O Ultimate Fighting Championship (UFC) está a apenas um dia de distância do UFC Winnipeg, evento de MMA que acontece nesta noite de sábado, 18 de abril de 2026. A programação será exibida no Paramount+, a partir do Canada Life Centre, em Winnipeg, na província de Manitoba, no Canadá. A principal luta do card terá duelo no peso-meio-médio (até 170 lbs) entre Gilbert Burns, ex-desafiante ao cinturão na divisão, e Mike Malott, lutador da casa conhecido pelos golpes de impacto. O combate vale cinco rounds e pode mexer com o cenário do fim de 2026 e adiante.
Burns x Malott (170 lbs)
Gilbert “Durinho” Burns
- Cartel: 22-9
- Idade: 39
- Linha de aposta: +280
- Vitorias: 6 por KO/TKO, 9 por finalização, 7 por decisão
- Derrotas: 4 por KO/TKO, 0 por finalização, 5 por decisão
- Altura: 5’10”
- Alcance: 71”
- Estilo: canhoto? (postura) — Orthodox
- Golpes significativos por minuto: 3.15
- Precisão nos golpes: 48%
- Golpes significativos sofridos por minuto: 3.64
- Defesa no striking: 52%
- Média de quedas: 2.12 (37% de acerto)
- Defesa de quedas: 53%
- Ranking atual: #11
- Luta mais recente: derrota por nocaute técnico para Michael Morales
“Proper” Mike Malott
- Cartel: 13-2-1
- Idade: 34
- Linha de aposta: -355
- Vitorias: 5 por KO/TKO, 6 por finalização, 2 por decisão
- Derrotas: 2 por KO/TKO, 0 por finalização, 0 por decisão
- Altura: 6’1”
- Alcance: 73”
- Estilo: Orthodox
- Golpes significativos por minuto: 3.93
- Precisão nos golpes: 48%
- Golpes significativos sofridos por minuto: 3.06
- Defesa no striking: 56%
- Média de quedas: 1.88 (50% de acerto)
- Defesa de quedas: 14%
- Ranking atual: não ranqueado
- Luta mais recente: vitória por decisão unânime sobre Kevin Holland
O UFC Winnipeg coloca Gilbert Burns em um momento delicado. Há um desgaste visível após uma sequência negativa: ele chega ao duelo depois de ter sido “cozinhado” em quatro compromissos seguidos. A derrota para Michael Morales foi ainda mais preocupante para os fãs do brasileiro, porque a luta o levou ao protocolo de concussão. Também pesa no contexto a idade: Burns completa 40 anos em julho e, no cenário atual do peso-meio-médio, já está fora do Top 10. No aspecto técnico, porém, ele segue perigoso em praticamente todos os fundamentos, especialmente no jiu-jitsu, que continua com qualidade acima da média.
O grande ponto de interrogação para Burns na segunda metade de 2026 é a durabilidade. No MMA, não basta acertar forte nem ter o “cinto” certo quando o corpo começa a ceder ao primeiro sinal de adversidade. Ainda assim, existe a possibilidade de que o problema seja mais ligado ao nível dos adversários do que à estrutura do lutador: as quatro derrotas mais recentes de Burns aconteceram todas contra nomes do Top 5 da categoria.
Burns comentou a sequência e explicou que lesões e o nível dos oponentes influenciaram o retrospecto recente. Ele afirmou: “Na luta contra o Belal [Muhammad], eu estava machucado. Sem problema. Eu perdi, o Belal fez o dele e virou campeão logo depois. Perdi para o Jack [Della Maddalena]. Eu estava bem, fiquei na luta por cerca de 14 minutos até eu tomar um joelho, fui nocauteado. O Jack virou campeão. Sean Brady, Top 5. Michael Morales, Top 5. Esses caras são os mais altos níveis da divisão. Eu também tenho feito coisas boas, mas os resultados não vieram”.
O brasileiro também projetou o compromisso no Canadá e deixou claro que quer vencer, mas sem carregar o peso psicológico como se fosse uma obrigação que o destrói por dentro. Burns disse: “Eu vou fazer 40 este ano. Eu já tive uma boa carreira. Eu vou para o Canadá. Vou aproveitar. Vou sair para fazer o meu trabalho. Claro que eu quero vencer. Claro que é uma vitória que precisa acontecer, mas eu não vou levar toda essa bagagem pesada que eu tenho na cabeça. Não. Eu vou lá e vou fazer o melhor, mostrar minhas habilidades. Eu acredito que é um bom confronto. Não é uma luta fácil, mas é um bom confronto, e eu vou colocar toda a pressão nele”.
Do outro lado do octógono, Mike Malott representa o Canadá e chega com um histórico recente bem concentrado no país. Lutadores canadenses costumam aparecer com mais frequência quando a franquia viaja internacionalmente, e Malott é prova disso: ele não saiu do Canadá nas últimas cinco apresentações no UFC e, desde o início de 2022, competiu em média
Malott é um lutador com base sólida no wrestling e potência para nocautear. Nos últimos anos, ele também demonstrou avanço relevante na parte física, depois de sofrer uma derrota para Neil Magny aproximadamente há dois anos, quando “perdeu o tanque”. Por esse prisma, a leitura comum para o confronto é que Malott pode ser algo menos explosivo do que os melhores recortes de Burns — especialmente pensando no Burns que quase derrubou Kamaru Usman no UFC 258 e que levou Khamzat Chimaev ao limite no UFC 273. O problema é que esse Burns de antes, infelizmente, não parece ser o mesmo de agora.
Malott abordou o duelo com confiança e disse que não cria expectativas exageradas sobre o adversário, mas foca no próprio plano. Em fala ao “Uncrowned”, ele afirmou: “Para ser honesto, eu não tenho realmente expectativas sobre ele. Mas eu sei o que eu vou fazer. Eu sei o que eu trago para a mesa, e eu estou bem mais focado nisso do que no que ele vai fazer. Ter meus treinadores e parceiros de treino preparando do jeito mais completo possível ajuda demais. E eu sinto que nós nos preparamos muito bem para este combate. Então eu vou entrar lá leve, livre, sendo eu mesmo. Quando eu faço isso, eu praticamente sou invencível no UFC”.
O canadense também tratou o sentimento de lutar em casa como parte do combustível. “Isso é um sonho desde quando eu era criança”, disse ele. “Quero dizer, mesmo só chegar ao UFC já parece algo enorme. Claro que meus próprios objetivos também contam, mas eu não posso deixar passar sem reconhecer que lutar no UFC é algo especial, e ser o principal do UFC é ainda mais especial. Eu gosto demais de lutar no Canadá. As minhas duas primeiras lutas no UFC foram incríveis. Ter luta em Jacksonville foi ótimo. Eu gostei. E lutar no Apex também foi legal. Foi uma oportunidade incrível, uma chance boa de entrar e vencer, e ainda ter tido um duelo no Apex. Mas nada supera lutar no Canadá pra mim. Eu amo”.
Com 34 anos, Malott não é um prospect jovem que dá para esperar “mais um ciclo” para começar a atacar o topo. O cartel chama atenção, mas falta um detalhe importante: “Proper” ainda não enfrentou adversários atualmente no Top 15, enquanto Burns vem do lado oposto da balança, encarando “assassinos” de forma consistente. E essa diferença de nível pode ter custo: a leitura é que Durinho está desgastado demais nesta fase da carreira para dominar o ritmo e atravessar o caminho até a finalização ou o final da luta. A expectativa é de um começo forte do brasileiro, seguido por uma queda brusca e sem cerimônia.
Prognóstico: Malott vence Burns por nocaute técnico.
Jourdain x Phillips (135 lbs)
Charles “Air” Jourdain
- Cartel: 17-8-1
- Idade: 30
- Linha de aposta: -150
- Vitorias: 8 por KO/TKO, 7 por finalização, 2 por decisão
- Derrotas: 1 por KO/TKO, 1 por finalização, 6 por decisão
- Altura: 5’9”
- Alcance: 69”
- Estilo: Switch
- Golpes significativos por minuto: 5.48
- Precisão nos golpes: 49%
- Golpes significativos sofridos por minuto: 4.25
- Defesa no striking: 56%
- Média de quedas: 0.33 (21% de acerto)
- Defesa de quedas: 47%
- Ranking atual: não ranqueado
- Luta mais recente: vitória por finalização sobre Davey Grant
Kyler “The Matrix” Phillips
- Cartel: 12-4
- Idade: 30
- Linha de aposta: +125
- Vitorias: 5 por KO/TKO, 2 por finalização, 5 por decisão
- Derrotas: 0 por KO/TKO, 0 por finalização, 4 por decisão
- Altura: 5’8”
- Alcance: 72”
- Estilo: Orthodox
- Golpes significativos por minuto: 5.04
- Precisão nos golpes: 42%
- Golpes significativos sofridos por minuto: 3.83
- Defesa no striking: 60%
- Média de quedas: 2.31 (45% de acerto)
- Defesa de quedas: 75%
- Ranking atual: não ranqueado
- Luta mais recente: derrota por decisão unânime para Vinicius Oliveira
Charles Jourdain faz parte do UFC há sete anos e, nesse período, ficou oscilando perto do equilíbrio: hoje ele soma 8-7-1 em 16 aparições no octógono. A permanência na organização também tem um componente de mercado: por ser canadense e atuar como talento local, ajuda a vender ingressos e sustentar o interesse do público internacional. Além disso, ele faturou bônus de performance após o combate em três das suas últimas cinco lutas, o que reforça a reputação de ser um atleta de combates movimentados. No entanto, das 17 vitórias, apenas duas terminaram com placar dos juízes, e Jourdain vem de sequência positiva: ele tenta embalar com vitórias por finalização nas duas últimas apresentações, contra Victor Henry e Davey Grant. Por outro lado, existe um freio: ele nunca venceu três lutas seguidas dentro do UFC, e estatisticamente isso pesa contra a chance de emendar uma nova sequência agora.
Na coletiva de imprensa do UFC Winnipeg, Jourdain falou sobre o momento e projetou um avanço. Ele declarou: “Eu finalizei Victor Henry, que nunca tinha sido finalizado. Eu destruí Davey Grant como ninguém tinha feito antes. E agora vou destruir Kyler Phillips, que nunca foi finalizado — eu vou ser o primeiro a colocar uma vitória decisiva nele. Você sabe, ganhar por decisão é uma coisa; mas no meu caso, quando é esperado fogo no peso-galo, eu realmente acredito que eu consigo finalizar todos esses caras”.
Jourdain também comentou sobre a possibilidade de Phillips mudar o estilo ao longo do camp. “Às vezes o lutador tenta se reinventar. Eu já fiz isso também. Reinvente-se. Mas se ele se reinventar, ele não vai estar no auge do Kyler. E se ele lutar como o Kyler luta, a gente se preparou com uma ‘caixa de ferramentas’ pronta para destruir e contra-atacar tudo o que ele trouxer. Seja qual for a versão que o Kyler aparecer, a gente vai conseguir destruir”.
Kyler Phillips teve uma trajetória incomum no início da carreira no UFC. Ele começou a chamar atenção ao garantir uma finalização dominante na primeira temporada do “Contender Series” de Dana White, no verão de 2017. Mesmo assim, não recebeu um contrato direto e acabou indo para o TUF 27. No reality, ele perdeu para Brad Katona nas quartas de final e precisou retornar à cena regional por mais dois anos antes de ser chamado novamente. O resultado disso é um cartel de 6-3, incluindo um teste antidoping mal sucedido para Ostarine, além de uma sequência de duas derrotas antes do UFC Winnipeg.
Phillips chega para a luta sem ranqueamento na divisão dos 135 lbs e, em muitos aspectos, ficou “fora do radar” do público. Ele teve apenas uma finalização nas últimas cinco temporadas e, com o aniversário chegando perto — ele completa 31 anos em breve —, precisa encontrar um novo ritmo com urgência. A sensação é que ele tem de acelerar agora para não perder a janela de oportunidade.
Durante o dia de mídia do evento, Phillips foi direto ao falar do adversário. Ele disse: “Eu vou f*der com esse cara. Ele é um bom oponente, mas eu sei das manhas dele. Ele gosta de falar, gosta de provocar, de dizer coisas. Mas eu vou bater nele. É uma luta doida, se você pensar bem. O cara é bem empolgante do jeito que luta. E o modo como eu luto — não é como se eu estivesse tentando convencer a mim mesmo com falas. Mas é uma luta legal. A forma como ele chegou no UFC desde cedo, e a forma como eu cheguei também desde cedo… agora a gente está no nosso auge”.
Phillips também tratou a questão de ranking como algo que não muda o que acontece dentro do cage. “Para ver o sucesso recente dele e ele ter descido de 145 até onde eu estou — você vai ver eu disparar. [Rankings] são como estatísticas, são apenas números. No fim, a jaula fecha e eu vou lutar contra outro cara. Então eu não estou tão preocupado com números ou com essas coisas. Eu só quero tirar ele de combate. E ele quer chegar nesses números ou o que ele estiver buscando”.
A avaliação geral para o duelo é que Jourdain parece “reacendido” no peso-galo, com velocidade e volume de golpes acima do normal, além de um mata-leão em guilhotina bem traiçoeiro. O problema é que as dificuldades que Phillips teve contra Rob Font e Vinicius Oliveira podem se repetir aqui. A aposta é que “The Matrix” fique sem energia depois de uma troca empolgante e de alto ritmo.
Prognóstico: Jourdain vence Phillips por finalização.
Não deixe de conferir as previsões das demais lutas do card principal do UFC Winnipeg.

