LAS VEGAS — Aljamain Sterling sabe como é quando fatores políticos e o tamanho da popularidade acabam desviando o rumo das escolhas por mérito dentro do octógono. Talvez por isso ele tenha mantido o discurso firme e direto após a vitória dominante no main event do UFC Fight Night 274, disputado neste sábado, no Meta APEX.
Diante de Youssef Zalal, Sterling saiu com o triunfo por decisão unânime na luta principal da noite. Com o resultado, o norte-americano reforçou ainda mais o status de um dos nomes mais fortes na fila do topo, mas preferiu não transformar o momento em pressão pública por uma chance imediata de cinturão.
Na entrevista coletiva pós-luta, Sterling explicou que a decisão de uma próxima disputa de título deve seguir o que o público e a organização considerarem justo. Ele comentou que acompanhou o confronto entre Movsar Evloev e Lerone Murphy e afirmou que, apesar de entender o valor do próprio cenário, não cabe a ele colocar o desejo pessoal acima de quem está conquistando o momento.
“Vocês viram Movsar contra Lerone Murphy, e eu só estou dizendo que eu deixo o público decidir. Eu deixo a direção do UFC decidir. Eu realmente acho que Movsar merece”, declarou Sterling. “Mas, se eles me oferecerem a oportunidade, eu não vou dizer não. Eu não vou ficar dizendo ‘esse cara merece no lugar dele’. Se oferecerem para mim, então com certeza eu pego. Vou dar tudo até as rodas caírem. Acho que é uma luta que todo mundo quer ver: dois ‘OGs’ do esporte. Por que não? Faz muito sentido. Eu não sei.”
Antecedentes
O UFC ainda não divulgou qual será o próximo combate pelo título na categoria dos penas envolvendo Alex Volkanovski (28-4 no MMA, 15-3 no UFC). Ainda assim, a projeção mais comum é de que o desafiante seja Evloev (20-0 no MMA, 10-0 no UFC), que já venceu Sterling. Os dois se enfrentaram em dezembro de 2024, em uma decisão bem disputada, na qual Evloev levou a melhor por poucos detalhes.
Com isso, Sterling também tratou de desarmar qualquer narrativa de confronto pelo mérito, reforçando que respeita Movsar e que não pretende usar o discurso para diminuir o adversário. Para ele, o que ocorreu no encontro anterior foi mais favorável do que tentam retratar.
“Eu não quero parecer que estou falando besteira sobre Movsar, porque eu não estou. Eu respeito o cara. As pessoas podem falar o que quiserem. Eu só acredito de verdade que eu ganhei aquela luta. Se não foi, então é empate, no pior cenário”, disse. “No fim das contas, quem decide é o UFC. Eu só estou aqui para fazer a minha parte, ganhar meus pagamentos, tomar meu rum e fumar uns charutos depois do trabalho bem feito. Eu estou curtindo a vida, vivendo o sonho. Estou vivendo o sonho americano, e é isso que importa.”
O lutador, com 36 anos, ainda não cravou o próximo passo, mas deixou claro que está satisfeito com a fase recente. Desde que migrou para a divisão dos penas após uma derrota em disputa de cinturão nos galos, Sterling construiu campanha de 3 vitórias e 1 derrota na faixa de 145 libras. No sábado, ele levou a melhor sobre Zalal (18-6-1 no MMA, 8-4-1 no UFC) com uma atuação que foi descrita como uma demonstração de controle e superioridade.
A luta
- Sterling tratou o confronto como um plano bem executado, buscando fazer o que queria dentro do octógono e pressionando com consistência para manter o ritmo da luta.
- Durante o embate, ele deixou claro que acreditava em um possível desfecho antes do fim do tempo regulamentar, mas reconheceu a resistência do adversário, que conseguiu se manter vivo.
- Com o passar dos minutos, Sterling sustentou a performance que julgou estar próxima de uma atuação “quase perfeita”, apontando que pode ter fechado um round por placar de 10-8.
- No fim, o resultado veio na forma de decisão unânime, coroando o domínio geral que ele enxergou como o mais completo possível dentro do que conseguiu apresentar.
“Eu fiz o que eu queria fazer. Eu realmente achei que conseguiria tirar ele de lá. Mas, novamente, ele é um cara muito difícil”, comentou Sterling. “Algumas pessoas ainda vão criticar e falar ‘blah, blah, blah’. Não dá para agradar todo mundo. No fim, eu achei que foi o mais perto de uma performance impecável que eu consigo chegar. Eu provavelmente peguei um round 10-8 em algum momento. Obrigado, obrigado, obrigado. A gente treinou muito para isso. Um grande recado para a minha equipe.”
O pós-luta
Mesmo sem uma definição oficial para o próximo combate pelo título, Sterling reforçou que encara o momento com humildade e foco no trabalho. Ele também sinalizou que, se a oportunidade vier, não pretende recusar — ao mesmo tempo em que mantém a postura de reconhecer o peso do mérito no processo de matchmaking, sem tentar empurrar uma narrativa própria acima do que o UFC e o público entendem como o caminho mais coerente.

