levou a melhor foi o estreante grego, que venceu por decisão unânime no debut pelo Zuffa Boxing.
Rodriguez levou vantagem nas trocas no primeiro round, mas Katzourakis ajustou o encaixe e passou a impor seu ritmo nos rounds 2 e 3. A partir daí, o combate ficou com cara de “guerra de trincheira”, com ação bem próxima e mais intensidade na disputa de espaço. No clinch e na curta distância, o europeu pareceu mais confortável: empurrou o adversário para trás e acertou combinações na cabeça e no corpo.
Com o tempo, o ritmo diminuiu um pouco entre os rounds 8 e 9, e a pressão voltou a aumentar nos instantes finais. Já no round final, os dois lutadores carregaram para o último assalto e fecharam a conta em um combate que foi até o limite dos 10 rounds.
Os dois aguardaram a decisão com confiança, mas o veredito foi favorável a Katzourakis. Ele chegou ao cartel de 17-0 com placares de 99-91, 97-93 e 96-94.
Suray Mahmutovic vence na preliminar com decisão dividida
Na luta do card preliminar que ganhou mais atenção, Suray Mahmutovic, de San Francisco, surpreendeu o favoritismo e saiu de um cenário desfavorável para vencer Raphael Monny, da França, que vinha invicto. O resultado foi uma decisão dividida, tirando o adversário do caminho e garantindo o triunfo do americano.
Mahmutovic entrou como azarão nas casas de aposta, mas tomou o controle desde o começo. Nos primeiros instantes, ele conseguiu boxear melhor que Monny e, assim, impor a própria leitura do combate.
Apesar de ser superado no início em alguns momentos, Monny encontrou um golpe forte: um overhand direito grande acertou Mahmutovic atrás da orelha e o mandou ao chão. Mesmo com a queda, Mahmutovic se recuperou rapidamente e voltou a executar melhor o trabalho no restante do assalto.
No round seguinte, Monny voltou a acertar com mais um direito pesado, mas ainda assim Mahmutovic conseguiu fazer um round superior no conjunto. Ao longo dos oito rounds, o lutador de San Francisco seguiu no controle com um boxe inteligente, explorando o recuo e respondendo ao plano mais agressivo de Monny, que tentava impor mais pressão, porém teve dificuldade para achar seu ritmo.
Ivan Ortiz supera Justin Viloria e luta vai à decisão
Outra preliminar chamou atenção por colocar dois meio-leves invictos frente a frente. Justin Viloria recebeu Ivan Ortiz, e a vitória ficou com o mexicano, que teve o braço erguido após um duelo emocionante que terminou com os juízes precisando decidir.
Ortiz teve aparência de vantagem em alcance e distância, e no começo do combate lançou golpes com bastante força. Só que Viloria fez o ajuste certo ao encurtar a distância e, conforme o round avançou, passou a acertar mais vezes com suas próprias mãos.
No início do segundo assalto, Viloria abriu com um gancho grande que chegou a parecer que iria atordoar Ortiz por instantes. Ainda assim, o estreante pelo Zuffa Boxing reagiu rapidamente e devolveu com golpes pesados, levando o combate a uma troca intensa, em que os dois acertaram cabeçadas fortes. Apesar do ritmo acelerado, a resistência dos dois durou até a sequência terminar, e o confronto seguiu caótico e perigoso.
O padrão de alta octanagem continuou nos rounds 3 e 4. Os dois carregaram nas tentativas e, mesmo com golpes limpos chegando, a preparação física fez com que nenhum dos lados fosse “quebrado” de vez. Nos últimos segundos do quarto, Viloria chegou a tocar o chão, mas o episódio foi corrigido como escorregão.
Conforme o combate avançou, Ortiz cresceu de confiança. Depois de dois rounds bons no quinto e no sexto, ele explodiu no fim do sétimo: carregaou e derrubou Viloria com um direito forte de longe. O lutador da Califórnia se levantou logo, mas a queda foi decisiva no contexto do duelo.
Da’Mazion Vanhouter finaliza Raphael Murphy em pouco mais de 1 minuto
Logo em seguida, Da’Mazion Vanhouter voltou ao Meta APEX maior e mais agressivo do que na primeira apresentação no Zuffa Boxing 02. Na sua segunda luta na promoção, ele encerrou Raphael Murphy, que tinha 18 vitórias e vinha com cartel consolidado, ainda no primeiro assalto.
Vanhouter chegou em ótimas condições na pesagem, com 228,5 libras. Murphy estava bem acima, com 251,5 libras. Mesmo assim, a combinação de velocidade, potência e precisão nas escolhas de alvo foi irresistível: ele atropelou Murphy com golpes e garantiu um final rápido.
Praticamente todas as tentativas de Vanhouter encontraram o caminho. Quando o combate parecia apenas “controlado”, foi um golpe ao corpo que marcou o início do fim. Murphy demonstrou dor, fez sinal de incômodo e começou a recuar diante do volume do jovem lutador.
Vanhouter manteve a pressão e despejou uma sequência de golpes na cabeça e no corpo até obrigar o árbitro veterano Tony Weeks a interromper a luta. O tempo foi apenas de 66 segundos do primeiro round.
Com isso, Vanhouter chegou a 12-0. O lutador, natural de St. Petersburg, Flórida, mira uma subida rápida na categoria dos pesos-pesados.
Alexis Alvarado vence Emiliano Cardenas e garante maioria na decisão
Alexis Alvarado precisou esperar para fazer sua estreia no Zuffa Boxing, mas quando chegou a hora, ele entregou o que se esperava. Em um duelo que estava marcado para o Zuffa Boxing 05 no mês anterior, Alvarado venceu Emiliano Cardenas, que ainda não tinha derrotas, após seis rounds, conquistando o veredito por decisão majoritária.
Cardenas começou imediatamente trabalhando com o jab e conseguiu impor seu ritmo cedo. Já Alvarado tentou avançar e encurralar o invicto, lançando menos golpes, mas com mais intenção e preparo para “carregar” as combinações.
O caminho do combate ficou claro: Cardenas queria manter a luta no lado de fora, enquanto Alvarado preferia levar para a briga mais próxima, como se fosse um confronto em “trincheira”. E a dinâmica dos rounds mostrou exatamente quem ditou a direção.
Nos rounds 2 e 3, Alvarado aumentou a intensidade, fechou a distância e arrastou Cardenas para um combate mais travado, quase como uma luta em espaço reduzido. Ele permaneceu com o rosto pressionando o adversário e acertou bem a cabeça e o corpo, empurrando o argentino para trás.
O nível de confiança de Alvarado ficou visível, e no quarto round ele fez um assalto forte: conseguiu manter Cardenas com o peso para trás por quase todo o tempo. Com idade de 24 anos, ele parecia ter poucas alternativas, mas Alvarado dominou o round com pressão bem orientada e escolha de golpes mais refinada.
No quinto round, Cardenas tentou jogar o jogo do adversário, porém isso acabou mantendo Alvarado em sua zona confortável. A pressão dianteira repetiu o padrão: diversas vezes, o lutador de Los Angeles conseguiu colocar Cardenas no canto com o avanço contínuo.
No último round, Cardenas saiu carregando em busca de uma interrupção que salvasse o resultado, mas Alvarado lidou com tudo com segurança. Ele segurou a investida do adversário até o gongo final e ainda respondeu com golpes consistentes.
O corner de Alvarado comemorou com razão, e os jurados concordaram. O placar foi de 57-57, 58-56 e 58-56, levando o cartel de Alvarado para 10-1-1, com 5 vitórias por nocaute. Cardenas, por sua vez, terá a missão de reagir na próxima apresentação após sofrer a primeira derrota da carreira.
Tullo Boymatov inicia carreira profissional com final no primeiro round
Fechando a programação, Tullo Boymatov, do Uzbequistão, começou a carreira profissional com uma atuação agressiva e rápida diante de Caleb Hall. O lutador mostrou logo de cara o potencial e a força de impacto que promete ser marca registrada no peso pesado/medio alto da divisão em que atua no circuito profissional.
Boymatov começou a luta no sino, carregando golpes pesados e alternando a mira entre cabeça e corpo. Hall absorveu bem os primeiros ataques, mas o ritmo do uzbeque foi de quem segue avançando sem parar. Em algum momento, a potência passou a fazer diferença e ele finalmente conseguiu colocar o seu jogo no ponto decisivo.
Um direito grande acertou Hall e, na sequência, Boymatov emendou um combo ainda mais forte, derrubando o adversário no chão. “The Kid” voltou a ficar de pé, mas ficou claramente comprometido após a queda. Quando a luta recomeçou, Boymatov não demorou para finalizar: ele soltou outro ataque violento e fechou com um gancho de esquerda que empurrou Hall contra as cordas e o derrubou novamente.
O árbitro iniciou a contagem, mas não havia muito o que esperar. Hall já estava “feito” no retorno, e quando o oficial olhou com mais atenção, decidiu encerrar o combate com segurança após 2 minutos e 42 segundos do primeiro assalto.
O resultado deu a Boymatov um começo impressionante na carreira profissional e já deixou material inicial para um possível destaque no catálogo de nocautes. Agora, “The Spartan” passa a ser observado como um nome a ser acompanhado na divisão de meio-pesados do Zuffa Boxing.

