Tsarukyan vira foco fora do octógono e UFC mira luta de BJJ para ele

Arman Tsarukyan virou assunto constante no universo do MMA — e, em boa parte do tempo, fora do octógono. O armênio tem aparecido em treinos, desafios e bastidores com intensidade, acumulando clipes de grande impacto e participações que vão além da rotina tradicional de um atleta de elite. Mesmo assim, o detalhe que segue chamando atenção é a mesma pergunta de sempre: quando ele volta a lutar pelo Ultimate, de fato, e com que frequência?

O ritmo fora do UFC e a “ausência” dentro

Desde a última vitória dele no UFC — quando superou Dan Hooker no UFC Qatar, em novembro de 2025 — Tsarukyan competiu em outras frentes sete vezes. A sequência mantém o lutador em alta, com desempenho e presença em diferentes ambientes, mas não resultou em um compromisso marcado para retornar ao octógono. Na prática, o calendário segue sem um combate do UFC como prioridade imediata.

Parte dessa espera ganhou combustível com a alegação de que ele seria o reserva para o título entre Ilia Topuria e Justin Gaethje no UFC White House. A informação, porém, não foi confirmada oficialmente por ninguém ligado ao evento. Ainda assim, a simples possibilidade faz o torcedor entender por que a situação tem gerado ruído: a ideia de Tsarukyan ficar como alternativa, enquanto outra luta principal acontece, reforça a impressão de que o UFC quer aproveitar o “efeito Tsarukyan” sem necessariamente colocá-lo logo como protagonista no card.

“Existe mesmo”: conversa sobre luta no grappling

Durante uma entrevista recente, Ariel Helwani levantou um ponto que circulou no meio do BJJ: a possibilidade de Tsarukyan enfrentar Mikey Musumeci. Helwani perguntou diretamente se aquilo era algo real.

Tsarukyan confirmou que sim e explicou que a data pode cair entre agosto e setembro. Em seguida, ele detalhou o planejamento com o próprio foco na transição entre modalidades e regras diferentes.

“Sim, isso é real. A chance é que aconteça em agosto ou setembro. Eu quero fazer, mas também quero fazer uma luta de grappling antes dele, porque essas são regras novas. Preciso ver como funciona. Então: 30 de maio, depois talvez o UFC BJJ, e aí sim o UFC… e também penso em WWE como meta”, disse o lutador.

O discurso deixa claro que Tsarukyan enxerga o grappling como uma etapa estratégica — não apenas como entretenimento. A ideia de testar o sistema e compreender melhor a dinâmica das regras aparece como justificativa para o cronograma.

Objetivo principal: UFC, campeão… ou “o melhor”

No mesmo contexto da entrevista, Tsarukyan reforçou que, apesar de estar em múltiplas frentes, o foco mental segue sendo o Ultimate. Ele descreveu como a rotina é marcada pela busca do próximo desafio no UFC e ainda deixou claro o tipo de motivação que o move.

“Neste momento, meu objetivo é o UFC. Eu acordo pensando em quando vai ser minha próxima luta e vou dormir pensando no UFC também. O que me motiva mais, hoje, é isso. Eu não quero só ser campeão — eu quero ser o melhor lutador do UFC, pound-for-pound”, afirmou.

O atleta também comentou a própria janela de carreira e projetou um horizonte de tempo. Ele citou a idade como fator e mencionou um plano para depois do auge competitivo, incluindo a intenção de seguir para outras experiências.

“Tenho 29 anos, então ainda tenho sete anos. Com sete anos, dá para ganhar bastante dinheiro, conquistar vários títulos e depois encerrar. Eu sinto que fazer isso aos 37 seria um bom momento para ir para o WWE”, completou.

Nova possibilidade fora do octógono: filme no verão

Além do caminho no grappling e das conversas sobre retorno ao UFC, Tsarukyan trouxe mais uma novidade: a chance de atuar em um filme, lutando com Jackie Chan no verão. A informação amplia ainda mais a percepção de que ele está recebendo oportunidades em diferentes setores — mas, do outro lado, segue sem uma data definida para um retorno ao UFC com combate agendado.

“Cadê a luta no UFC?” A demora que incomoda

Com a sequência de compromissos em outras competições, o cenário parece contraditório para o torcedor: Tsarukyan tem movimento, visibilidade e agenda, mas o retorno para o cage do UFC não aparece no curto prazo. A própria narrativa que se forma ao redor dele é a de alguém que, ao mesmo tempo em que cresce como estrela, permanece preso a um ritmo muito lento para os padrões do UFC.

O sentimento predominante é simples: quando o armênio finalmente voltar, a expectativa é que ele chegue como um nome ainda maior do que era antes, quando era apenas mais um atleta do elenco. Só que, do jeito que o calendário vem sendo conduzido, os próximos passos parecem “em camadas”: grappling em setembro pelo UFC BJJ, e somente depois disso uma possível luta no Ultimate.

Com esse tipo de construção — primeiro uma etapa no grappling, depois outra frente e só então o UFC — a sensação é de que a progressão está avançando no ritmo de uma caminhada longa, enquanto o interesse do público por uma luta oficial no octógono segue crescendo.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.