O clima de rivalidade entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland aumentou bastante desde que os dois foram escalados para o evento principal do UFC 328, marcado para 9 de maio, mas o treinador do campeão dos médios, Alan “Finfou” Nascimento, afirma que o lutador não está abalado pelas recentes ameaças feitas por Strickland.
Na quarta-feira, Strickland compareceu a uma sessão de mídia para promover a luta e declarou que, caso houvesse qualquer tipo de confronto durante a semana do combate em Nova Jersey, ele “vai tirar uma arma e atirar” em Chimaev. Ainda no mesmo dia, “Finfou” comentou o assunto, dizendo que as falas são apenas “o Sean Strickland sendo o Sean Strickland”.
Segundo o treinador, a reação do campeão não foi de surpresa, e sim de preparo. “Quando você está pronto para algo e sabe que vai acontecer, isso já não te espanta. O Chimaev nem tinha visto ainda. Foi só nesta manhã [quarta-feira] que a gente mostrou o que o Sean vinha dizendo. Ele assistiu, riu e fomos direto para o treino. O Khamzat está lidando com tudo muito bem. A gente vem conversando sobre isso faz bastante tempo, desde quando a luta começou a se encaixar.”
“Finfou” também destacou que o UFC fará um dia de mídia com Chimaev na quinta-feira e que ele espera uma resposta do lutador no mesmo tom de “alguma bobagem”. “Esse é um pedaço do jogo, né?”, avaliou. “Só que essa história de ‘vou atirar nele’ e coisas assim, eu vejo como apenas nonsense. Ninguém vai levar isso para esse nível. Não faz sentido.”
O treinador ainda ampliou a análise sobre o papel do bate-boca no MMA atual. “Essa coisa de provocações virou algo aceito agora, é normal. Então todo mundo vai tentar usar o que conseguir para desestabilizar o outro. Mesmo quando falam de coisas que, na minha humilde opinião, eu não faria. Eu não acho que seja postura de homem quando você puxa família, crianças, sabe? Mas se aquilo estiver disponível, todo mundo vai tentar usar.”
Alan “Finfou” Nascimento acompanha Chimaev desde os primeiros combates profissionais e convive com o universo das artes marciais há décadas. Nesse tempo, ele diz que aprendeu a manter a mente do lutador protegida e longe de distrações. “Meu papel é conversar com o atleta e garantir que isso não afete ele mentalmente ou psicologicamente, porque essa parte precisa estar muito bem protegida. A gente sabe a responsabilidade que tem. Esse é o meu trabalho. E o Khamzat está bem mais maduro hoje. Coisas que antes a gente tinha que lidar não acontecem mais. O trabalho está sendo feito de uma forma bem tranquila, honestamente.”
As distrações também podem vir por outros caminhos antes do UFC 328. Chimaev tenta defender o cinturão dos médios pela primeira vez desde ter tomado o título de Dricus du Plessis. Ao mesmo tempo, ele já flertou com a ideia de abrir mão do posto logo em seguida para buscar um segundo cinturão na categoria até 205 libras. “Finfou” admite que não descarta esse cenário, mas garante que a equipe vai tratar do assunto apenas mais adiante.
“Desde o momento em que os dois lados aceitaram essa luta, Khamzat Chimaev e Sean Strickland, o primeiro encontro que a gente teve foi para eliminar qualquer tipo de pensamento fora desse combate. Qualquer coisa sobre o futuro, a gente resolve quando chegar a hora. A gente precisa manter total foco, porque não existe luta fácil. Não existe defesa fácil de título. A preparação é para o pior e a gente está pronto para o melhor.”
O treinador reforçou que, apesar das especulações sobre mudança de divisão, o time não discutiu o que aconteceria após o duelo. “A gente não conversou nada sobre trocar categoria ou sobre o que vai acontecer depois desta luta, porque é muito importante que a nossa atenção completa seja neste combate, neste momento. No dia seguinte, aí sim a gente pode começar a pensar ou conversar sobre qualquer outra coisa. Mas isso foi algo que eu pedi para ele entender, e também para o time inteiro. O mais importante é que o lutador esteja totalmente focado e conectado com este instante, porque a luta mais importante na vida de um atleta é sempre a próxima, e o Sean Strickland é a próxima. É nisso que todo mundo precisa concentrar. Depois disso, a gente começa a pensar nas outras coisas.”

