Cejudo ignora hype: só coloca Alex Pereira no top 5 se bater Gane

Alex Pereira pode virar o primeiro atleta da história do UFC a conquistar cinturões em três categorias diferentes, mas essa marca — por mais histórica que seja — não convence Henry Cejudo de que o brasileiro já estaria automaticamente no topo da lista dos maiores de todos os tempos dentro do octógono. Em participação no podcast “Pound 4 Pound”, ao lado de Kamaru Usman, o ex-campeão respondeu uma pergunta de fã sobre o quanto o legado de Pereira pode crescer caso ele vença Ciryl Gane pelo título interino dos pesos pesados no co-evento principal do UFC White House, marcado para 14 de junho.

Cejudo ponderou que a trajetória do brasileiro inclui conquistas anteriores no UFC nos pesos médios (até 185 libras) e nos meio-pesados (até 205 libras). Além disso, ele ressaltou que nenhum lutador do UFC jamais conquistou o ouro em três faixas distintas — seja interinamente ou como campeão absoluto.

Cejudo admite salto no reconhecimento, mas não coloca “GOAT” automaticamente

O norte-americano reconheceu que o feito singular, somado a um eventual triunfo sobre o atual campeão absoluto Tom Aspinall, colocaria Pereira em um novo patamar de reconhecimento. Ainda assim, Cejudo não cravou o brasileiro como o número 1 na prateleira dos maiores da história.

“Ele está no top 5 de todos os tempos”, afirmou Cejudo.

“Campeão-campeão-campeão” não basta para ser o maior, diz Cejudo

Quando Usman questionou o ex-campeão sobre por que o caminho até o “campeão-campeão-campeão” não faria Pereira ocupar a primeira posição, Cejudo respondeu comparando a forma como o brasileiro chegou às oportunidades de título com a trajetória de outras lendas do MMA.

“Não, porque existe uma diferença grande. Ele foi, de certa forma, direcionado para a disputa no peso 185. Foi direcionado para o título nos meio-pesados. E agora está sendo direcionado de novo para uma disputa. É diferente quando você percorre a divisão inteira, como você fez, como o Jon Jones fez. Isso é muito difícil. Agora, se você consegue passar por isso e ainda subir e fazer o mesmo na próxima, subir e fazer na próxima… aí muda muito. Não estou falando isso por rivalidade, estou apenas dizendo a verdade”, declarou Cejudo.

Viés do “momento” pode inflar avaliação, aponta ex-campeão

Cejudo também citou que Pereira pode ter sido favorecido pelo viés de atualidade (o chamado efeito de “recência”), em que campeões mais recentes tendem a tomar espaço nas conversas sobre ranking histórico. Ele lembrou nomes que, segundo a leitura dele, ficaram fora do foco máximo nas listas dos maiores, como Georges St-Pierre, Jon Jones, B.J. Penn, Randy Couture e Daniel Cormier.

Usman vê chance real de número 1, se Pereira abrir caminho

Para Kamaru Usman, Pereira precisa ser considerado seriamente para o primeiro lugar caso consiga transformar a história em precedente no UFC White House. O gancho do raciocínio do ex-campeão é simples: se o brasileiro conseguir ser o primeiro — e, ao que tudo indica, o único — campeão em três divisões na história do UFC, isso colocaria o atleta em “ar raro” na hierarquia do esporte.

“Eu acho que Alex Pereira se coloca em um patamar muito elevado, como eles dizem, se esse homem conseguir sair por aí e ser o primeiro e o único campeão em três divisões na história do UFC”, afirmou Usman.

Pressão extra: Cejudo lembra que disputa interina acontece pela ausência de Aspinall

Apesar de admitir o peso do feito, Cejudo se mostrou cético não apenas em relação ao legado, mas até em relação ao resultado imediato: ele também quer reforçar que a luta de pesos pesados envolve disputa de título na ausência de Tom Aspinall, que segue em recuperação após um episódio de “poke” no olho durante uma defesa de cinturão contra Ciryl Gane no UFC 321, realizado em outubro do ano passado.

Para Cejudo, o interino não é “o ouro” que fecha a história

Se Pereira vencer no dia 14 de junho, haverá muito para comemorar. Ainda assim, Cejudo acredita que o objetivo do brasileiro não deveria terminar no interino. Para o ex-campeão, a sensação de “medalha de prata” não deve ser tratada como o fim do caminho.

“Eu odeio falar isso, mas não é real. Justin Gaethje, quando ele teve o título interino… qual foi a primeira coisa quando ele bateu Tony Ferguson? Eles colocaram aquilo ao redor da cintura, ele tirou, colocou no chão e falou: ‘Eu quero o cinturão de verdade’”, disse Cejudo.

“É uma medalha de prata. Interino significa que você é o número 1 contender. Só isso”, completou o lutador.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.